maio 25, 2006


O primeiro ponto a notar é o elevado número de engenheiros ao serviço da CUF (85),
traduzindo uma efectiva preocupação de criação de capacidade técnica. Considerando
a repartição destes 85 engenheiros por local de residência e por local de trabalho ter-se-á o seguinte quadro:
Ou seja: com excepção dos 3 engenheiros que residiam e exerciam a sua actividade
no Porto e arredores, em ligação com a Agência do Porto (Engs. Manuel D. dos
Santos, civil, e João B. e Cunha, civil) e actividades industriais locais da CUF (Eng.
Carlos M. Caldeira, químico), os restantes 82 engenheiros da CUF repartiam-se
igualmente por locais de residência por Lisboa e arredores (a Norte do Tejo) e Barreiro
e Lavradio (a Sul do Tejo). Porém, quanto a locais de trabalho, Lisboa e arredores,
com 43 engenheiros, superava em 4 unidades o Barreiro e Lavradio, com 39 — e isto
porque 2 engenheiros eram dados como residentes em Lisboa mas trabalhando no
Barreiro (Engs. Mário S. Pimenta, electrotécnico, e Emanuel Q. e Lopes, mecânico)
e 4 eram dados como residentes a Sul do Tejo (3 no Barreiro e 1 no Lavradio) mas
sem constarem da relação de engenheiros que trabalhavam no Barreiro / Lavradio, i.e.
a já referida “lista do Barreiro”, pelo que se presumiu trabalharem em Lisboa
(respectivamente Engs. Manuel A. Lopes, civil, Manuel P. Serra, Manuel G. Ribeiro e
Armando V. Guimarães, todos os três mecânicos). Considerando a orientação
rigorosa vigente na altura quanto à residência no Barreiro ou Lavradio dos que nas
Fábricas do Barreiro trabalhavam, os dois casos referidos devem considerar-se
excepcionais, admitindo-se que pelo menos um deles correspondesse a uma situação
de mudança (Eng. Mário S. Pimenta); igualmente deveriam traduzir situações
transitórias os casos de residência no Barreiro sem aí trabalhar, sobretudo quando a
residência tinha lugar em instalações ligadas à empresa (Engs. Armando V.
Guimarães, no “Bairro Novo”, e Manuel A. Lopes e Manuel P. Serra, em “Hotéis”).

Outras quatro características a reter são as seguintes:

• Predominância, quase exclusiva, de uma população masculina. Em 1956, com
excepção da engenharia químico-industrial, era rara a frequência feminina dos
cursos de engenharia. Assinala-se que as duas únicas mulheres nesta
população (Engª Maria de Lurdes R. Pintasilgo e Engª Maria Odete S. de
Oliveira) estavam no Barreiro, eram ambas engenheiras químicas e ligadas à
área da documentação dos “Estudos e Projectos”.

• Ausência de engenheiros estrangeiros. Não se conhece bem a motivação do
inquérito da Ordem dos Engenheiros, mas facto é que destacava a referência a
engenheiros estrangeiros na informação a produzir. Ora, do inquérito realizado,
só surgiu um estrangeiro, aliás licenciado em ciências químicas (e não
engenheiro), que inclusive não constou de qualquer informação a produzir,
como seria de esperar (Dr. René Vermeulen, em “A Tabaqueira”).

• Valorização técnica produzida pela dotação qualificada de órgãos “staff” como,
no Barreiro, com os “Estudos e Projectos” e as próprias Zonas, facultando
perspectivas e actividades de desenvolvimento dentro de uma estrutura até
recentemente dedicada ao “business as usual”12.

• Omissão, porque aliás não solicitado pela OE, de indicações quanto à idade,
antiguidade de casa, escola e outros elementos curriculares.