maio 25, 2006


Construiu-se, para isso, o seguinte quadro:

Apreciando agora, especialidade a especialidade, este quadro, temos:

Engenheiros Agrónomos (-1) : Relativamente às informações dos Serviços, não foi tida
em consideração, na informação dada á O.E., a referência pela Agência do Porto do
Eng. Artur S. Castilho. Os restantes nomes coincidem em ambas as informações.
Engenheiros Civis (+2) : Relativamente às informações dos Serviços, a informação
final à OE acrescenta os Engs. Daniel M. Barbosa e Manuel A. Lopes, este último
residente no Barreiro mas com exercício profissional atribuído a Lisboa, ligados a
órgãos centrais da Empresa. Os restantes nomes coincidem em ambas as
informações.

Engenheiros Construtores Navais (0) : Os nomes coincidem em ambas as
informações.

Engenheiros Electrotécnicos (+4) : A informação à O.E. acrescenta às informações
dos Serviços os Engs. Duarte L. Pimentel, José M. Arez, Raul S. Fontoura, Manuel M.
e Sousa e Carlos A. Azevedo, todos residentes em Lisboa e ligados a órgãos centrais,
mas exclui, no Porto, o Eng. Almir Martins, essencialmente ligado a outras empresas
industriais da área, em que o Grupo tinha uma participação minoritária (vg. CPC). Os
restantes nomes coincidem em ambas as informações.

Engenheiros Mecânicos (+2) : A informação à O.E. acrescenta às informações dos
Serviços, em Lisboa, os Engs. António G. Portela, Fernando J. Nogueira, Manuel P.
Serra, José N. Branco e Armando V.Guimarães (este residente no Lavradio), inseridos
em órgãos centrais, mas não inclui, porque não abrangidos no elenco CUF, as
informações provenientes de A Tabaqueira (Eng. Sebastião M. Mourão) e Sociedade
Geral (Engs. Artur J. Lobo e Jorge M. Monteiro) Os restantes nomes coincidem em
ambas as informações.

Engenheiro de Minas (0) : O único caso, aliás de dupla licenciatura (mas só contado
uma vez no cômputo global), coincide em ambas as informações.

Engenheiros Químico Industriais (+5) : A informação à O.E. acrescenta às informações
dos Serviços, em Lisboa, os Engs. Eduardo C. Madaíl, João O. e Melo, Luís A. Alves,
Faustino A. de Sousa e António A. Monteiro, inseridos em órgãos centrais. Os
restantes nomes coincidem em ambas as informações.

Engenheiro Têxtil (0) : O único caso coincide em ambas as informações.

Fica assim devidamente esclarecida, essencialmente por consideração adicional de
engenheiros participando em órgãos centrais e cargos de alta direcção, em Lisboa, a
divergência verificada entre a acumulação de valores das informações provenientes
dos Serviços e a lista global produzida pela CUF.

4. Um comentário relativo ao Barreiro

A já referida imposição de domicílio no Barreiro aos chefes de serviço e secção que aí
prestavam serviço (que constituiriam os designados “chapas brancas” — “com ou
sem o diálogo dos dois leões no Largo das Obras” — e que, como chefes de serviço,
abrangia necessariamente os engenheiros) está na origem da criação no Barreiro
duma verdadeira “comunidade do saber” que tinha características bem próprias. Esta
situação só viria a atenuar-se no tempo com a abertura de algumas excepções aceites
para transporte diário no “ferry” da CP, neste caso com “carrinha” Hanomag à porta da
estação, ou nas lanchas que partiam do Cais das Colunas, as famosas “Oleiros” e
“Valha-nos Deus” dos anos 60 ou suas antecessoras, e, mais amplamente, com a
inauguração da então designada “Ponte Salazar”, em 1966. Mas em 1956,
aproximando-se o cinquentenário da operação fabril da CUF no Barreiro (1908/1958),
a situação era ainda caracterizadamente rígida e as excepções contadas. E como já
se referiu, ao nível dos engenheiros eram mesmo evidente raridade.

Mencionou-se já que, para além dos 39 licenciados em engenharia, a “lista do
Barreiro” contém, nos seus 48 nomes, outros 9 chefes de serviço, licenciados e não
licenciados. Eram estes, na altura, de acordo com os nomes patentes na referida
“lista”:

António José Rebelo Bustorff (Dr.) – Estudos e Projectos / Laboratório de
Ensaios
Ernesto Correia (Eng. Tecn.?) – Zona Metalomecânica
Luís de Almeida Guerreiro – Zona Conservação
• Carlos Maria Félix da Costa (Eng. Tecn.?)– Zona Conservação
• António Manuel Rodrigues Celeste (Dr.) – Organização Administrativa
• Vasco Manuel Soares Vieira (Dr.) – Organização Administrativa, mas já
transferido para Lisboa
• Artur Gomes Freire Quinta (Dr.) – Serviços de Contabilidade
• Francisco de Paula Sant’Anna Júnior (Dr.) – Serviços de Pessoal
• Raul Júlio de Almeida Pimenta Marques Caldeira (Dr.) – Serviços de Pessoal

Numa outra perspectiva dedutível dos elementos em análise, é interessante verificar
como a listagem transmitida à O. E., por indicar residências, permite identificar a
situação de alojamento relativa aos engenheiros residentes no Barreiro. Estes, como
os outros chefes de serviço e os chefes de secção, tinham três alternativas:

Sendo casados, alojamento propiciado pela empresa em condições de
arrendamento simbólico muito favoráveis no Bairro Velho da CUF (Bairro de
Santa Bárbara) ou nas 10 “moradias para pessoal superior” do então recém
inaugurado (1955) Bairro Novo (Bairro da Quinta da Fonte), no Lavradio, a
norte da via férrea, localizações geralmente preenchidas por opção hierárquica
ou dimensão familiar, ou ainda recurso ao mercado de arrendamento que
começava a desenvolver-se na “Vila”, ainda que incipiente, com um apoio para
as respectivas rendas;

Sendo solteiros, alojamento num dos diversos “hotéis” mantidos pela empresa
ou, em certos casos, recurso - mas raro - ao mercado local de arrendamento
(situação que se viria a deslocar nos anos 60, com o aumento da oferta,
levando à extinção gradual dos “hotéis”);

Assim, com base na “lista global”, é possível construir o quadro constante da página
seguinte:

Conclui-se desse quadro o predomínio, nesta data, do “domicílio CUF”, quer em
instalações propriedade CUF, quer ainda nos designados “hotéis”, que vêm
demonstrar um certo rejuvenescimento de estruturas, pois albergam 12 engenheiros
previsivelmente correspondentes a recrutamentos recentes.