dezembro 28, 2005

Aspectos e antecedentes de uma "escola químico-metalúrgica"da Companhia União Fabril, CUF, no Barreiro - século XX

[Nota para apresentação no "blog": O texto que se segue corresponde a uma comunicação apresentada sob o título acima na XIV Reunião da Rede de Intercâmbios para a História e a Epistemologia das Ciências Químicas e Biológicas (RIHECQB) - Secção de São Paulo, Brasil, que se realizou naquela cidade de 3 a 5 de Junho de 2004]

Giberto Gomes; Isabel Cruz˚; J. M. Leal da Silva
Grupo de Trabalho do Arquivo da CUF/QUIMIGAL ˚CICTSUL


Introdução: Em 1958, com a edição do álbum “50 Anos da CUF no Barreiro”, a CUF – sigla pela qual era geralmente conhecida em Portugal a Companhia União Fabril e o seu Grupo – comemorava o cinquentenário das suas fábricas na vila do Barreiro (actualmente cidade), situadas a Sul do estuário do Tejo, mesmo frente à capital.
De facto, em 1908, concretizando uma ambiciosa aquisição de terrenos que permitia o triplo desiderato de um acesso fluvial/marítimo, de uma comunicação ferroviária e de um espaço chão, e suficientemente adaptado à realização industrial, o carismático “Comercialista N.º 1” português, Alfredo da Silva (1871 – 1942) retirava a Lisboa o predomínio industrial daquela sociedade - antes do Barreiro, a produção da CUF fazia-se com as fábricas “União” e “Sol” situadas em Alcântara, a escassas duas centenas de metros uma da outra. Ao mesmo tempo conseguia, no novo local, implantar um estabelecimento fabril moderno, capaz de concorrer com grandes centros industriais europeus, e vocacionado a prosseguir uma ligação preferencial com a agricultura, actuando quer a montante, facultando-lhe os adubos ou fungicidas, para melhoramento geral das culturas, por exemplo, quer a juzante, processando-lhe os produtos da própria terra (oleaginosas).
Com base numa tecnologia importada – com o francês A. L. Stinville a coordenar o processo, tanto ao nível das técnicas, equipamentos, como também a nível do pessoal, seleccionando os primeiros elementos de chefia e de comando, inclusive – o estabelecimento fabril da CUF no Barreiro tornar-se-ia um complexo químico-industrial e um modelo de eficácia, predominantemente no domínio da produção da química mineral. Utilizava matérias - primas nacionais (pirites, como fonte de enxofre e de cobre, e sal), factor importante para um país que ciclicamente se procurava equilibrar através da substituição de importações, e fosforite importada do Norte de África. E, como vector - força essencial no seu desenvolvimento, procurava assegurar a economia global do complexo por uma extensa prática de integração fabril.
A aproximação dos anos 40, e sobretudo a modificação e racionalização da química industrial, com o desenvolvimento da filosofia dos processos e operações unitárias, que marcou o período imediatamente após a II Grande Guerra, e acompanhou as transformações sociais desse período, veio surpreender e afectar de forma determinante a CUF - Barreiro fortemente ligada à vigorosa imagem do “patrão”, Alfredo da Silva, uma característica que se perpetuou muito após o desaparecimento deste.
Assim sendo, as fábricas do Barreiro – a que faltavam ainda os benefícios da intensificação de processos por catálise e alta pressão, e que permaneceriam fatalmente arredadas até aos anos 70 – 80 de uma indústria orgânica significativa – viriam a sentir “os ventos da mudança” e a consubstanciar uma verdadeira escola em que a adaptação de processos atingiu realidades surpreendentes.

1. A “identidade” e a “escola”: uma aproximação possível para o estudo da CUF - Barreiro
Falar de uma “escola” implica necessariamente considerar a dimensão de actividade humana, olhada nas suas múltiplas vertentes, desde a ética e a moral até à afectiva, passando por outras mais óbvias, como a social e a profissional.
Nye (1993) integra a “escola” no conjunto das três categorias – tradições; disciplinas; escolas – seleccionadas para o estudo da dinâmica do “conhecimento disciplinar” característico da Ciência.
Segundo Nye, estas categorias, ainda que possam ser posicionadas mediante o esquema cronológico simples de a “escola” criar a “disciplina”, que por sua vez gera a “tradição”, relacionam-se entre si de forma bem mais complexa, numa lógica que supera frequentemente a ordem linear temporal.
Assumindo essa “desordem” no processo dinâmico em estudo, a autora citada propõe então um esquema, não sociológico, muito mais afim de um modelo de construção de identidades históricas, desenvolvido a partir de elementos utilizados por etnólogos, antropólogos e historiadores para definição de colectividades ligadas à identidade étnica ou nacional.
Nesta aproximação teórica pela “identidade”, a “escola” é melhor entendida quando observada em analogia com uma família alargada, mais do que como um grupo nuclear local. Basicamente, o esquema é passível de aplicação a qualquer grupo altamente integrado, e tem a grande vantagem de permitir a integração dos conceitos separados de “escolas”, “disciplinas” e “tradições” numa matriz de análise única.
Para análise do conceito “identidade” visando a história de uma disciplina científica, Nye utiliza seis elementos, a saber: - genealogia e descendência familiar, incluindo a mitologia histórica de origens heróicas e episódios heróicos; - um núcleo bibliográfico para definição dos arquétipos linguístico e imagético; - práticas e rituais codificados e realizados; - uma territorialidade familiar incluindo instituições baseadas nos direitos e deveres dos cidadãos; - reconhecimento exterior; - valores partilhados e problemas por resolver.
Para prosseguimento deste trabalho, e clarificação dos objectivos que se propõe, torna-se necessário o esclarecimento de alguns pontos, tomando como ponto de partida o esquema proposto por Mary Joe Nye, e analisando-o para o caso da CUF - Barreiro: por um lado, uma empresa industrial (ou mesmo uma parte dessa empresa) não é uma disciplina científica; por outro, a análise de uma escola químico-metalúrgica da CUF - Barreiro, em particular, não substituirá a da CUF - Barreiro em si (tão pouco da CUF na sua globalidade), tal como a análise do conceito “escola” não esgotaria o estudo da disciplina científica. Não obstante estas diferenças de partida, porém, toma-se o modelo de análise por aproximação via “identidade” como ponto de partida para estudo da CUF no Barreiro, uma vez que também ela se pode considerar um grupo altamente integrado e organizado, tipologia para a qual (recorde-se) o modelo tem aplicação geral.
Desta forma, e independentemente dos elementos definidos para realizar a análise, a “escola químico-metalúrgica”, tomada como factor determinante para a construção da “identidade” da CUF-Barreiro, será considerada desde logo, como uma “família alargada”, e para ela se fará convergir a maior parte dos problemas por resolver, e dos valores considerados na sua resolução, que se considera serem igualmente o elemento chave para análise e definição da “identidade”, não só da CUF-Barreiro, mas também de toda a CUF.
E na medida em que a “escola” é uma categoria subsidiária a analisar, para o entendimento da construção da “identidade”, assumir-se-á, na medida do possível, neste trabalho, que à análise da “escola” pode ser chamado todo o conjunto dos elementos definidos para o estudo da “identidade”. Assumir-se-á, igualmente, a possibilidade de integração de aspectos que nunca antes foram relacionados entre si, e cita-se para já como exemplos, os termos “família CUF” ou “família Cufiana” tão familiar aos ouvidos de quem trabalhou nesta empresa; “universidade” ou “escola CUF” (referenciando a CUF-Barreiro, senão a própria CUF); a “comunidade do saber “ que partilhando e discutindo os problemas imperou no Barreiro em parte devido à obrigatoriedade de residência dos quadros superiores da CUF neste local (esta comunidade só foi amenizada pelos anos 60, com a inauguração da actualmente denominada Ponte 25 de Abril, a ligar as duas margens do rio Tejo na zona de Lisboa, e com a facilidade de transportes que daí adveio), para não falar das próprias famílias operárias, constituindo verdadeiros clãs: os chumbeiros, os carpinteiros, os pedreiros, entre outros campos especializados.
Refira-se igualmente outros aspectos, como os nomes das ruas do bairro operário das fábricas CUF no Barreiro, como a rua Liebig, Lavoisier, Berthelot, Lawes, Dalton; a omnipresença de Alfredo da Silva, o fundador, mesmo depois de desaparecido (sugerindo genealogias e mecanismos de mitologia histórica); o grupo desportivo, as creches ou as escolas (parte da territorialidade familiar a que Nye se refere); os liberais e os triunfos “fin-de-siécle”, os industrialistas e a modernidade (valores), o contexto do pós II Guerra Mundial e a expansão da empresa, os novos engenheiros IST, a sua posição como o maior complexo ibérico químico-metalúrgico, e das maiores empresas europeias no final da década de 60 (reconhecimento exterior); e por último os problemas do processamento das pirites, o arsénio, o chumbo e as questões ambientais, entre outros aspectos, que apontam por sua vez, para o elemento chave da aproximação teórica pela “identidade”.
Os tópicos que se apresentam na continuação desta exposição traduzem assim, esses mesmos princípios, e constituirão igualmente elementos de análise e contributos para o estudo histórico da “identidade” da CUF-Barreiro, e da própria CUF.

2. Condições para o desenvolvimento de uma “escola químico-metalúrgica” da CUF no Barreiro (1945 em diante)

2.1. As fábricas da CUF no Barreiro no final da II Grande Guerra
Falar sobre as fábricas da Companhia União Fabril no Barreiro em meados da década de 40 do século XX implica considerar um importante processo de transição que conduziu a empresa, em geral, e a CUF - Barreiro em particular, a um nível de desenvolvimento para o qual a complexidade já não era apanágio apenas da lógica da produção, deixada pelo seu fundador, Alfredo da Silva, e que permitia considerar o conjunto de fábricas, estruturas e serviços como partes integrantes e interdependentes de um verdadeiro complexo.
De facto, no início dos anos 40 a actividade do complexo do Barreiro estava já perfeitamente estruturada. Salvo raras excepções, as instalações fabris existentes inscreviam-se quase totalmente na lógica da produção química dominada pela matriz fisiocrática, que combinava a diversificação dos produtos com a integração vertical, sempre atenta à recuperação de sub-produtos e às necessidades do mercado, em especial o nacional. Do complexo químico-metalúrgico faziam parte nessa altura:
. instalações - de produção de ácido sulfúrico; de superfosfatos; de sulfato de cobre; de sulfato de sódio e ácido clorídrico; de sulfato ferroso; de carvão animal; de oxigénio; de sulfureto de carbono; de ustulação clorurante e de sinterização de cinzas de pirite (fritagem); de recuperação de cobre por lixiviação ácida das cinzas seguida de cementação; de obtenção piro-metalúrgica do cobre (metalurgia do cobre); de recuperação e laminagem do chumbo (metalurgia do chumbo); de recuperação e obtenção dos metais preciosos (metalurgia do ouro e da prata); de sublimação do enxofre; de cristalização de sulfato e carbonato de sódio; de extracção de óleo de bagaço de azeitona; de extracção e refinação de óleos de amendoim e de sésamo; de refinação de azeite; de produção de sabão; de fiação de juta e de sisal; de tecelagem e sacaria de juta; de fabrico de carpetes;
. instalações de moagem e trituração; silos (para fosforites e pirites); armazéns (de oleaginosas, óleos e massas residuais, de superfosfatos, de juta e sisal, de nitrato de sódio e de sulfato de amónio, dois produtos que então a CUF ainda importava);
. oficinas – de reparação de velas; encerados e cordas; dos electricistas; dos pintores; dos chumbeiros; de branqueamento e tinturaria, e de creosotagem;
. casas das bombas; depósitos e tanques; carpintarias; serrações; tanoaria; a infraestrutura de transporte ferroviário; vias aéreas com caçambas para a movimentação de sólidos na área dos adubos; caldeiras e centrais eléctricas, uma das quais com grupos “diesel”.
Da mesma forma figuravam os sistemas de controle analítico de produção e direcção técnica. No complexo existiam ainda os escritórios, casa do director e messe dos engenheiros, e também central telefónica, posto alfandegário, posto da GNR, portaria, quartel dos bombeiros privativos, duches e despensa, o bairro operário, a escola e a creche.
[1]


2.2. A abertura da empresa aos quadros
Um mar de coisas e um formigueiro de gente que, não obstante, se regulava por um sistema aparentemente simples, eminentemente “prático” na condução das fábricas, estruturado na base das “Secções”
[2] e apoiado num escasso número de responsáveis. Mas esta situação vai alterar-se a partir do final da II Grande Guerra: em 1945, contavam-se 10 chefes de serviço e em 1956 já eram 200, entre engenheiros e agentes técnicos[3]. Laboriosos obreiros do processo de transição, que leva mais de uma década, D. Manuel de Mello (1895 – 1966) [4] e o engenheiro Eduardo Madaíl respectivamente, o presidente e administrador-gerente da Companhia e o secretário da mesma (depois nomeado seu vice-presidente, em Julho de 1948)[5], são dois grandes projectores da CUF do século XX, “abrindo-a” por assim dizer, às pessoas, às novas tecnologias, ao desenvolvimento e à investigação, ao novo tempo que se parece anunciar com o fim da II Grande Guerra.
Como exemplo do que se acaba de afirmar, analise-se o início da 2.ª metade do século XX, em termos de admissão no complexo para quadros superiores: em 1949, o pessoal de chefia nas fábricas da CUF no Barreiro era 3,25% do total dos seus trabalhadores, isto é, 260 pessoas. Dez anos depois, o número subiu para 407 pessoas, valor correspondente a 4,32% do total. Neste período houve várias vagas de admissões, a de 1950/1951, a de 1954/1955 e a de 1956/1957. O pessoal superior (a designação englobava os agentes técnico-administrativos, os agentes técnicos de engenharia, assistentes de investigação, comercialistas, engenheiros, físicos, químicos, médicos e técnicos têxteis) admitido nessas vagas foi de 11, 54 e 70, respectivamente. No total, de 1950 a 1959, foram admitidas 173 pessoas para quadros superiores da empresa no Barreiro.
[6]
É aliás, a II Grande Guerra que a nível da indústria mundial marca definitivamente os contornos de um outro período, e assim se fala da transição das concepções de natureza industrial e social do “antes” e do “pós-guerra”.
[7] Neste novo conceito, a componente empírica vai sendo reduzida e, procurando-se entender os processos, fazem-se modificações de algum vulto nas instalações industriais. O engenheiro Madaíl, que desde cedo percepciona esta mudança,[8] inteira-se nas revistas internacionais da especialidade, sobre as inovações industriais praticadas, e adopta um regime de consultadoria externa para sectores chave da CUF química: os ácidos e os adubos com P. Parrish, e para os óleos, a Mantherstam. Percy Parrish, um especialista de renome em fábricas de ácido sulfúrico que não só fará modificações nas fábricas de Câmaras como, embora falecido em 1947, deixará a sua intervenção técnica ligada à concepção da primeira unidade de produção de ácido sulfúrico por contacto em Portugal, o designado “Contacto 1” (1950), estando por isso directamente ligado à fase inicial de introdução da tecnologia de catálise no fabrico do ácido sulfúrico no Barreiro, e no país.
Mas, ao contrário da direcção/consultadoria “Stinvilliana”, este outro regime de aquisição de tecnologia já vai ter de contar com um “cluster” humano “no terreno”, técnicos portugueses, engenheiros muitos deles, da “magra” dezena de admitidos entre 1943 e 1947 (compare-se com a situação anteriormente apresentada, de 1950 a 1959), que vão saber acompanhar de perto, e de forma crítica, as novas propostas avançadas, e preparar o complexo para a expansão de toda a estrutura.
As grandes transformações tecnológicas entretanto ocorridas durante e após a Grande Guerra, que se situaram nas áreas da catálise, e da tecnologia de altas pressões para a produção do amoníaco, e a sua introdução - amortecida, mas ainda assim realizada - em Portugal, bem como outros aspectos de diversificação de actividades e de processos que tiveram lugar posteriormente, trouxeram consigo o recrutamento de uma grande massa de técnicos jovens, fenómeno extensível a todos os ramos de actividade da CUF, do qual já se deu exemplo. Estes técnicos colocados nas chefias que, para além do mais, souberam manter uma ligação à escola, utilizar a experimentação como metodologia de trabalho e assegurar os processos de controle, modificaram a ordem das coisas no Barreiro. Com as suas práticas e posturas, o funcionamento do complexo conduziria a uma endogeneização de conhecimentos, e a uma atitude positiva quanto ao processo de adaptação de tecnologias, porta aberta ao desenvolvimento de tecnologias próprias. E, em última análise, a partir desta altura, os regimes de consultadoria tiveram, necessariamente de sofrer alterações, pois os técnicos da CUF «por volta de 1952, começaram a sair, para ver no estrangeiro as fábricas que funcionavam»
[9] e a iniciar o processo que os poderia um dia levar a ser capaz de vender, porque tinham aprendido a saber comprar (SILVA, 1983, p.13).

2.3. Estrutura, hierarquia e desenvolvimento no complexo químico-metalúrgico da CUF, no início da 2.ª metade do século XX
Importa aqui passar para outro nível de análise, ou seja, do plano humano para o estrutural e de organização. O novo pessoal técnico da CUF, em boa parte oriundo dos Institutos de Lisboa, o Instituto Superior Técnico (IST) e o Instituto Industrial (IIL), mas não só, já que – embora mais tardiamente – se iriam também recrutar quadros à Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), veio integrar a estrutura que entretanto se organizava em “Zonas” (1950) – Zona Ácidos; Zona Adubos; Zona Cobre (mais tarde, Zona Metais Não Ferrosos); Zona Norte (mais tarde, Zona Química Orgânica); Zona Metalomecânica e Zona Têxtil, conforme a lógica das produções - e constituir o “corpo” crescentemente especializado dos Chefes de Zona e Adjuntos. E, não obstante a importância das suas inovadoras características, o facto é que a sua “performance” dependeu inevitavelmente da capacidade de integração e acomodação desta estrutura, que tinha por função principal assegurar o bom funcionamento do complexo, a partir da dicotomia dos Serviços Fabris (“Serviços de Produção”, para as Zonas Metalomecânica e Têxtil) e dos Serviços Técnicos em cada Zona.
No final da década de 50, cada uma destas seis zonas criadas agrupava, no Barreiro, um conjunto de instalações tecnicamente afins, a saber:
. Zona Ácidos: fábricas de ácido sulfúrico, incluindo moagem de pirite, ácido clorídrico, sulfato de sódio e anexos;
. Zona Adubos: moagens de fosfatos e anexos, fábricas de superfosfato simples, superfosfato duplo, ácido fosfórico, adubos mistos, granulação, adubos químico-orgânicos, fosfato dicálcico, e indústrias anexas;
. Zona Metais Não Ferrosos: tratamento de resíduos de pirite, metalurgia do cobre, oxidação do cobre, fábricas de sulfato de cobre, silicato de sódio, metalurgia do ouro e prata, e indústrias anexas;
. Zona Química Orgânica: fábricas de: extracção por solventes, negro animal, óleo de mendobi, desidratação de óleo de rícino, saboaria, glicerina, sulfureto de carbono, xantatos alcalinos, refinação de enxofre, anidrido sulfuroso líquido;
. Zona Metalo-mecânica: fundição de ferro e aço, construções mecânicas, construções metálicas, construções navais;
. Zona Têxtil: fiação e tecelagem de juta, fiação de lã, tinturaria, tapetes de especialidades, lonas, cordoaria, velas e encerados.

Como funcionavam os engenheiros e agentes técnicos de engenharia nesta estrutura? Os Chefes de Zona eram os responsáveis por todos os aspectos da produção e do desenvolvimento, mas não pela programação da produção e dos seus custos. Dos Chefes de Zona – que tinham o número de adjuntos «julgado necessário para o bom funcionamento dos serviços» (cf. SENA, 1958, p.140) - dependiam, por um lado, os Serviços Fabris, e por outro, os Serviços Técnicos, que incluíam os denominados Centros de Estudo. Este sistema bipartido que dependia do Chefe da Zona permitia um funcionamento essencialmente pragmático, ligado aos fabricos e ao seu conhecimento e aperfeiçoamento. Para além dos Chefes de Zona, existiam também os Chefes de Fábrica, situados no nível hierárquico a seguir. A estes competia manter as unidades em funcionamento, cumprindo um programa de quantidades, custos, qualidade, segurança, ambiente, estado geral das instalações e gerir o respectivo pessoal.
E, de entre os adjuntos do Chefe de Zona, importa destacar a figura do Especialista, definida por SILVA et al.., 2005, p.253: «um engenheiro a quem cabia uma área geral de exercício de engenharia e uma área delimitada de conhecimentos, dentro dos fabricos da Zona. Tinha, antes do mais, de conhecer as fábricas, de estar a par com os mais recentes desenvolvimentos da sua área, de ser criativo, de saber fazer reconhecer-se como tal. Dava um apoio continuado aos problemas de produção e de vendas, à formação de segundas-linhas, recebia estagiários, fazia comunicações (...) Podia caber-lhe relatar, na reunião mensal, o que havia de novo na literatura química ou nos conhecimentos recebidos de outras fontes sobre a sua “especialidade”. Mas a literatura não era seu exclusivo: circulava por todos os quadros da Zona, produção ou estudos, “line” ou “staff”».
Verdadeiro “pivot” no desenvolvimento, o Especialista tinha diálogo cativo com o Chefe de Fábrica, nas propostas que apresentava para introdução de uma inovação ou realização de experiências de pequena monta, um sistema operativo que envolvia também a arbitragem do Chefe de Zona. Podia até liderar processos de grande alteração, de revisão vultosa, de inovação mais complexa ou importante, de estudo de maior interesse, numa equipa que agregava todos os restantes elementos designados para a obra, cuja aprovação preliminar era negociada pelo Chefe da Zona ao nível da Divisão, sendo definido o seu objectivo, custo, planeamento, desenvolvimento técnico, etc.
Importa ainda referir a formação das chefias intermédias (encarregados, chefes de turno) e operadores especializados. Para além da formação interna, em centros de aprendizagem, e do apoio prestado ao ensino técnico e comercial do Barreiro, inclusive facilitando a presença dos quadros técnicos da empresa como docentes, a estrutura de formação interna das Zonas ou dos Departamentos para aqueles grupos de empregados incluía verdadeiros cursos, organizados e ministrados pelos quadros e completados por rigorosos estágios na actividade. Estas acções de formação eram frequentemente completadas por cursos de “refrescamento”, em que se apresentavam novas tecnologias ou se preparava o pessoal para o desempenho em novas unidades.
Afirma ainda SILVA et al., 2005, p.254: «Mantinha este sistema, de uma forma geral, um permanente conhecimento sobre o campo de actividades industriais exercido ao nível da Zona. Pode-se, no entanto, apontar-lhe como defeito o produzir uma visão relativamente limitada em termos de desenvolvimento tecnológico. Valorizando a realidade fabril, havia pouca “libertação” da realidade fabril».
É pois já nesta formatação que se consolida o que se tornou conhecido (dentro e fora da empresa) por “Escola CUF”, e que aqui se retrata na sua vertente químico-metalúrgica. Em 1958, 80% da actividade industrial da empresa estava concentrada nas suas fábricas no Barreiro e, com os seus 10.000 trabalhadores, o complexo químico-industrial da CUF era então considerado o maior aglomerado fabril da Península Ibérica, e um dos maiores da Europa.



BIBLIOGRAFIA

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DERRY, T. K.; WILLIAMS, Trevor I. (1990) – Historia de la Tecnologia; Desde 1750 hasta 1900 (II). Madrid, Siglo Veintiuno de España Editores;
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TRAVIS, Anthony S., SCHRÖTER, Harm G.; HOMBURG, Ernst; MORRIS, Peter –ed. – (1998) – Determinants in the Evolution of the European Chemical Industry 1900 – 1939: Dordrecht, Kluwer Academic Publishers;
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WILLIAMS, Trevor I. (1987) – Historia de la Tecnologia; Desde 1900 hasta 1950 (I). Madrid, Siglo Veintiuno de España Editores.


[1] Elementos retirados de ARQUIVOS DA CUF/QUIMIGAL – Surveyor’s detailed report, The Northern Assurance Co. Ltd, 22nd. October 1937.

[2] A Secção Técnica ou a Secção “Estrangeiro” eram disso exemplos.

[3] Informação dada pelo Eng.º António Pessoa Monteiro a Isabel Cruz, em entrevista realizada em 19 de Janeiro de 1996.

[4] Filho do 2.º conde do Cartaxo, D. Jorge José de Mello (bacharel em Direito e um dos directores da Companhia Real Promotora da Agricultura Portuguesa, uma companhia fundada em 1884 com parte da “nata” científica e dos negócios lisboeta, com interesses na produção em química de base, nomeadamente adubos, e que explorava a Fábrica de produtos químicos da Póvoa de Santa Iria), Manuel Augusto José de Mello era genro de Alfredo da Silva. D. Manuel de Mello fez o Curso Superior de Comércio do Instituto Comercial de Zurique (Suiça), e entrou para o Conselho de Administração da Companhia União Fabril em 1919.

[5] ARQUIVOS DA CUF/QUIMIGAL – Companhia União Fabril, SARL; QUIMIGAL, EP; QUIMIGAL, SA: Órgãos Sociais (1865 – 1997). Grupo de Trabalho do Arquivo da CUF/QUIMIGAL, Dezembro 2002.

[6] ARQUIVOS DA CUF/QUIMIGAL. Serviços de Pessoal – Companhia União Fabril, Fábricas do Barreiro: Estatística do Movimento de Pessoal, de 1950 -1959.

[7] A historiografia da Indústria assinala a 1.ª metade do século XX como o período de transição (e em particular o período entre guerras como uma etapa condicionante do processo) para um sistema novo que já está “em vigor” na 2.ª metade da mesma centúria. Veja-se por exemplo WILLIAMS, T., 1987, p. 12.

[8] Mudança que reconhece existir igualmente ao nível da profissão de engenheiro químico, o que se pode facilmente depreender das suas palavras: «o título de engenheiro tem hoje um significado profundamente diferente do que tinha antes da Grande Guerra. Nesse tempo era, sobretudo, ao adjectivo que se dava realce e o engenheiro químico, antes de mais nada, era um químico que se ocupava de problemas de produção; a esse género de técnicos se dá hoje com mais propriedade o nome de químico industrial.
A evolução das condições económicas durante e, sobretudo, depois da Guerra Mundial obrigou a indústria a procurar outra espécie de técnicos, os engenheiros químicos com predomínio do substantivo, isto é, engenheiros que se ocupassem de problemas de química industrial; a engenharia química passou então a constituir um dos ramos da engenharia» (cf. MADAÍL, 1938, p.1).

[9] Eng.º António Pessoa Monteiro, em entrevista dada a Isabel Cruz, em 19 de Janeiro de 1996.
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Primeiro cais do porto fluvial das Fábricas do Barreiro (no rio Tejo)


(da colecção das fotografias da construção, 1908)

dezembro 12, 2005

Cronologia IV


CRONOLOGIA CUF – IV
CRONOLOGIA DA QUIMIGAL, S.A.
(SOCIEDADE DE CAPITAIS PÚBLICOS)
ATÉ À 1ª FASE DA REPRIVATIZAÇÃO
(1989 – 1997)
1ª VERSÃO (AGOSTO, 2002)

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CORRESPONDE ESTE VOLUME AO 4º DE UMA SÉRIE QUE SE INICIOU COM A CHAMADA “CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO”, EM QUE SE TRANSCREVEU A “SCANNER” O TEXTO EDITADO NO N.º 17 DA REVISTA “INDÚSTRIA”, EDITADO EM 1965 E COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DA CUF. COBRE-SE AGORA A FASE FINAL DA QUIMIGAL COMO EMPRESA DE CAPITAIS PÚBLICOS E DEFRONTA-SE UMA DIFICULDADE METODOLÓGICA CARACTERÍSTICA DESTE PERÍODO: DE FACTO, DESPROVIDA DO PAPEL DE INTERVENIENTE DIRECTO NO PROCESSO PRODUTIVO DESDE 1991-1992, A QUIMIGAL, S.A. TORNA-SE NELE UMA VERDADEIRA SGPS PELO QUE A SUA ACTIVIDADE SE REVÊ, ESSENCIALMENTE, NA ACTIVIDADE DAS SUAS PARTICIPADAS. É ISTO O QUE O TEXTO, BASTANTE EXTENSO PELA NECESSIDADE DE ABRIR TODOS OS CAMPOS ASSIM DETERMINADOS, PROCURA REALIZAR.
POR ESTRITA RAZÃO DE HOMOGENEIDADE, REDUZIU-SE O TERMO SUPERIOR DO INTERVALO TEMPORAL CONSIDERADO NESTA CRONOLOGIA, LEVANDO-O APENAS ATÉ AO EXERCÍCIO EM QUE DECORREU A 1ª FASE (90% DO CAPITAL SOCIAL) DO PROCESSO DE REPRIVATIZAÇÃO DA QUIMIGAL (1997) E NÃO ATÉ À CONCLUSÃO DESTE (1998) OU AO RESTABELECIMENTO DA DESIGNAÇÃO CUF NA SOCIEDADE ADQUIRENTE, QUIMIGEST, S.A. (1999). UMA OPORTUNA EXTENSÃO CRONOLÓGICA ATÉ À ACTUALIDADE DESTA LISTAGEM, COM REALIZAÇÃO SEPARADA, INCLUIRÁ NECESSARIAMENTE ESSES EVENTOS.
DIR-SE-Á, COMO ADVERTÊNCIA, QUE OS TEXTOS JUNTOS, AINDA QUE TRANSCREVENDO-OS EM GRANDE EXTENSÃO, NÃO SÃO UMA REPRODUÇÃO LITERAL DOS RELATÓRIOS E CONTAS DA QUIMIGAL S.A. REFERENTES AOS EXERCÍCIOS ABRANGIDOS (E DA QUIMIGEST S.A. PARA 1997). ASSIM, TENDO EM CONTA A REDACÇÃO ABREVIADA QUE MUITAS VEZES SE ADOPTOU, A PRESENTE CRONOLOGIA NÃO DISPENSA, PARA FINALIDADES MAIS PRECISAS, O EXAME DESSES MESMOS TEXTOS NAS SUAS FONTES ORIGINAIS. REFERÊNCIAS DIFERENTES OU COMPLEMENTARES DESSES RELATÓRIOS SERÃO PONTUALMENTE IDENTIFICADAS. COMO AS ANTERIORES, POSTERIORES À “CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO, A PRESENTE CRONOLOGIA MANTÉM-SE EM ABERTO PARA OPORTUNAS ADIÇÕES / RECTIFICAÇÕES.
J. M. LEAL DA SILVA
LAVRADIO, AGOSTO DE 2002
Versão V1 (Agosto 2002)

CRONOLOGIA IV: DA QUIMIGAL, S.A. DE CAPITAIS PÚBLICOS (1989) À 1ª FASE DO PROCESSO DE REPRIVATIZAÇÃO (1997)

1989
- "O ano de 1989 representou (. ..) uma viragem essencial para a sobrevivência da Empresa e determinante para o seu futuro, devido a dois factos de enorme relevância:
-um, a transformação da Quimigal Química de Portugal, E.P. em sociedade anónima de capitais maioritariamente públicos, operada pelo Decreto- Lei nº 25/89, de 20 de Janeiro;
-o outro, o seu parcial saneamento financeiro efectuado pela assumpção, por parte do Estado, de 48 milhões de contos do seu passivo."
- Verifica-se assim o lançamento integral do plano global de reestruturação, elaborado desde 1985 e entretanto aprovado pelo Governo, com as seguintes orientações fundamentais (algumas das quais já em curso):
-encerramento de unidades produtivas sem viabilidade económica;
-ajustamento de efectivos;
-elaboração de um plano estratégico concedendo coerência ao conjunto participações existentes/ novas empresas a criar;
-autonomização progressiva de negócios e serviços no horizonte de 1990/1991.
- São criadas as seguintes empresas, como resultado de autonomização de negócios:
-AGROQUISA, S.A. , a partir da Divisão de Produtos Agroquímicos (em Agosto);
-NUTASA, S.A. , originária da Divisão de Produtos para a Pecuária (em início de Novembro).
-CUF TÉXTEIS,S.A. , devida à autonomização da Divisão de Texteis para o Lar (em Dezembro);
-PLASQUISA, S.A. , resultante da componente de Plásticos da Divisão de Plásticos e Especialidades Químicas (em Dezembro); e
-QUIMIPARQUE, S.A. , formada com base na área de Serviços da Divisão de Infraestruturas Industriais e que explorará, numa primeira fase, o complexo industrial do Barreiro como Parque Industrial (em Dezembro).
- É elaborado e apresentado ao Accionista um Plano Estratégico, considerado como adquirido e em aplicação, que precisa a actuação da QUIMIGAL,S.A. como empresa "holding". Ao GRUPO QUIMIGAL é atribuída, segundo aquele Plano, uma significativa componente industrial, actuando em áreas de actividades relativamente homogéneas (agropecuária, produtos de grande consumo, embalagens e plásticos e produtos químicos para a Indústria).
- São alienados:
-o Negócio das Especialidades Químicas (no início de Novembro); e
-a participação na INTERCUF (Brasil).
- Prosseguem as acções incluídas no plano de reestruturação do sector adubeiro, incluindo a conclusão das acções anteriormente citadas, e ainda:
-o encerramento definitivo das instalações de produção de ácido sulfúrico por Contacto nºs 6 e 7, no Barreiro;
-a aquisição nos Estados Unidos de uma instalação de nitração adiabática, que restabelecerá o "balanço de água" em Estarreja e eliminará a onerosa produção de sulfato de amónio de má qualidade;
-a revisão e arranque da fábrica de nitroamoniacais no Lavradio, permitindo um adubo granulado com boa consistência;
-o início dos trabalhos de construção dos entrepostos do Pocinho, Estarreja, Barcelos, Fundão e Beja; e ainda
-diversos investimentos de carácter ambiental.
- Encerra definitivamente a Actividade Cobre, no Barreiro. A instalação de metalurgia do cobre do Barreiro é cedida, por usufruto, a uma empresa estrangeira que, no local, procede à recuperação dos metais contidos em sucatas especiais (da indústria electrónica); esta operação dura até 1992.
- O equipamento da instalação de produção de fibra de vidro, no Barreiro, inactiva desde 1985, foi vendido a uma empresa estrangeira, que procedeu ao respectivo desmantelamento e exportação.
- A QUIMIGAL passa a deter a totalidade do capital social da UNISOL e inicia um conjunto de acções visando o estabelecimento de uma "joint-venture" com um parceiro internacional já implantado em Portugal.
- É constituída a SERCARGA -Sociedade de Movimentação de Cargas,Lda, que por sua vez adquire 70% do capital social da ATLANPORT e 90% do capital social da GRANOTRANS.
- A QUIMIGAL participa no ICDS -Industry for Development Services / AMSCO, tendo em vista as participações em Africa e actuações no campo da cooperação.
- As alienações de património imobiliário não afecto incluem o terreno na Av. Infante Santo, junto à Sede.

1990
- É obtido, no início do exercício, mas reportado em efeitos a Janeiro de 1989, o acordo das Comunidades Europeias quanto ao programa de reestruturação da QUIMIGAL, o que permite desencadear as actuações ainda em suspenso desse programa.
- A QUIMIGAL apresenta um resultado positivo em 1990 (cerca de 418 mil contos), após 10 anos de exercícios consecutivos com resultados negativos.
- São criadas, a partir da componente produtiva da QUIMIGAL, as seguintes empresas:
-QUIMITÉCNICA -Serviços, Comércio e Indústria de Produtos Químicos, S.A. , em Junho, a partir de parte da ex-Divisão de Química Inorgânica e Metais;
-LUSOL -Companhia Lusitana de Óleos, S.A. , em Outubro, a partir da ex-Divisão de óleos e Sabões; e
-QUIMIGAL ADUBOS, S.A. , em Dezembro, a partir da ex-Divisão de Adubos.
- Ao nível de autonomização de serviços são criadas as seguintes sociedades:
-ENEF -Empresa de Energia e Fluidos, Lda. , em Junho, partindo do Departamento de Energia e Fluidos da ex-Divisão de Infraestruturas Industriais, do Barreiro;
-S.G.Q.-Mediadora de Seguros, Lda. , criada em Setembro, a partir do Serviço de Gestão de Seguros;
-LABORMEDIC, integrando o Serviço de Medicina no Trabalho do Barreiro, em Setembro;
-FÓRUM ATLÂNTICO, Sociedade de Consultores em Desenvolvimento Empresarial,S.A. , constituída em Outubro, com base na área de Formação da Direcção Central de Recursos Humanos.
- A prática conclusão do processo de reestruturação e a insuficiente cobertura para o endividamento da Empresa, obtida como contrapartida e originada nas empresas entretanto criadas, torna necessário um saneamento financeiro complementar, com meios próprios. A alienação das empresas recém-criadas é, com esse objectivo, possibilitada pelo Decreto-Lei nº 319/90, de 15 de Outubro (alterando os estatutos da Empresa) , que será complementado, já em 1991, pelo Decretos-Leis nº 128/91, de 22 de Março (definindo as regras e procedimentos a adoptar nessas alienações) e 321/91, de 26 de Agosto.
- Decorrente da nova configuração empresarial da Empresa, é lançado um primeiro modelo de controle de gestão das Participadas.
- Concretiza-se a venda das seguintes participações da QUIMIGAL:
-no início do ano é assinado um protocolo para alienação parcial da participação da QUIMIGAL nas empresas do Agrupamento UNISOL (incluindo SONADEL, UNICLAR, SERVISAN e FLORAL) o que conduz á constituição, com a COLGATE-PALMOLIVE, de uma "joint-venture" -a UNISOL, S.A. -da qual a Quimigal detém 30%;
-na QUIMIBRO (que detém a participação na COMPANHIA PORTUGUESA DO COBRE), em Março;
-na SOTINCO (que detém a participação na JOTUM-TINCO); em Julho; e
-já no fim do exercício é assinado o protocolo para venda das participações na LUSOFANE (que detém a participação na AGROPLÁSTICA) e ECOPLÁS.
- Prosseguiu a alienação de património imobiliário não afecto à exploração. As alienações concretizadas em 1990 incluem a “Colónia de Férias” de Almoçageme, e o “Depósito de Braga”.
- Os Serviços de Formação Profissional, no Barreiro, são cedidos ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (por protocolo firmado em Abril), para desenvolvimento de um polo de extensão de actividades de formação profissional, dirigidas à manutenção industrial.
- Os serviços rodoviários e ferroviários da ex-D.I.I. / Barreiro, são transferidos, respectivamente para a ATLANPORT e a QUIMIGAL ADUBOS.
- Reduzem-se substancialmente os efectivos da QUIMIGAL,S.A. , devido em grande parte à autonomização do Negócio Adubos (2050 efectivos) e Anilina (178). Procede-se à reorganização de serviços e alterações na composição estrutural da população da Empresa, com 207 efectivos em 31 de Dezembro.
- A denominação da Participada QUIMATEX é modificada para TANQUIPOR-Movimentação e Armazenagem de Líquidos,Lda., em Novembro, na sequência da aquisição da quota pertencente a Van Ommeren (International) B.V. .
- As participações na GAZETA DAS ALDEIAS e QUIMIPEDRA são assumidas, respectivamente, pelas Participadas, QUIMIGAL ADUBOS e QUIMITÉCNICA..
- Prossegue a reestruturação e desenvolvimento do Negócio Adubos, sendo de salientar as seguintes acções:
-construção e montagem da instalação de nitração adiabática, em Estarreja (após desmontagem e transporte desde os Estados Unidos); esta instalação arranca no âmbito da AP-ANILINA DE PORTUGAL, atingindo, com sucesso, os objectivos designados para o projecto;
-contrato de instalação do sistema integrado para gestão;
-entrada em funcionamento dos entrepostos do Pocinho e Estarreja e construção dos do Barreiro, Beja e Fundão;
-concretização de investimentos específicos de protecção ambiental e tratamento de efluentes, no Barreiro e Lavradio;
-realização de investimentos de melhorias de fabrico e de controlo de qualidade;
-encerramento definitivo das fábricas de ácido fosfórico e do Contacto 5, no Barreiro;
-redução ao mínimo da produção de uma das granulações no Barreiro, de uma unidade de superfosfatos e de uma das fábricas de ácido nítrico em Alverca;
-início no Barreiro da produção da linha "Blend" , excelentemente aceite pela Lavoura alentejana; e
-activação de meios de relação com a Lavoura.
- No campo dos produtos químicos, a constituição da QUIMITÉCNICA incluiu a transferência para a nóvel sociedade das unidades industriais de sulfato de alumínio, sulfatos alcalinos/ácido clorídrico, fosfato dicálcico, cal, armazenagem e expedição de ácido sulfúrico, tratamento de resíduos industriais e áreas de comercialização e assistência técnica. Todas as restantes instalações (tratamento de cinzas de pirite, sulfato de sódio D, sulfato de cobre, zinco metálico) foram gradualmente encerradas, sendo "de salientar que esta transformação envolveu aspectos de grande complexidade e algum melindre, dado o número de postos de trabalho que tiveram de ser suprimidos e as alterações de enquadramento do encerramento do "ciclo industrial da pirite" no Barreiro, que durara perto de 90 anos .
- A QUIMIGAL intervém na constituição da QUIMIPEDRA, uma "joint-venture" dirigida ao abastecimento da QUIMITÉCNICA (que em 1991 assume a respectiva participação) com matéria prima (calcáreo) para o forno da cal.
- A unidade de produção de zinco metálico, juntamente com a área hidrometalúrgica da instalação de peletização de cinzas de pirite (“Kowa-Seiko”), foi vendida a uma empresa estrangeira, que prosseguiu durante algum tempo a respectiva operação no Barreiro.
- Foi extinta a Direcção do Projecto Cobre.
- A ATLANPORT expandiu as suas actividades para a área de Aveiro, por aquisição de 90 % do capital social de uma empresa já aí existente, que toma a denominação de ATLANPORT /SERPORAVE Operadores Portuários de Aveiro, Lda..
- Integram-se também na ATLANPORT, em 31 de Dezembro, os serviços fluviais da Quimigal (Barreiro).
- A actividade da QUIMIPARQUE é alargada ao Parque de Estarreja, cuja gestão lhe é confiada a partir de Janeiro de 1991.
- É constituído o Grupo de Trabalho de Desactivação de Equipamento, sediado no Barreiro, para proceder à inventariação e alienação de diversas unidades fabris encerradas.
- Como seria de esperar de todas as alterações referidas, a mobilidade de pessoal, em 1990, foi bastante elevada, tendo-se verificado 3946 movimentações.

1991
- Factores mais relevantes de 1991:
-resultados líquidos do exercício de 9,4 milhões de contos;
-"cash-flow" de 14,6 milhões de contos;
-redução em 10,4 milhões de contos do endividamento global da Empresa;
-finalização do processo de reestruturação, concluindo o processo de transformação da empresa QUIMIGAL, como existente até 1989, para a actual configuração empresarial tipo "holding".
- A QUIMIGAL S.A. deixa assim de ter actividade industrial.
- Complementa-se o processo de autonomização de empresas industriais e de serviços, com a constituição das seguintes sociedades:
-L.P.Q.-Laboratórios Pro-Qualidade,S.A. , em Janeiro, a partir dos serviços de controle industrial/ laboratório central, da ex-D.I.I.(Divião de Infraestruturas Industriais) Barreiro;
-A.T.M.-Assistência Total em Manutenção,S.A. , em Fevereiro, a partir dos serviços de apoio à
manutenção / oficinas centrais, da ex-D.I.I./ Barreiro;
-A.P.-Anilina de Portugal, S.A. , em Abril, a partir do negócio/ unidade fabril anilina, em Estarreja;
-AQUATRO -Projectos de Engenharia, S.A. , em Abril, a partir dos serviços de projectos e estudos de engenharia, da ex-D.I.I./ Barreiro;
-ERMI-Empresa Revendedora de Materiais Industriais, Lda. , em Abril, com origem nos serviços de aprovisionamento de materiais de consumo geral afectos à ex-D.I.I./ Barreiro; e
-CUFTRANS -Transitários, S.A. , a partir dos serviços aduaneiros, em Lisboa.
- O Governo produz legislação adequada, iniciada no ano anterior pelo Decreto-Lei nº 319/90, de 15 de Outubro, e agora prosseguida pelos Decretos-Leis nº 128/91, de 22 de Março, que permite abrir o processo de alienação das novas empresas criadas a partir da QUIMIGAL,S.A. (enquanto que a alienação de participações já existentes à data das nacionalizações se manteve sujeita à disciplina da Lei nº 71/88, de 24 de Maio, complementada pelo Decreto- Lei nº 328/88, de 27 de Setembro) e nº 321/91, de 26 de Agosto, autorizando a venda directa das participações detidas pela QUIMIGAL nas empresas AGROQUISA, NUTASA, PLASQUISA, CUF-TÊXTEIS, QUIMITÉCNICA, LUSOL E ANILINA DE PORTUGAL.
- - Assim, a coberto da legislação referida e porque se tornou necessário proceder a alienações para assegurar a fase complementar de saneamento financeiro com meios próprios, foram conduzidas, como mais significativas durante 1991, as seguintes:
-de participações financeiras minoritárias:
-UNISOL;
-PREVINIL; e
-IPE.
-de empresas (venda total):
-LUSOL (incluindo SOVENA e participação da QUIMIGAL na INDUVE) [mas permanecendo na COMFABRIL a participação desta na INDUVE, aliás em esclarecimento];
-CUF TEXTEIS; e
-NUTASA;
-de património imobiliário:
-diversos imóveis, dentre os quais se destaca, pelo seu significado histórico, a Fábrica Sol, em Lisboa;

1992
GERAL:
- Foi este o primeiro exercício em que a Empresa não desenvolveu qualquer actividade industrial ou comercial, tendo sido a sua actuação já exclusivamente orientada para o acompanhamento da actividade das suas empresas participadas e a gestão da carteira de participações.
- Este exercício corresponde ao primeiro ano do actual conselho de administração, eleito na assembleia-geral de 5/5/1992 para o triénio 1992/1994.
- Os resultados líquidos do exercício foram positivos (0,439 M contos), facto registado pelo 3º ano consecutivo;
- O “cash-flow” atinge 1,2 M contos;
- Houve uma redução em 5,2 M contos do endividamento global (que passa de 23,2 M contos para 18,0 M contos).
DISPENSA DE CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS DO GRUPO QUIMIGAL:
- Como a QUIMIGAL, na procura do indispensável reequilíbrio financeiro, decorrente do processo de reestruturação, alienou várias empresas do Grupo, com redução significativa do volume das suas operações, afastando-se de uma continuidade dentro de um universo estável, foi dispensada de fazer a consolidação da contas do exercício (nos termos do art. 4/a do DL 238/91). Da criação de novas empresas, por transferência patrimonial (art. 28º do CSC) resultam mais-valias que podem ser afectadas quando da alienação dessas empresas, que resultariam variações patrimoniais vultosas que, por sua vez, distorceriam as contas consolidadas.
QUIMIGAL – QUÍMICA DE PORTUGAL, S.A. / GESTÃO CORRENTE:
- Uma prévia regularização de edifícios junto das entidades competentes precedeu a indispensável integração de imobilizados corpóreos em algumas das empresas criadas.
- Foi assim possível, já próximo do termo de 1992, proceder ao 2º aumento de capital da QUIMIGAL ADUBOS ( de 6,1 Mc para 10,71 Mc) por transferência de terrenos e edifícios no Complexo de Alverca e alguns edifícios implantados no Parque Industrial do Barreiro / freguesia do Barreiro – ficando, para completar, pendentes de superação, processos ligados à regularização de património localizado no Parque Industrial do Barreiro / Freguesia do Lavradio e de Estarreja.
- No primeiro aumento de capital da QUIMIPARQUE (de 5 Kc para 165 Kc) foram integrados equipamentos de utilização nos Parques Industriais do Barreiro e Estarreja, cuja exploração e gestão lhe estão confiadas.
- A nova configuração empresarial determinou o aprofundamento do controle regular e frequente, nos moldes já iniciados em 1991, das sociedades participadas.
- Reconheceu-se a necessidade de adaptação, em algumas das empresas de serviços que foram criadas, dos efectivos humanos às condições reais do mercado, com salvaguarda, tanto quanto possível, dos postos de trabalho e solicitaram-se estudos detalhados para fundamentação de apoios financeiros, apenas concedidos quando demonstrada a sua essencialidade para garantir a viabilidade económica.
- Numa perspectiva de viabilização da ATM, o capital social desta foi elevado, por entrada de dinheiro fresco, de 50 Kc para 100 Kc.
- Em consequência da orientação anteriormente indicada, foi tomada a decisão de encerramento da ERMI.
- Procedeu-se à alienação parcial (30%) do capital da TANQUIPOR e à alienação total da PLASQUISA (RCM 44/92, de 26/11) e das Obrigações do Tesouro 1977. Para a minimização da menos-valia na alienação da PLASQUISA, já prevista em 1991, constituiu-se então uma reserva.
- Durante o exercício, decorreu o processo de alienação da QUIMITÉCNICA, mas esta só se concretizará em 1993 por aguardar a correspondente RCM, com parecer sobre o mérito das propostas recebidas.
- Pelo referido, a carteira de participações sofreu um aumento de 4,8 Mc e uma redução de 1,1 Mc.
- Procedeu-se à alienação dos imóveis da Rua dos Douradores (Lisboa) e da Rua do Bolhão (Porto), ambos pelo total de 300 Kc; ao distrate de arrendamento (110 000 contos) e à venda de cinzas de pirite e ao desmantelamento de fábricas (390 000 contos).
PESSOAL, REFORMADOS E PENSIONISTAS:
- A evolução dos efectivos do Grupo foi de 3283 em 31/12/1992 para 2455 em 31/12/1993.
- Na QUIMIGAL os efectivos, excluindo prestações de serviço e estagiários, são de 181 elementos (148 do quadro permanente e 33 de situações especiais), com 79+31 H e 89+2 M. Nível etário médio a 31/12/1992: 47,0 (50,4 H e 41,7 M); nível de antiguidade: 21,0 (22,9 H + 18,0 M).
- Menos 374 reformados e pensionistas em 1992 que em 1991 (5884 / 5510 no total, sendo 4414 / 4031 reformados e pensionistas e 1470 / 1479 sobrevivos), fomentada através de uma política realista de resgates.
NAS SOCIEDADES PARTICIPADAS:
AGROQUISA – AGROQUÍMICOS; S.A. (“AGROQUISA”):
- Racionalização e adequação de estruturas e informatização de todos os serviços financeiros e comerciais, permitindo uma significativa redução dos prejuízos de exploração relativamente aos de 1991.
A.P. – ANILINA DE PORTUGAL, S.A. (“ANILINA DE PORTUGAL”):
- Como consequência dos investimentos realizados no ano anterior, aumento da produção de mononitrobenzeno e de anilina (que atingiu cerca de 47000 toneladas, i.e. + 15% que em 1991).
- “É realizado um primeiro concurso para a alienação da ANILINA DE PORTUGAL, cuja data para a recepção de propostas terminou em 9/12/92, sem que tivesse existido qualquer entidade interessada” [“Livro Branco”, pag.36]
AQUATRO – PROJECTOS E ENGENHARIA, S.A. (“AQUATRO”):
- A redução de investimentos e a concorrência externa de empresas maiores afecta os resultados, que, não obstante, se mantém positivos.
ATLANPORT – SOCIEDADE DE EXPLORAÇÃO PORTUÁRIA, S.A. (“ATLANPORT”):
- A actividade da ATLANPORT é afectada pela indisciplina verificada quanto à observação da legislação, no porto de Lisboa, alterando as condições de concorrência.
- Resultado escassamente positivo.
- Na ATLANPORT /SEPORAVES (100% ATLANPORT) prosseguem as medidas de racionalização e reorganização iniciadas em 1991.
ATLANSUL – INTERCÂMBIO COMERCIAL ATLÂNTICO SUL, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, S.A. (“ATLANSUL”):
- Apesar da redução da procura para agricultura, prossegue um plano de racionalização de estruturas, quer a nível central quer de Lojas, beneficiando de melhor articulação com a AGROQUISA.
ATM – ASSISTÊNCIA TOTAL EM MANUTENÇÃO, S.A. (“ATM”):
- Prossegue o esforço de racionalização e aumento de competitividade no mercado, de que se espera a recuperação dos resultados negativos obtidos, procedendo-se a um aumento de capital de 50Kc para 100Kc, em dinheiro, totalmente subscrito pela QUIMIGAL.
CUFTANS – TRANSITÁRIOS, S.A. (“CUFTRANS”):
- O efeito da redução da actividade aduaneira, em consequência da entrada em vigor, em Janeiro de 1993, do Mercado Comum Europeu, afectou a actividade aduaneira, pelo que se procurou incentivar a actividade transitária e a redução de custos.
ENEF – EMPRESA DE ENERGIA E FLUIDOS, LDA. (“ENEF”):
- Actividade regular. Obtenção de 400 linhas telefónicas, que posteriormente cedeu aos utentes do Parque Industrial do Barreiro.
ERMI – EMPRESA REVENDEDORA DE MATERIAIS INDUSTRIAIS, LDA. (“ERMI”):
- Decisão de encerramento, por falta de sustentabilidade económico financeira.
FISIPE – FIBRAS SINTÉTICAS DE PORTUGAL, S.A. (“FISIPE”):
- Ano pouco uniforme, em termos de resultados semestrais, mas mantidos resultados e “cash-flow” ao nível do ano anterior. Esforço para penetrar em mercados externos, especialmente extra-comunitários. Os investimentos realizados, que totalizaram, na FISIPE, mais de 1 M de contos, visam a produção de artigos com cada vez maior valor acrescentado.
FORUM ATLANTICO – SOCIEDADE DE CONSULTORES EM DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL, S.A. (“FORUM ATLÂNTICO):
- Inverte a grande dependência que tinha da QUI;MIGAL e participadas e centra as suas actividades na desmobilização de efectivos, no recrutamento e selecção, na avaliação de desempenho, formação, liderança situacional e prestação de serviços de gestão administrativa de pessoal e de contabilidade. Resultados favoráveis.
INTERGAL ESPAÑOLA, S:A. (“INTERGAL”) (Madrid, Espanha):
- Mantém a actividade num cenário de recessão. Problemas de fornecimento quer de plásticos, por razões logísticas, que de produtos QUIMIGAL, por razões de preço. Resultados favoráveis.
LPQ – LABORATÓRIOS PRO-QUALIDADE, S.A. (“LPQ”):
- É afectada pela redução de serviços para sociedades do Grupo. O esforço para penetrar noutros mercados não permite compensar as perdas. Apoio do PEDIP para apetrechamento do laboratório, visando melhorar a produtividade e a eficiência de resposta dos serviços em análise de águas e de produtos alimentares.
PLASQUISA – PLÁSTICOS AGRO-INDUSTRIAIS, S.A. (“PLASQUISA”):
- Alienação global (RCM 44/92, de 26 de Novembro de 1992)
QUIMIBOL, AG (“QUIMIBOL”) (Zug, Suíça):
- Novo máximo de vendas, com resultados favoráveis.
QUIMIGAL ADUBOS, S.A. (“QUIMIGAL ADUBOS”):
- Ano péssimo para a actividade adubeira devido à redução do consumo de adubos (seca excepcional, ausência da campanha de antecipações, efeitos directos e psicológicos da PAC e importação de adubos pela EPAC) e instabilidade no mercado do amoníaco (mercado perturbado pela concorrência desenfreada dos países de Leste). Próximo do fim do ano, procedeu-se ao segundo aumento de capital, através da transferência de terrenos e edifícios no Complexo Industrial de Alverca e alguns dos edifícios implantados no Parque Industrial do Barreiro. Ficaram pendentes, para completar o processo desta sociedade, problemas ligados à regularização de património no Parque Industrial do Barreiro, Freguesia do Lavradio, e no Parque Industrial de Estarreja (ver detalhe em GESTÃO CORRENTE).
QUIMIPARQUE – PARQUES INDUSTRIAIS DA QUIMIGAL; S.A. (“QUIMIPARQUE”):
- Sucesso de receitas e de aumento do número de clientes., que no final atingiu as duas centenas. Concretizou-se o primeiro aumento de capital, de 5000 para 165000 contos, por integração nesta de imobilizado corpóreo da QUIMIGAL, através de equipamentos de utilização nos Parques Industriais do Barreiro e de Estarreja, cuja exploração e gestão lhe estão confiadas. (ver detalhe em GESTÃO CORRENTE). Iniciam-se os trabalhos de recuperação da área Norte do Parque Industrial do Barreiro com o apoio do programa RENAVAL, despendendo-se em 1992 75000 contos. Resultados favoráveis.
QUIMITÉCNICA – SERVIÇOS; COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS; S.A. (“QUIMITÉCNICA”):
- Aumento do esforço de racionalização de efectivos, com dispêndio de 315000 contos e, rescisões de pessoal excedentário, para assegurar competitividade. Nos termos do Caderno de Encargos aprovado pela resolução de Conselho de Ministros nº 10/92 é realizado, no 4º trimestre, o concurso para a respectiva privatização que não se concretiza em 1993 por falta da RCM de aprovação da apreciação de propostas.
SERCARGA – SOCIEDADE DE MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS, S.A. (“SERCARGA”):
- Mantém a função de controlo e participação na ATLANPORT (65%), GRANOTRANS (90%) e CUFTRANS (20%). Exploração equilibrada, encerrando com resultado positivo que absorveu prejuízos anteriores.
SGQ – MEDIADORA DE SEGUROS; LDA (“SGQ”):
- Resultado positivo e acção regular.
TANQUIPOR – MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM DE LÍQUIDOS, LDA. (“TANQUIPOR”):
- Cedência (em Maio), pela QUIMIGAL à EDP de uma quota de 78 000 contos i.e. 30% do capital social (composição actual do capital social: QUIMIGAL: 2 quotas no total de 191, 95Kc, EDP 78 Kc contos e QUIMIPARQUE 50 contos). Aumento de actividade mas resultado líquido idêntico a 1991.
EMPRESAS EM ÁFRICA:
CICOMO – COMPANHIA INDUSTRIAL DE CORDOARIAS DE MOÇAMBIQUE, S.A.R.L. (“CICOMO”) (Nacala, Moçambique):
- Profundamente afectada pela redução de compras e demora de pagamentos pelos países da CEI.
- Procura de mercados alternativos, de racionalização de produção e de melhor aquisição de matéria-prima local (sisal).
COMFABRIL – COMPANHIA FABRIL E COMERCIAL DE ANGOLA, S.A.R.L. (“COMFABRIL”) (Luanda, Angola):
- A actividade comercial e a rentabilização do imobiliário permitem sustentar os resultados, mesmo perante a estagnação de importações por forte apreciação das divisas estrangeiras em Angola.
- A COMFATEX (subsidiária da COMFABRIL, com instalações em Viana, Angola) mantém a produção de cobertores durante grande parte do exercício, parando no 2º
CTP – COMPANHIA TEXTIL DO PUNGUÉ, S.A.R.L. (“CTP”) (Beira, Moçambique):
- Actualização de preços de venda de sacaria, mas produção fortemente restringida pela falta de matéria-prima em consequência da anulação de concursos abertos com o apoio do Banco Mundial (ficando em 27% do orçamentado).

1993
GERAL:
- Por determinação das tutelas (MIE e MF) são seleccionadas as duas instituições para avaliação do GRUPO QUIMIGAL, instrumento indispensável para calendarização da futura privatização; os trabalhos de avaliação foram iniciados.
- Com base nos arts. 491,501 e 502 do CSC, a sociedade procede à cobertura de prejuízos acumulados em algumas empresas do Grupo (c/ expressão superior a 5,1 M contos).
- A tomada de decisão de privatizar a sociedade em 1994 acarreta uma definição com a Tutela de uma estratégia para o período intercalar.
- Dentro dessa estratégia, tomando-se prioritário o reescalonamento de parte da dívida MLP, prepara-se uma primeira operação para o início de 1994 (7,0 M contos)
- A sociedade suporta no exercício perdas cambiais superiores a 2,3 M c, como reflexo da exposição cambial de balanço.
- Ao nível de exploração, verificou-se uma forte deterioração da situação da empresa, consequência das dificuldades sentidas pelas principais empresas do Grupo, cujo reconhecimento nas contas da QUIMIGAL apenas se processou neste exercício, com reflexos quer ao nível dos capitais próprios, quer dos resultados líquidos (do Relatório do Conselho Fiscal).
- O resultado líquido negativo do exercício foi do montante de – 8,03 Mc.
- Quanto da constituição das empresas, no âmbito dos processos de reestruturação, os terrenos correspondentes aos edifícios situados no parque Industrial da QUIMIGAL – Barreiro foram cedidos em regime de direito de superfície. (Nota 48/2 do Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados).
- É editada pela Direcção Geral da Indústria, integrada como nº 2 na série dos “Estudos DGI – Análise Industrial”, a seguinte obra: FÁTIMA CRESPO e MANUEL SALGUEIRO: Livro Branco das Reestruturações Empresariais: Vol. I - O Caso QUIMIGAL, Lisboa, DGI, 1993.
CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS DO GRUPO QUIMIGAL:
- A deliberação pelo accionista, na AG anual de 31/3/1993, da indispensabilidade de apresentação de contas consolidadas, leva a realizar a consolidação (método da equivalência patrimonial), sem no entanto o Relatório deixar de sublinhar a presença de um universo heterogéneo, “o que de alguma forma distorce a apreciação económico financeira do Grupo”.
GESTÃO CORRENTE:
- Foi mantida a orientação de dar particular atenção ao acompanhamento das empresas do Grupo, sendo, entre todas, objecto de cuidado muito especial a evolução da QUIMIGAL ADUBOS, S.A. Efectivamente, a crise internacional do Sector justificou um diagnóstico da dimensão adequada desta participada face aos condicionalismos decorrentes do Mercado Único (nova PAC) e às transformações no Leste da Europa. Desses estudos resultou imperativa a necessidade duma segunda reestruturação. Já neste contexto a QUIMIGAL assumiu a cobertura dos prejuízos de 1991 e 1992, por contrapartida de créditos sobre a empresa (4,3 Mc).
- Idêntica orientação foi assumida para outras empresas: AGROQUISA, ATM, LPQ e ATLANSUL, num montante global que ultrapassou os 5,1 Mc, com 4,3 Mc referentes à QUIMIGAL ADUBOS.
- A reestruturação do sector portuário, decorrente da legislação do Ministério do Mar, implicou o aumento do capital social mínimo da ATLANPORT em 140 Kc, de 60 Kc para 200 Kc, aumento esse integralmente subscrito pela QUIMIGAL a partir dos seus créditos sobre a mesma, passando a ser nela largamente maioritária.
- A privatização da QUIMITÉCNICA para o GRUPO JOSÉ DE MELLO (UNITECA) apenas se concretizou no 1º trimestre de 1993, por 650 Kc; constituindo parte integrante do respectivo contrato de venda, a QUIMIGAL alienou para a QUIMITÉCNICA a sua participação de 50% no capital social da QUIMIBOL. Ao alienar a QUIMITÉCNICA e a QUIMIBOL a QUIMIGAL reduziu ainda o volume das suas participações de, respectivamente, 1 468 e 1,5 Kc, uma vez que no momento da venda da QUIMITÉCNICA teve lugar um aumento de capital de 681 Kc (de 787 Kc para 1468 Kc, com incorporação de edifícios em regime de direito de superfície).
- O exercício de 1993 caracterizou-se pela concretização de duas participadas, na sequência de um processo encetado no exercício anterior, não tendo sido concretizada qualquer nova alienação, facto que encontrará a sua justificação na situação conjuntural da economia nacional associada à redefinição do modelo a seguir para concluir o processo de reprivatização da parte restante do grupo (do Relatório do Conselho Fiscal).
EFECTIVOS:
- Duma forma homogénea, isto é excluindo a QUIMITÉCNICA e as empresas que não resultaram do processo de cisão, o Grupo QUIMIGAL tinha, em 31/12/1992, 2292 efectivos e 1922 em 31/12/1993.
- Na QUIMIGAL verificaram-se 43 rescisões de contratos de trabalho, muito concentradas nos últimos meses de 1993.
- Conseguiu-se uma redução de 649 pensionistas, dos quais 378 por resgate do complemento das pensões de reforma.
NAS SOCIEDADES PARTICIPADAS:
AGROQUISA:
- Continuação da seca, no primeiro semestre, e do prolongamento da crise agrícola, mas inversão do declínio de vendas líquidas, mantendo-se a tendência para uma redução de prejuízos e de crescimento do cash-flow positivo.
ANILINA DE PORTUGAL:
- A recessão da indústria europeia, maxime alemã, reflecte-se na procura, mas obtém-se um novo máximo de produção, quer de anilina quer de MNB, que é escoado graças à diversificação nas vendas. No 4º semestre é aprovada a participação da A.P. no investimento de uma nova unidade de cogeração de electricidade e vapor, do Grupo, em Estarreja, que deverá arrancar no 2º semestre de 1994.
AQUATRO:
- A recessão continuada, ou mesmo agravada, do Mercado. Medidas tomadas permitem encerrar com resultado “praticamente nulo” (-6 Kc).
ATLANPORT:
- Manutenção das dificuldades relatadas em 1992. Publicação, em Agosto e Setembro, da legislação que estabelece o novo regime jurídico do trabalho portuário. Reestruturação sectorial conseguida pela celebração de um Pacto de Concertação Social no Sector Portuário, permitindo a racionalização dos efectivos, dispensando 80% dos mesmos e passando a operar com procedimentos técnicos definidos sem constrangimentos externos. Os accionistas decidem proceder ao saneamento financeiro da empresa por elevação do capital social de 60 Kc para 200 Kc, totalmente subscrito pela QUIMIGAL, com créditos sobre a empresa (passa para 70% de participação directa + 13,5% de indirecta). O Volume de Vendas decresceu de 20%, mas a reestruturação limitou as perdas a –17,36 Kc.
- Na ATLANPORT-SEPORAVE (participada da ATLANPORT, em Aveiro), verificou-se a adaptação à reestruturação do sector e à perda das cargas dos principais clientes, QUIMIGAL ADUBOS e TAGOL, que deixam de operar em Aveiro, conduz a um prejuízo de –8 Kc.
ATLANSUL:
- Plano de reestruturação e modernização dos serviços centrais e de coordenação do funcionamento das lojas. No início de 1994 conclui-se a modernização dos meios informáticos disponíveis.
ATM:
- Não se ultrapassaram as dificuldades notadas no ano anterior. Redução do volume de vendas para o Grupo, não compensada pela racionalização e contenção de custos (1992) e o esforço comercial (1993).Prejuízo de –60 Kc apesar da QUIMIGAL, como accionista único, ter absorvido uma parte dos prejuízos acumulados.
CUFTRANS:
- O efeito da abertura de fronteiras, já previsto em 1992, verifica-se no início de 1993, com redução dos serviços aduaneiros. Medidas tomadas reduzem perdas a um resultado “praticamente equilibrado” (-7,5 Kc): racionalização de efectivos, redução de custos, incremento na prestação de serviços transitários.
ENEF:
- Ano normal de exploração, com encerramento com resultados positivos, para o que contribui uma melhoria de produtividade com redução de 18% nos efectivos. Em ordem a melhorar o fundo de maneio, efectua-se em Agosto de 1993 um aumento do capital social de 1 Kc para 45 Kc, inteiramente subscrito pela QUIMIGAL – o que não diminui dificuldades de tesouraria por “arraste” de pagamentos por parte de clientes atingidos por crises conjunturais.
FISIPE:
- Manutenção da tendência de aumento de produção (35700 t) e de vendas (35227 t), em especial exportação (68%), contra, respectivamente, 28 858 t vendidas e 25% em 1988. Dificuldades do sector no País e compressão de margens de exportação, mas resultado líquido 141 Kc e cash flow 1,150 Mc.
FORUM ATLÂNTICO:
- Actividade centrada na assistência técnica à reestruturação de empresas e formação em marketing, estratégia, liderança e microinformática. A qualidade dos serviços, apesar da redução dos fundos comunitários, continua a atrair os clientes. Embora em quadro de recessão, os resultados líquidos sobem a 10 Kc (+17%).
INTERGAL:
- Considerável acréscimo de vendas (+ 65%). Contenção de custos. Afirmação da Empresa. Resultados > 30 MPts
LPQ:
- Agravamento do panorama do mercado, nomeadamente por a QUIMIGAL ADUOS deixar de recorrer a serviços da LPQ por aquisição de equipamento próprio. Dificuldades na conquista de mercado extremo por surgirem Labs não qualificados pelo IPQ que concorrem em preços ainda que sem garantias. No fim de 1993 contam-se como clientes, na análise de águas para consumo humano, 7 câmaras da península de Setúbal (BRR, MTJ, ALC, MTA, PLM, SXL, STB), e VV superior em 20%, mas resultado de –21 Kc.
QUIMIBOL:
- Esta participação foi alienada no decorrer do corrente exercício, juntamente com a QUIMITÈCNICA.
QUIMIGAL ADUBOS: Quebra de vendas de 1992 é seguida por acréscimo de 12% em 1993, mas com incerteza quanto à estabilização e dimensão do mercado nacional. Reajustamentos ao nível do CA e, num contexto adverso, novo diagnóstico que leva a uma segunda reestruturação da Empresa. Estudos detalhados ainda em curso sobre o futuro da Actividade Amoníaco no âmbito da QA, em termos sustentados. Necessidade, para viabilização da Empresa, da liberação de meios financeiros pelo Accionista. Défice
- significativo de exploração.

Cronologia IV - Continuação

QUIMIPARQUE:
- Continua a crescer em 1993, embora a ritmo mais moderado. Numero final de clientes nos 2 parques: 250 empresas. Investimento feito no Programa RENAVAL para recuperação da área norte do P.I.Barreiro: montante global de 335 Kc. Em vias de conclusão o Plano de Urbanização do Parque do Barreiro. VV 1,5 Mc c/ resultado bruto (antes de impostos) de 12,6 Kc.
QUIMITÉCNICA:
- Esta participação foi alienada durante o corrente exercício.
SERCARGA:
- Cumpre a função de controlo e acompanhamento das participadas. Perde a maioria de 85% de capital que tinha na ATLANPORT por não lhe ser possível acompanhar o aumento de capital daquela. Exploração equilibrada e resultado positivo, ainda que discreto (1,3 Mc).
SGQ:
- Redução significativa de proveitos, face a menos serviços no Grupo, mas resultado mantém-se positivo, mercê da contenção observada.
TANQUIPOR:
- Acentuada quebra na movimentação de produtos petrolíferos, com realce para o fuel e resíduo de vácuo. Movimentação de líquidos: 939 Kt vs/ 1364 Kt no ano anterior. VV 565 Kc ( + 3,5% que 1992); RB (antes de impostos) ~ + 27 Kc. Contactos com várias empresas transformadoras, esperando dar início em breve à construção de novos tanques para produtos químicos.
EMPRESAS EM ÁFRICA:
COMFABRIL:
- Prosseguimento das acções para incrementar actividade comercial, apesar das dificuldades da conjuntura angolana. Situações anormais, acarretando danos em diversas instalações. O Edifício Sede permanece ocupado, apesar de praticamente desocupado pelo M.Finanças, mantendo-se a actuação junto das autoridades angolanas, para devolução.
COMFATEX :
- Ritmo irregular, por carência de matéria-prima para o fabrico de cobertores.
CICOMO e CTP:
- Paragens prolongadas na CTP e CICOMO por dificuldades de abastecimento de matéria-prima. É praticamente irreversível a paragem da actividade têxtil da juta na CTP. Retoma, no 2º semestre e após diversas dificuldades na aquisição de matérias-primas. importada, da produção de sacaria de ráfia.

1994
GERAL:
- Esperando-se que o processo de reprivatização da Empresa ocorra até ao final do 1º semestre de 1995 e por exigência desse processo foram, concluídas as avaliações do Grupo QUIMIGAL.
- Como consequência da decisão de reprivatização da Empresa, tomada em 1994, houve que definir com a Tutela uma estratégia para o período intercalar.
- No quadro dessa orientação, tomou-se prioritário transferir para a PARTEST – Participações do Estado, SGPS, S.A. as acções representativas do capital social da QUIMIPARQUE, pelo valor de 14,8 M contos.
- O resultado líquido do exercício foi positivo (0,570 M contos).
- Verificou-se uma redução em 5,8 M contos do endividamento bancário global, embora ainda se mantenha em valores significativos (passa de 17,0 M contos para 11,3 M contos).
- Foi mantida a orientação de dar particular atenção ao acompanhamento das empresas do Grupo, sendo, entre todas, objecto de cuidado muito especial a evolução da QUIMIGAL ADUBOS, S.A. Efectivamente, a crise internacional do Sector tinha justificado em 1993 um diagnóstico da dimensão adequada desta participada face aos condicionalismos decorrentes do Mercado Único (nova PAC) e às transformações no Leste da Europa. No presente exercício foram realizados os trabalhos relativos à reestruturação diagnosticada.
- Foram adoptadas acções de reforço da estrutura financeira de outras empresas como a ATM e ATLANSUL através de aumento de capital que atingiram no total os 185 milhares de contos.
- Noutras áreas, concretizou-se a viabilização da ATLANPORT, em consequência da reestruturação no sector portuário decorrente da legislação do Ministério do Mar tendo esta participada registado melhorias substanciais nas despesas com o pessoal, a par de uma regularização financeira integral dos seus compromissos com a Segurança Social.
- Em 1994 procedeu-se à constituição de uma nova empresa do Grupo designada por ECE - Empresa de Cogeração de Estarreja, Lda. que possui uma nova unidade de cogeração de electricidade e vapor, tendo já adquirido o estatuto de Produtor Independente.
- Embora com um processo de reprivatização ocorrido na sua maior parte em 1994, foi já em 1995 que se verificou a concretização da alienação do LPQ.
CONSOLIDAÇÃO DAS CONTAS DO GRUPO QUIMIGAL:
- Por solicitação da Empresa, em consequência do processo de privatização, foi esta excluída da Consolidação de Contas.
EFECTIVOS:
- Procedeu-se ao resgate de um número muito elevado de pensões de reforma (de 4861 para 997 em 31/12, i.e. cerca de 80%) e à rescisão de um número significativo de contratos individuais de trabalho. O número de pessoas activas, ao serviço da empresa, em 31/12, passou de 128 para 96 (os números ao serviço do Grupo não constam do Relatório de 1993, mas podem ser deduzidos, salvo critério homogéneo, i.e. sem consideração do pessoal da AGROQUISA e TANQUIPOR, do relatório de 1995).
EMPRESAS PARTICIPADAS:
AGROQUISA:
- O primeiro semestre do ano de 1994 foi caracterizado ainda pela atenuação da seca de 1993 e pelos problemas de ajustamento da agricultura portuguesa no contexto europeu. No entanto, continuação da anterior evolução positiva das vendas líquidas e inversão de forma significativa, em 1994, dos prejuízos apurados no exercício de 1993, apresentando a Empresa um resultado líquido de 34 milhares de contos, bem como um “cash-flow” positivo que ultrapassou os 180 milhares de contos. De registar igualmente o reembolso à QUIMIGAL, SA. de uma parte significativa de dívida, no montante de cerca de 208 milhares de contos.
ANILINA DE PORTUGAL:
- A recuperação da indústria química europeia conduziu a uma animação da procura. Aumento de produção e de vendas, estas por diversificação de clientes e por estreitamento de colaboração com alguns grandes produtores europeus.
ECE – EMPRESA DE CCOGERAÇÃO DE ESTARREJA, LDA. (“ECE”):
- A ECE, com a sua nova instalação de cogeração, arrancam no 4º Q de 1994. Capacidade: 6,2 MW e ~3 t/h de vapor. Clientes: AP, empresas do pólo de Estarreja e EDP, com reforço da competitividade energética local. Apoio de 100 000 c do SIURE.
AQUATRO:
- Não melhora a situação relativamente ao período anterior. Procura de nichos. Resultado positivo muito discreto (630 c).
ATLANPORT:
- A redução do volume de vendas por abaixamento de tarifas portuárias é compensada pela redução dos custos de mão-de-obra, invertendo o sentido dos resultados e dando um lucro líquido positivo de 3,6 Kc. Por contracção de empréstimo a MLP, a Empresa solve as suas dívidas à Segurança Social.
- ATLANPORT / SEPORAVE: Idêntica adaptação às circunstâncias, com resultados positivos. No fim do ano, a ATLANPORT decide alienar esta sua Participada.
ATLANSUL:
- Em 1994, a concretização de um programa de reestruturação e modernização do serviço das lojas conduziu a uma redução dos prejuízos, que se situaram em -8,9 Kc. Considera-se consolidada a recuperação da Empresa por actuação nas vertentes informática, dinamização comercial e redução de meios humanos (apresentando-se um cash-flow de 8,4 Kc).
ATM:
- Não se verificou a esperada recuperação, ainda que se tenha compensado a redução de procura interna do Grupo por racionalização e contenção de custos (1992 e 1993) e esforço de comercialização (1994). Apesar do aumento do volume de vendas em 62% relativamente a 1993 (como se refere no relatório de 1995) e da entrada de dinheiro fresco pela QUIMIGAL, elevando o capital a 185 Kc, os resultados 1994 apresentam o prejuízo de –10,3 Kc. Expectativas para 1995 fundamentadas no aumento de serviços externamente ao Grupo e na retoma de serviços ao Grupo.
CUFTRANS:
- O efeito da redução da actividade aduaneira foi compensado por racionalização de efectivos, redução de custos e incremento na prestação de serviços transitários, ainda que com um resultado líquido de – 2,0 Kc. Previsão para 1995 de reconversão de serviços e alargamento de actividade externa aos sócios.
ENEF:
- Actividade regular em termos de exploração. Grandes dificuldades de tesouraria, por atrasos de pagamentos de alguns maiores clientes / fornecedores, aconselhando aumento de fundo de maneio. Para o 1º trimestre de 1995, no quadro da privatização da QUIMIGAL, prevê-se venda prévia da ENEF à EDP mediante a valorização da parte eléctrica (Despacho SEI de 19/1/1995), processando-se uma aumento de capital por incorporação dos elementos produtivos e alguns edifícios que são parte integrante do imobilizado da QUIMIGAL. As actividades de água doce, salgada e telefones serão vendidas à QUIMIPARQUE, como partes integrantes e complementares daquela, agora vendida à PARTEST.
FISIPE:
- Reforço da tendência de aumento de produção e vendas, essencialmente por exportação (72%), diversificação e consolidação de mercados. Apesar das dificuldades no mercado local e compressão de margens, obteve-se um Resultado Líquido de 199 Kc e um “cash-flow” de 906 Kc.
FORUM ATLANTICO:
- Centra as suas actividades, em 1994, na assistência técnica à reestruturação de empresas e na formação em marketing, estratégia, liderança e microinformática. A qualidade dos serviços, apesar da redução dos fundos comunitários em 1994, continua a atrair os clientes. Embora em quadro difícil, os resultados líquidos são sustentados em 3,7 Kc, i.e. sensível redução face a 1993.
INTERGAL:
- Considerável acréscimo de vendas ( + 22%, para 1,82 MPts), assegurando a consolidação efectiva da Empresa no mercado espanhol. Acréscimo de vendas e contenção de custos conduzem a resultado líquido > 16KPts.
LPQ:
- Após concurso realizado no 4º Q de 1993, é alienada em 1995 por 7,5 Kc. (e assunção de 68,2 Kc de dívidas pelo comprador). Menos-valia registada na alienação já estava aprovisionada.
QUIMIGAL ADUBOS:
- Mantém-se a incerteza quanto à estabilização e dimensão do mercado nacional. Vendas estabilizadas ao nível de 1993, 15,3 Mc, mas com reforço significativo da presença em Espanha. Pela primeira vez, em alguns anos, subida, embora discreta, do preço dos adubos. Concluindo-se da viabilidade da actividade amoníaco, face a redução do preço de energia, estabilização do resíduo de vácuo e aumento do valor do produto nos mercados internacionais, pelo que esta re-arranca em Setembro de 1994. Apesar dos esforços de compressão, a empresa mantém um défice significativo, que se espera melhorar com equilíbrio de contas em
1995.
QUIMIPARQUE:
- Estabilização do volume de facturação, com manutenção do mesmo volume de clientes em ambos os Parques (250). Conclusão do Programa RENAVAL para recuperação da área norte do P.I.Barreiro: montante global nos dois exercícios (1993 e 1994): 810 Kc. VV 1,6 Mc c/ resultado bruto (antes de impostos) de 104 Kc. De acordo com orientação do accionista (D.Conjunto de 12/10/1994), a participação é alienada à PARTEST – Participações do Estado, SGPS, por contrato no final de 1994.
SERCARGA:
- Cumpre a função de controlo e acompanhamento das participadas. Em curso negociações com o outro accionista para reestruturação de participações no capital social.
SGQ:
- Recuperação de proveitos, face a mais serviços no Grupo, nomeadamente actualização de apólices e coberturas, retoma da QUIMIGAL ADUBOS e lançamento da ECE. O resultado mantém-se positivo, mercê da contenção observada, e sensivelmente idêntico ao de 1993 (1,17 Kc).
TANQUIPOR:
- Acentuada quebra na movimentação de produtos petrolíferos, com realce para o fuel e resíduo de vácuo. Movimentação de líquidos: 462 Kt vs/ 938 Kt no ano anterior, registando-se como positivo o arranque da actividade Amoníaco. VV 503 Kc (- 12% que 1993); RLíquido ~ + 28 Kc. Contactos com várias empresas transformadoras, esperando dar início em breve à construção de novos tanques para produtos químicos – estando um caso em fase adiantada de concretização.
EMPRESAS EM ÁFRICA:
COMFABRIL:
- Prosseguimento das acção dinamizadora da actividade comercial, desenvolvendo actuação em agências (Luanda, Lobito, Namibe / Lubango e Cabinda). Valorização dos armazéns da Boavista, Luanda. Permanece em aberto o litígio sobre o Edifício Sede. Constituição, com accionistas locais, da empresa de segurança ARGOS S.A., de que a COMFABRIL é maioritária e que tem excelente aceitação.
COMFATEX:
- Mantém-se irregular o ritmo de produção de cobertores, por carência de matéria-prima e dificuldades de utilização da actividade fabril, que justificam medidas em curso.
CTP:
- Actividades marcadas por dificuldades de abastecimento de matéria-prima e por elevados custos financeiros. Sustentou-se a produção de sacos de ráfia e desmontou-se o equipamento obsoleto da linha de juta, para oferecer espaços e infra-estruturas para outras utilizações (projectos industriais de vulto). Previsão de um aumento de capital da CTP em 1995, com objectivo idêntico ao da CICOMO.
CICOMO:
- Actividades marcadas por dificuldades de abastecimento de matéria-prima e por elevados custos financeiros. Produção de fio de sisal interrompida por 3 m em consequência do ciclone Nadia. Próximo do fim do ano, inicia-se a tramitação de um aumento de capital destinado aos actuais accionistas, para redução de dívidas em divisas e melhoria dos rácios económico-financeiros da sociedade.

1995
GERAL E QUIMIGAL “HOLDING”:
- No 1º semestre de 1995: alienação da LPQ, por concurso público, e da ENEF à SLE, empresa do universo EDP, conforme orientações da Tutela.
- Publicação, em 1995, do Decreto-Lei regulador da reprivatização da QUIMIGAL bem como do respectivo caderno de encargos. Tentativa de reprivatização da QUIMIGAL em Junho de 1995, mas cujo concurso ficou deserto – quer para a QUIMIGAL e a totalidade do Grupo QUIMIGAL, [quer para a QUIMIPARQUE, simultaneamente posta a concurso]. Procedendo-se à abertura de propostas parcelares, foram vendidos 90% da AGROQUISA e da TANQUIPOR. A tentativa de reprivatização de 90% da QUIMIGAL ADUBOS, com existência de duas ofertas concorrentes, não foi concluída, sendo anulado, já em 1996, o respectivo concurso público por RCM.
- Foi alienado um número significativo de bens imóveis não afectos, especialmente no 2º semestre de 1995.
- O produto destas vendas e das alienações supra-mencionadas destinou-se integralmente à amortização da dívida de médio-prazo.
- Foi deferido o requerimento de exclusão da consolidação de contas.
- Segundo instruções do Accionista, foi lançado ainda em 1995 o processo de actualização da avaliação das empresas mais significativas, com vista à privatização da QUIMIGAL programada para 1996.
- Prosseguiram os esforços de redução do pessoal: de uma forma homogénea i.e. excluindo o pessoal de empresas alienadas e de empresas que não resultam do processo de cisão (FISIPE, ATLANSUL, “AFRICANAS”) o Grupo passou de 1439 (31/12/1994) a 1266 elementos (31/12/1995); na “holding” de 96 a 72.
- Prosseguiram os esforços de resgate de complementos de pensões, reduzindo-se no exercício o número de pensionistas de 997 para 771.
- Resultado líquido sem o efeito de associadas: 150 Kc; com consideração de associadas, pelo método de equivalência patrimonial:> 650 Kc.
EMPRESAS PARTICIPADAS:
AGROQUISA:
- Alienados em Agosto de 1995, no quadro do concurso de privatização do Grupo QUIMIGAL e da QUIMIPARQUE, 90% da participação, restam à QUIMIGAL os 10% destinados a empregados, pequenos accionistas e emigrantes e a privatizar em 1996, mediante RCM. Evolução relativamente favorável da Empresa, em 1995, com valores significativos relativamente a 1994 por medidas tomadas antes da privatização.
ANILINA DE PORTUGAL:
- A recuperação da indústria química europeia continua a animar a procura, com política de preços realistas, nomeadamente na área dos poliuretanos. Esta situação determina a estratégia iniciada em 1994 de aumento de capacidade de produção de anilina, aproveitando disponibilidades de hidrogénio e consumos crescentes por parte da DOW. Obtenção de novos máximos de produção, com os investimentos de optimização processual. Para continuar a satisfação do mercado, foi já aprovado um investimento de racionalização e de aumento de capacidade de 420 Kc, estando já concluído um estudo para uma expansão de 90 Kt anilina e 150 Kt MNB. Pretende-se fazer face às necessidades do mercado europeu após 1997 [R&C, pag.5]. Resultados favoráveis.
ECE:
- No 1º ano de exercício, confirmação das previsões do estudo económico de cogeração, em termos de vapor e de electricidade. VVendas 573 Kc, mas resultados pouco expressivos por reembolso de parte de dívida MP e aquisições à QUIMIGAL de equipamentos e edifícios. Por baixa dos preços de energia para 1996, prevê-se redução no VVendas, mas com manutenção da racionalidade da sua operação em Estarreja.
AQUATRO:
- Mercado bastante aquém das previsões para 1995. A perda significativa do mercado da QUIMIPARQUE relativo ao projecto RENAVAL, por conclusão deste, só muito tarde e apenas parcialmente foi compensada pela adjudicação de obras em Câmaras e trabalhos significativos para a ANILINA DE PORTUGAL, S.A. e QUIMIGAL, S.A.- mas só com efeitos a partir de 1996. Continuaram os trabalhos do projecto do gasoduto Braga - tus para a TRANSGAS, S.A. A QUIMIGAL cobriu cerca de 12 mil contos de resultados negativos transitados. Volume de obras, no fim do exercício, alimenta algumas esperanças para 1996.
ATLANPORT:
- Por força da legislação em vigor, teve de se formalizar como concessionária do porto privativo do Barreiro com licença para prestar serviços públicos, o que a levou a adquirir à QUIMIGAL, S.A. o cais e os equipamentos de movimentação, acordando com esta um plano de reembolsos do empréstimo concedido em função dos meios libertos. Actividade de 1995 na generalidade favorável, com os resultados a atingir cerca de 1,5 Kc apesar de, no exercício, se terem contabilizado as menores-valias relativas a venda da ATLANPORT/SERPORAVE e ao encerramento das contas com a TAGOL (ascenderam a cerca de 26 mil contos). Maior recurso a fornecimentos e serviços de terceiros, em virtude das reduções de pessoal operadas. Em 1996 terá de pagar parte significativa das dragagens do canal, realizadas em 1995, efectuar reparações das pontes-cais e substituir equipamento móvel que atingiu o limiar da vida útil, o que exige investimentos vultosos que em grande parte absorverão o auto financiamento previsto para este ano.
ATLANSUL:
- Após longo período de reestruturação, iniciado em 1992, foi possível aumentar as vendas de 354 para 393 Kc (i.e. + 11%), com especial destaque para os adubos embalados em sacos de 50 kg, permitindo um resultado liquido do exercício de 8,7 Kc e um "cash-flow" que atingiu 27,2 Kc. É o primeiro registo de lucros após “o longo e difícil período de reestruturação iniciado em 1992”.
ATM:
- O volume de vendas, com 752 Kc, aumentou 38;3% relativamente ao ano anterior e, porque consolidado, mostra a penetração que a ATM vai conseguindo no mercado competitivo da manutenção, mas não foi ainda suficiente para se atingir um equilíbrio económico para a empresa. O mercado em que a ATM se movimenta, com margens muito pequenas e exigindo competências técnicas e garantias de qualidade a que só é possível dar resposta com estruturas técnicas cujo custo fixo é alto, apenas se toma rentável para elevados níveis de volumes de venda. As projecções para 1996 apontam para novo crescimento importante no volume de vendas, que deverá ultrapassar 1,0 Mc e assim, a verificar-se, será provavelmente alcançado o desejado equilíbrio econ6mico da empresa. Entretanto, este exercício saldou-se por um resultado negativo de –49,3 Kc.
CUFTRANS:
- Aumento dos problemas no mercado em que a sociedade opera, consequência da diminuição de trabalho aduaneiro proveniente de alguns dos nossos clientes e sócios da empresa, bem como, da concorrência de pequenas firmas e de despachantes trabalhando por conta própria. Realizado esforço para incrementar a prestação de serviços de transitários. Aumento de 47,7% no volume de vendas global (de 180 para 266 Kc) mas os resultados de exploração foram negativos, embora de pequeno significado. Os resultados líquidos do exercício são porém bastante mais agravados (aprox.-36 Kc) por contabilizarem provisões para incobráveis e recebimentos .de cobrança duvidosa e custos extraordinários com desmobilização de pessoal. Impõe-se assim uma cobertura de prejuízos por parte dos accionistas em ordem a recompor o capital próprio da empresa. Para além desta medida de saneamento financeiro, foi levada a efeito uma redução de efectivos de forma a adaptar a sociedade à dimensão do mercado e permitir atingir, já em. 1996. uma rendibilidade económica aceitável.
FORUM ATLANTICO:
- Desenvolveu actividades nas áreas de Marketing, Estratégia, Liderança e Microinformática; áreas onde foi possível continuar a prestar um serviço de qualidade a clientes, especialmente situados na área financeira. O problema de ausência dos fundos [comunitários] continua a sentir-se, levando a uma retracção por parte dos potenciais clientes, obrigando as empresas de formação e consultoria, como a Fórum, a investirem tudo na criatividade e na redução dos custos fixos, para poderem sobreviver. Apesar de tudo, o resultado do exercício ainda foi positivo, cifrando-se nos 2,31 Kc após impostos.
FISIPE:
- A sucessão de resultados positivos, verificada durante mais de uma década, foi pontualmente interrompida neste exercício. Com efeito, a subida explosiva do preço da matéria--prima, o acrilonitrilo, para valores da ordem do triplo dos que eram praticados no período anterior, gerou uma situação muito difícil. Em consequência desse aumento, assistiu-se a uma contracção na compra da fibra donde resultaram dificuldades que, felizmente, foram ultrapassadas em virtude da s6lida situação financeira da empresa. Mesmo assim foram investidos cerca de 900 Kc, com um endividamento de 640 Kc e um resultado líquido e "cash-flow" de, respectivamente,-572 Kc e +234 Kc. O valor da exportação atingiu cerca de 15% dos totais vendidos. Entretanto, para 1996, projecta-se um exercício normal face ao retomo para os preços usuais do acrilonitrilo, prevendo-se resultados já positivos.
INTERGAL:
- Deve este exercício ser considerado como um muito bom ano, especialmente no campo dos fertilizantes, uma vez que permitiu um forte incremento das vendas dos mesmos. Tal facto tomou possível, por outro lado, utilizar cada vez mais ou até mesmo saturar a capacidade produtiva da QUIMIGAL ADUBOS e respectiva rentabilização. Evolução positiva mas com normalidade nas restantes áreas. Como facto negativo, o não ter podido operar para o mercado Angolano como se previa inicialmente. Resultados, francamente satisfat6rios, podendo considerar-se o ano globalmente como o melhor dos últimos cinco anos.
QUIMIGAL ADUBOS:
- Os resultados satisfatórios cifram-se em cerca de 800 Kc antes de impostos e explicam-se por três ordens de razões: a) sem dúvida resultado das acções de reestruturação desenvolvidas persistentemente nos últimos anos e aplicação de uma política comercial acertada; 2) bons preços do amoníaco verificados no mercado mundial, bem como de ligeiro aumento do consumo de adubos no mercado europeu, o que permitiu à empresa colocar a preços razoáveis os excedentes de produção e atingir um volume de vendas de 20 Mc, +25% mais que em 1994; 3) o reflexo do apoio anterior da QUIMIGAL “holding”. As perspectivas futuras são favoráveis, embora se devam prever cotações do amoníaco. mais próximos do valor normal. A tentativa de reprivatização de Junho de 95, como candidatura parcelar ao concurso de reprivatização da QUIMIGAL + QUIMITÉCNICA, com dois concorrentes, saldou-se pela anulação do respectivo concurso público, já em 1996.
SERCARGA:
- Teve lugar uma alteração profunda na estrutura societária pela saída da sócia TAGOL - Companhia de Oleaginosas do Tejo, S.A., concretizada por escritura pública de 3 de Maio de 1995, ficando assim a QUIMIGAL detentora de 100% do capital e esvaziando-se a razão estratégica que determinara a constituição da sociedade: a gestão das participações em empresas ligadas à movimentação das cargas das duas s6cias, QUIMIGAL e TAGOL. Neste novo contexto deixou pois de ter sentido manter a SERCARGA em actividade, pelo que a Assembleia Geral de 28 de Dezembro, especialmente convocada para o efeito, deliberou a dissolução da sociedade, com a transmissão e integração de todo o seu património, activo e passivo, no património da sócia única QUIMIGAL. No entanto, o exercício manteve-se equilibrado.
SGQ:
- A actividade foi condicionada por diversos factores, destacando-se a concentração da carteira num grupo restrito de empresas, bem como a existência de forte concorrência entre os agentes que actuam no mercado de Seguros. Através de uma gestão equilibrada alcançou-se um resultado positivo.
EMPRESAS EM AFRICA:
COMFABRIL:
- A actividade comercial da COMFABRIL reflectiu as dificuldades sentidas pela economia angolana. Para atalhar as limitações verificadas quanto à procura intentou-se diversificar a oferta e desenvolver as Agências, tendo nomeadamente sido possível, a partir de Junho, reactivar a Agência do Huambo. O aproveitamento dos armazéns da Boavista, em Luanda, do Lobito e do Namibe continuou sob permanente consideração ao mesmo tempo que prosseguiram as diligências para conseguir a entrega do Edifício-Sede. Próximo do final do exercício, e dentro da previsão legal entretanto promulgada, foi aberto o processo de aumento do capital da COMFABRIL e da participada COMFATEX, um e outro reservado a actuais accionistas.
COMFATEX:
- A abertura do processo de aumento de capital foi já acima referida. Prosseguiu-se a respectiva reestruturação, estabelecendo uma maior articulação com a COMFABRIL e produzindo cobertores dentro do padrão normal. A actividade da COMFATEX será proximamente reavaliada dentro das possibilidades de reabastecimento e de mercado que lhe estejam abertas.
ARGOS, S.A.R.L. (“ARGOS”) (Luanda, Angola):
- No seu 2º ano de vida, esta empresa de vigilância manteve uma normal actividade - com muito boa aceitação por parte dos seus clientes.
CICOMO e CTP:
- As caracterizadas dificuldades de abastecimentos e de ordem financeira, que marcaram exercícios anteriores, fizeram-se mais uma vez sentir quer quanto à CICOMO quer quanto à CTP. Os processos de aumento de capital de ambas foram formalizados durante o presente exercício.

1996
GERAL (FACTORES MAIS RELEVANTES):
- Foi concluído o processo de alienação dos 10% restantes do capital social da AGROQUISA, realizado através de OPV na Bolsa de Lisboa, no passado mês de Dezembro de 1996.
- O Conselho de Administração da QUIMIGAL HOLDING aprovou um projecto de investimento de racionalização global a realizar pela ANILINA DE PORTUGAL para expansão de capacidade, no montante de l,3 Mc.
- Foi alienado um número significativo de bens imóveis não afectos.
- Reduziu-se a dívida bancária de 7,9 Mc (em 31/12/95) para 6,0 Mc (em 31/12/96). Já em meados de Janeiro de seriam reembolsados mais 1,5 Mc, reduzindo a dívida para 4,5 Mc, o que toma mais efectiva a redução efectivamente proporcionada pelo exercício de 1995.
- Finalmente, regista-se a obtenção de resultados positivos na QUIMIGAL HOLDING e em todas as Participadas, facto que se regista pela primeira vez desde 1989. Em termos de QUIMIGAL HOLDING é de assinalar o 3° ano consecutivo com resultados igualmente positivos.
CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS DO GRUPO QUIMIGAL:
- Em consequência da retoma do processo da reprivatização da QUIMIGAL, a ocorrer no lº semestre de 1997, foi solicitada a exclusão de consolidação de contas, o que veio a ser deferido por despacho do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, de Fevereiro de 1997. Como em exercícios anteriores, foi observado o método de equivalência patrimonial, de acordo com o POC, para evidenciar as perdas e lucros das participadas na Demonstração de Resultados.
GESTÃO CORRENTE (QUIMIGAL HOLDING):
- Prosseguiram no corrente ano, a ritmo mais intenso, as acções de venda do patrim6nio não afecto, cujas vendas, reportadas a 31/12/96, atingiram o valor de 1,2 Mc, registando-se na generalidade mais-valias. O produto financeiro destas vendas destinou-se integralmente a amortizar a dívida de médio prazo.
- Prosseguiram os esforços de redução de pessoal, bem como de resgates de complementos de pensões, o que ainda envolveu o dispêndio de 0,4 Mc.
- Os encargos financeiros foram reduzidos para cerca de metade, relativamente ao ano anterior.
- O resultado liquido do exercício de 1996, sem o contributo das restantes Empresas do Grupo, foi de 1,050 Mc. Com aplicação do método da equivalência patrimonial às Associadas, a QUIMIGAL evidencia um resultado líquido superior a 2,8 Mc.
- Ainda em 1996 e segundo a orientação do Accionista, foi concluído o processo de actualização de avaliação com vista a privatização da QUIMIGAL, programada para 1997.
- Prosseguiram os trabalhos de acompanhamento das Empresas do Grupo, tendo sido registado um bom desempenho da totalidade das mesmas.
- Assim, a QUIMIGAL ADUBOS, continuando, embora mais lentamente, os trabalhos de reestruturação, teve resultados positivos significativos., superiores aos do ano transacto, como consequência de um aumento das quantidades vendidas e de uma melhoria dos preços de venda.
- A ANILINA DE PORTUGAL aumentou as suas vendas e resultados líquidos, na sequência de apreciável incremento da sua capacidade produtiva, proporcionado par investimentos significativos, encontrando-se presentemente em fase de um novo aumento de capacidade de produção de anilina e de mononitrobenzeno para fazer face às solicitações do mercado europeu após 1998.
- A ECE teve lucros em 1996, o seu segundo ano completo de exploração; tendo alcançado níveis de rendibilidade de acordo com o estudo económico relativo ao investimento na unidade de cogeração.
- A ATLANSUL registou lucros, embora o ano tenha sido difícil para os agroquímicos devido às condições climáticas.
- A ATLANPORT, empresa concessionária do porto do Barreiro, fechou o exercício com resultados satisfatórios,. embora modestos, porque a concorrência do porto de Setúbal tem vindo a. ter repercussões significativas na rendibilidade da Empresa.
- A ATM alcançou resultados pela primeira vez positivos desde que iniciou a sua actividade, e, Março de 1991.
- Na CUFTRANS e GRANOTRANS foram continuados processos de reestruturação financeira e de racionalização de efectivos. Nestas Empresas a participação da QUIMIGAL teve que ser conciliada e ajustada com os outros sócios minoritários.
- A INTERGAL continuou com uma performance notável, proveniente de vendas de adubos em Espanha; e já captou também outras actividades rentáveis como as fibras de vidro, para o que detém uma representação para certas zonas de Espanha.
PESSOAL EFECTIVO / PENSIONISTAS:
- A redução de efectivos na QUIMIGAL HOLDING começa a enfrentar uma estrutura final, pouco elástica, resultante de um processo de reestruturação complexo e que, além disso, é influenciada pela necessidade de manter operacional a Sede (Av. Infante Santo). Apesar dos esforços a redução de efectivos, em 1996, foi pouco significativa, passando de 62 para 60 activos.
- Quanto ao Grupo QUIMIGAL verificou-se equilíbrio entre entradas e saídas, mantendo-se o valor de 31/12/1995, i.e. 1266 activos.
- O número de pensionistas, durante 1996, foi reduzido de 731 para 641 (tendo partido de um universo de pensionistas que, em 1990, totalizavam 6120). Manter-se-á a política, embora se preveja uma natural desaceleração.
EMPRESAS PARTICIPADAS:
ANILINA DE PORTUGAL:
- A indústria química europeia prosseguiu, em 1996, um crescimento auto-sustentado com políticas de preços realistas que evitaram a degradação de margens, nomeadamente na área dos poliuretanos. Confirmou-se assim, como justa, a estratégia de promover o aumento de capacidade de produção de anilina, aproveitando a totalidade das disponibilidades crescentes previstas para o fornecimento de hidrogénio, por parte do seu principal fornecedor, bem como a capacidade consumidora de anilina por parte da DOW PORTUGAL, o que permitiu., no conjunto do ano de 1996, alcançar um novo máximo de produção. Em relação ao mononitrobenzeno alcançou-se igualmente um novo máximo, baseado no aumento de consumo deste intermediário por parte da anilina, e também no aumento das exportações, que representam já, no seu conjunto, cerca de 38% das vendas da Empresa. As vendas globais da anilina, incluindo operações de "trading", ultrapassaram os 6,2 milhões de contos, o que representa um significativo aumento de 14,3% relativamente a 1995. Destinado a satisfazer as solicitações do mercado, está já em plena concretização o investimento de racionalização e expansão de capacidade acima de 90 Kt/ano de anilina e de 160 Kt/ano de mononitrobenzeno, aprovado em Assembleia-geral realizada no início de 1996. Relativamente aos investimentos da anilina foi já assinado um contrato com o IAPMEI que prevê o apoio pelo PEDIP II de 500 Kc, como subsídio reembolsável, e cerca de 250 Kc como subsídio a fundo perdido. Resultados antes de impostos ao nível de 72 Kc, com um "cash-flow" de 498 Kc.
ECE:
- Confirmadas as previsões iniciais constantes do estudo que presidiu ao seu lançamento,. as vendas totais elevaram-se a 615 Kc - resultados pouco expressivos, embora com diminuição lenta, mas contínua, da dívida de médio prazo, a par da constituição de uma provisão de cerca de 8 Kc, em virtude de diferentes interpretações da legislação aplicável às tarifas de venda de electricidade à rede publica. A baixa em termos reais do preço da energia para 1997 irá traduzir-se em perdas de margens relativamente importantes, embora a rentabilidade do investimento continue a níveis aceitáveis para os seus sócios.
AQUATRO:
- Ultrapassadas as previsões, o mercado conseguido ficou 30% acima do ano anterior. Salientam-se trabalhos significativos para a ANILINA DE PORTUGAL e QUIMIGAL, que se prolongam para 1997, e os trabalhos já concluídos do projecto do gasoduto Braga-Tuy, para a TRANSGÁS. Na continuação dos apoios da QUIMIGAL às suas Participadas, foi decidida a realização de investimentos em equipamento informático e de topografia para melhoria da produtividade em 1997 . Tendo sido possível estabilizar os custos de estrutura, os resultados foram de ~ +1,3 Kc.
ATLANPORT:
- Baixa de preços, com reflexos nas margens operacionais e em resultados, devido à elevada concorrência na actividade, particularmente a proveniente do Porto de Setúbal, com o qual a ATLANPORT concorre mais directamente. Alguma instabilidade laboral no sector. Alguns agravamentos nos custos. Quanto a nível de actividade, mantidos os índices do ano anterior. Os investimentos realizados em 1996 consistiram na aquisição de um “Shiploader” para Lisboa e o início de renovação de parte do equipamento da sociedade. Destaca-se o aumento de capital de 200 Kc para 350 Kc contos e a amortização da dívida ao accionista QUIMIGAL e à Banca em geral. Os resultados foram ainda de cerca de 2,3 Kc, apresentando a sociedade indicadores que lhe permitirão, se for caso disso, endividamento para continuar o programa de investimentos.
ATLANSUL:
- Apesar das dificuldades climáticas, foi possível aumentar as vendas de 390 para 424 Kc, i.e. + 9%, com destaque para os adubos embalados em sacos de 50 kg. Obteve-se o resultado líquido de + 26,4 Kc e um "cash-flow" de 41,0 Kc sendo de referir que os resultados beneficiaram também da mais-valia extraordinária obtida pela venda de imobiliário.
ATM:
- Resultados pela primeira vez positivos (cerca. de 1,13 Kc) na existência da ATM, iniciada em 1991, com aumento de 58% das vendas relativamente ao ano anterior, fruto do incremento no domínio dos contratos anuais de manutenção e da conquista de novos clientes. As vendas para o exterior do Grupo representam já 84%das vendas totais. O esforço de investimento atingiu cerca de 53 Kc, pela necessidade de substituição de máquinas, aquisição de ferramentas e de meios informáticos face ao aumento do volume de trabalhos e melhoria de procedimentos ligados a obtenção do Certificado de Qualidade. Para adequar a estrutura financeira para o crescimento de vendas previsto para 1997, a QUIMIGAL HOLDING aprovou ainda em 1996 um novo aumento de capital de 65 Kc destinado à recomposição do fundo de maneio permanente da Empresa.
CUFTRANS:
- A CUFTRANS desenvolveu grandes esforços para iniciar a prestação de serviços globais de logística, integrando uma gestão de serviços aduaneiros e transportes complementares, o que foi conseguido nalguns casos. A redução de trabalho que se verificou na prestação de serviços aduaneiros foi compensada pelo incremento de serviços prestados no sector dos transportes, nomeadamente junto dos accionistas. Foi terminada a redução do quadro de pessoal iniciada em 1995 em ordem a adequar o efectivo à actual procura de serviços. A CUFTRANS participou no capital da GRANOTRANS, o que lhe permite a complementaridade de: serviços no campo da agenciamento de navios. Resultados positivos, traduzindo já algum equilíbrio entre custos e proveitos. A alteração da estrutura accionista, a par do aumento de capital de 40 Kc, inteiramente subscrito pela QUIMIGAL HOLDING (que agora detêm 77,77%), permitiu melhorar a sua estrutura financeira, embora não totalmente.
FORUM ATLANTICO:
- Constrangimentos ao nível da redução de custos que, pela sua rigidez, tornam difícil manter um saudável equilíbrio entre Proveitos e Custos, devido à diminuição da prestação de serviços relativamente ao ano anterior. Como se sabe, a situação respeitante aos Fundos Comunitários tem um impacto negativo nesta actividade. Foram continuadas. as acções de Formação e Assistência Técnica à Reestruturação de Empresas, nomeadamente a instituições de grande prestígio. Os resultados, embora modestos, são positivos.
FISIPE:
- Regresso a exercícios comuns, isto é, com lucros: resultados positivos de cerca de 136 Kc e "cash-flow" superior a 1,0 Mc. A factura de matéria-prima, o acrilonitrilo, apresentou reduções significativas. Investimentos baixos., comparado com exercícios anteriores. Reduzido o endividamento bancário em ~ 400 Kc. Exportações atingem cerca de 78% dos.total das vendas da Empresa. Projecta-se para 1997 um exercício normal na continuidade de resultados positivos, não obstante a retoma dos investimentos necessários à redução de custos e aumento de capacidade.
GRANOTRANS – MOVIMENTAÇÃO DE GRANEIS, LDA (“GRANOTRANS”):
- O capital social foi aumentado de 5,0 para 19,0 Kc; o que permitiu uma redução significativa da situação líquida negativa. Foi efectuada uma actualização do imobilizado, corpóreo e incorpóreo, tendo-se procedido a ajustamentos diversos os quais afectaram os resultados em cerca de 417 contos. Após amortizações e criadas provisões, o exercício encerrou com um resultado líquido de + 49 contos.
INTERGAL:
- Exercício considerado bom, especialmente no campo dos ferti1izantes, com forte incremento das vendas destes. Tal facto tomou possive1, par outro 1ado, utilizar cada vez mais ou até mesmo saturar a capacidade produtiva da QUIMIGAL ADUBOS e respectiva rentabilização. Para as restantes áreas a situação evoluiu positivamente, com destaque para a contribuição do negócio de fibra de vidro. Resultados. positivos de ~ 30 Kc, sensivelmente semelhantes aos do ano de 1995.
QUIMIGAL ADUBOS:
- Excelentes resultados de cerca de 1,6 Mc contos antes de impostos e 2,9 Mc de "cash-flow", explicados por uma continuada e acertada política comercial que permitiu aumentar os preços de venda, evitando a degradação de margens, quer no mercado interno quer na exportação, a par igualmente de um crescimento de 5.5% nas quantidades vendidas de adubo, atingindo 22 Mc, i.e. ~+ 10% que 1995. Destaca-se o retomar da habitual comparticipação em custos comuns de pessoal, interrompida desde 1994. Para 1997 prevê-se um ano difícil face à crescente competição ao nível do mercado ibérico para adubos e amoníaco e, por outro lado, é chegada a altura de substituir equipamento com mais de l2 anos de vida, o que irá absorver em investimento parte do "cash-flow" a gerar nesse ano.
SGQ:
- Actividade condicionada por diversos factores, destacando-se a concentração da carteira num grupo restrito de empresas, bem como a existência de forte concorrência entre os agentes que actuam no mercado de seguros, com tendência para a concentração dos grandes corretores e o recurso a novos canais de distribuição. Através de uma gestão equilibrada foi possível um resultado positivo.
EMPRESAS EM AFRICA:
COMFABRIL:
- Subsistiram as condições conjunturais deprimidas que se referenciaram nos relatórios anteriores. A actividade comercial ainda reduzida que caracterizou o período foi, no entanto, activada para alguns produtos que a COMFABRIL comercializa e que se revelam mais promissores. A reestruturação da agência de Luanda começou a produzir frutos, em termos de vendas na correspondente área. Apreciou-se, igualmente, a viabilidade da oferta de novos produtos, satisfazendo inclusive necessidades regionais detectadas pelas agências. Manteve-se a orientação de aproveitamento das instalações da sociedade e afinou-se a coordenação das Participadas, em especial no relativo à COMFATEX. Esta, esgotada a existência de matéria-prima, permaneceu inactiva grande parte do período, tendo já sido solicitada autorização necessária para as requeridas importações; nela foram também conduzidos, com sucesso, ensaios à escala industrial que demonstraram a possibilidade de utilização de matéria-prima de outras origens. O "dossier do "Ediffcio-Sede", na "baixa" de Luanda, permaneceu aberto e foram feitas as adequadas representações para defesa do direitos que, no caso, à COMFABRIL assistem.
CICOMO:
- Procuram-se soluções para que as dificuldades já experimentadas para produzir abaixo do limiar crítico fossem superadas, o que pareceu conseguido pelas possibilidades consideradas, e mesmo acordadas, de transformação de sisal colocado por alguns clientes. Surpreendentemente, porém, a disponibilização de sisal moçambicano para transformar em fio mostrou-se muito inferior ao que os próprios produtores haviam anunciado – levando à necessidade de preparar a fábrica para eventual recepção de matéria-prima e produção de fios de sisal exportáveis.,. a partir de sisal importado. Esta situação torna-se grave quando se constata uma evidente subalternização da produção de sisal relativamente a culturas mais retributivas e,. em consequência, as actuais produções domésticas de fibra susceptível de ser transformada em Moçambique se situam hoje incomparavelmente abaixo dos totais que a CICOMO pode transformar e já transformou – mesmo em períodos de reconhecida dificuldade.
CTP: Enfrentou , os efeitos combinadas de uma importação anunciada de sacaria e do desenvolvimento de produção concorrente, que fabrica sacos de ráfia a partir de manga plástica importada e pode assim beneficiar quer dum investimento produtivo muito reduzido sem necessidade de produção de filme e de tecelagem , quer, e muito sensivelmente, de mais baixos custos de produção, com especial relevo para as componentes da mão de obra e da energia. Tendo já estudado a possibilidade de, ela própria, produzir parte da sacaria a partir de manga, para responder à concorrência que lhe é movida, a CTP prosseguiu as diligências tendentes a manter a oferta dos seus sacos de ráfia em segmentos mais qualificados do mercado. Em paralelo, prosseguiram os esforços para valorizar o património industrial de que a Sociedade dispõe, na Beira - nomeadamente através da criação, em "joint-venture" com outros investidores, de uma empresa transformadora que, permanecendo activa na indústria de plásticos mas sem afectar a própria posição da CTP no mercado de sacaria, viesse responder a outras necessidades detectadas no mercado moçambicano.