abril 27, 2006

Metamorfoses dos Homens

Um texto inédito da Dra. Isabel Cruz,
membro do Grupo de Trabalho


«A última e mais importante expansão
que a planta efectua no seu crescimento dá-se no fruto.
Ela é muitas vezes, tanto na sua força interior como na sua forma exterior,
muito grande, mesmo imensa.
Dado que habitualmente ela se processa após a fecundação,
a semente aparece daqui para diante melhor determinada,
indo buscar as seivas necessárias para o seu crescimento a toda a planta,
fazendo-as dirigir-se para o fruto,
pelo que os seus vasos se alimentam,
aumentam de volume e, muitas vezes,
se enchem e expandem ao mais alto grau»

Goethe, A Metamorfose das Plantas

Preâmbulo

Ligar-se o nome de Alfredo da Silva à grande indústria química não será mais do que insistir num dado aceite e por demais conhecido. Não obstante, entende-se que a adopção deste facto tem deixado para trás aspectos importantes da relação de Alfredo da Silva com a Química, que existiu, até foi intensa e, além do mais, projectada muito para lá do interesse puramente negocial do patrão da CUF.
E, pensa-se que a prevalência de uma concepção de “self-made-man” associada a Alfredo da Silva, poderá ter contribuído para arredar a possibilidade de outros questionamentos
[1] e inibido uma indagação metódica sobre a qualidade desta relação. Mesmo um rápido visionamento ao currículo de Alfredo da Silva nos anos do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, permite verificar um extenso e variado manancial de conhecimentos adquiridos, que tem necessariamente de ser considerado na génese do “know-how” do industrial.
Em primeiro lugar, os estreitamente relacionados com a actividade comercial como a contabilidade e as operações comerciais e financeiras, mercadorias (classificação geral), os vários “direitos” – comercial, marítimo, internacional, administrativo - a legislação, consular, aduaneira, industrial, e a economia política. Depois, as disciplinas gerais de enquadramento, como a História e a Geografia, e as línguas estrangeiras (Francês, Inglês e Alemão). E, por último, as matérias de formação científico-técnica, Botânica, Zoologia, Mineralogia, Docimásia e Geologia, a Física (e suas aplicações à indústria), a Higiene das indústrias e construções, a Merceologia (incluindo o estudo das matérias primas, e meios práticos de reconhecer formas adulteradas no comércio), a Tecnologia Química e a Química.
Um estudo anterior, apresentado na “4th International Conference on History of Chemistry”, Budapeste, em Setembro de 2003, discute o lugar e a pertinência deste projecto de formação (fundamentalmente o Curso Superior de Comércio da reforma de Emídio Navarro de 1886/1888 mas onde se deverá incluir ainda algumas disciplinas da reforma de João Franco, de 1891) no contexto particular das disciplinas científico-naturais, e tecnológicas, de um “comercialista” com capacidade para intervir na actividade industrial, e estabelece uma linha de continuidade entre as aprendizagens realizadas e o desenvolvimento das indústrias químicas que Alfredo da Silva dirigiu na CUF.
Sob pena de se repetir o que já foi apresentado, deixa-se para o leitor interessado a possibilidade de consulta do referido trabalho, em
http://www.triplov.com, que (julga-se) poderá ter a virtude de, pelo desenho conseguido da conjuntura nacional científica e do ensino correspondente, em torno dos anos de juventude de Alfredo da Silva, enquanto aluno do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, e em especial no respeitante à Química, revelar o primeiro elo de ligação de Alfredo da Silva a esta ciência em Portugal.


1. Novas relações de Alfredo da Silva com a Química

Indigo ou anil, a sua extracção em terrenos de África – António Augusto de Aguiar, Alexandre Bayer e Carlos von Bonhorst, no ensino da química prática.
O que tem este título, de um artigo publicado na “Revista de Química Pura e Aplicada”, em 1919, e escrito por um antigo preparador de Química da Escola Politécnica de Lisboa, Emílio Dias[2], a ver com o tema em epígrafe, é algo que efectivamente não se percepciona de imediato, ainda que se identifiquem desde já referências importantes, que se podem associar ao nome de Alfredo da Silva, como António Augusto de Aguiar, Carlos (Carl) von Bonhorst e química prática.
Nomes e termos que remetem para o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e seu ensino da Química, ao tempo de Alfredo da Silva e do Curso Superior de Comércio, e que «vêm como um incidente, são um a propósito» como o próprio autor confessa, num artigo cujo objectivo principal é defender a ideia da implantação de uma indústria portuguesa de extracção do indigo em territórios de África (Angola, S. Tomé, Ilha do Príncipe), onde a planta se desenvolvia espontaneamente. Nomes «a propósito» da existência, em Portugal, no início do século XX, de uma “massa crítica” de «práticos com aptidões as mais variadas» (o autor refere em particular agrónomos e engenheiros químicos) que eram particularmente capazes de colocar em andamento projectos deste tipo.
Um evidente progresso em relação ao passado, indicado como directamente resultante da iniciativa de António Augusto de Aguiar de criação dos cursos de Química prática no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Estes «práticos» eram assim, segundo Emílio Dias, os frequentadores destes cursos organizados por António Augusto de Aguiar no Laboratório de Química. Em rigor, sabe-se que a continuidade no tempo desde a década de setenta do século XIX até à altura em que o artigo foi publicado, não poderá ser tão linearmente descrita, até porque os cursos dirigidos superiormente por António Augusto de Aguiar deverão cobrir apenas a época de 1872/1873 a 1886/1887, pois este virá a falecer em Setembro de 1887.
Ainda assim admite-se, de momento, que os cursos possam ter funcionado também no ano lectivo de 1887/1888, e apesar da morte do seu primeiro responsável, e catedrático de Química no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, nos moldes que o terão caracterizado, devido à possível permanência
[3] do alemão Carl von Bonhorst, colaborador de Aguiar, no cargo de assistente de Química prática no referido laboratório.
Mas, no ano lectivo seguinte, 1888/1889, já sem von Bonhorst, deverá ter sido Virgílio Machado, o sucessor de António Augusto de Aguiar na responsabilidade da Química que, com o preparador do Laboratório, Miguel Ventura da Silva Pinto, assegurará o andamento de um curso prático da cadeira respectiva, a 9.ª: Química mineral e orgânica; Análise química.
Não se sabe até que ponto os cursos práticos de Aguiar se distinguiram do curso prático de Virgílio Machado, não obstante conhecerem-se alguns aspectos que poderão ser importantes para esse questionamento. Em primeiro lugar, os cursos práticos de Aguiar não eram de carácter obrigatório, ao contrário dos de Virgílio Machado. A relação com a cadeira de Química do Instituto seria pois, naturalmente distinta, num e no outro caso.

1.1. A Química prática segundo António Augusto de Aguiar

Os cursos práticos de Aguiar tinham surgido por uma conjuntura sensível à necessidade e importância do ensino prático da Química aplicada às artes e à indústria. Para tal, Aguiar (o responsável pela 4.ª cadeira: Química aplicada às artes e à indústria, e na altura o director do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa) organizara o Laboratório de Química da referida instituição de ensino «segundo o plano dos melhores laboratórios da Alemanha, e em circunstâncias de poder habilitar nas manipulações da química, não só a mocidade estudiosa de qualquer escola do reino, mas muito principalmente os industriais e artistas que, não carecendo de estudos tão desenvolvidos, quiserem alcançar conhecimentos práticos nas variadíssimas aplicações desta ciência»; sem que se exigisse qualquer tipo de habilitação aos frequentadores interessados, as portas do laboratório abriam-se assim para todos os que quisessem aproveitar deste tipo de ensino por mais humilde ou modesta que fosse a sua condição, conforme justamente se afirma no preâmbulo do documento que oficializa os cursos de Química prática no referido Laboratório: «As portas do laboratório do instituto ficam patentes a todas as classes da sociedade que quiserem frequentá-lo, e contribuir para o progresso da ciência e da indústria» (cf. AGUIAR, 1872, p.3).
Sem carácter obrigatório, o ensino prático no Laboratório de Química abrangia também alunos que frequentassem com aproveitamento a cadeira de Química do Instituto, e nessa altura constituía o complemento ao ensino teórico veiculado na mesma. Segundo os Estatutos do Laboratório de Química Prática, o ensino da Química aplicada às artes (como era designada essa formação) podia dividir-se em várias especialidades, ditadas pelas necessidades dos frequentadores do Laboratório, tendo sempre como fim à vista, habilitar nas manipulações químicas indivíduos que se dedicassem à indústria, tinturaria, metalurgia, farmácia, medicina, comércio das drogas, arte de minas, galvanoplastia, fotografia, química analítica, teórica e tecnológica (AGUIAR, 1872, pp.5 – 6).
O ensino prático era retribuído (pagamento mensal e adiantado), funcionava em duas épocas - semestre de Inverno e semestre de Verão - e estava dividido em lições «de dia inteiro» e «de meio-dia». Os alunos podiam trabalhar na semana por pacotes de seis, três ou dois dias completos ou então, seis, três ou dois dias incompletos. A assiduidade era controlada, havendo um número limite de faltas seguidas ao trabalho do Laboratório, ultrapassado o qual se considerava o facto como uma desistência.
Havia também possibilidade de ensino teórico auxiliar, igualmente pago pelos alunos (200 reis por aluno e por lição de uma hora; o limite mínimo de lições teóricas era seis e o máximo sessenta), e para se iniciar um destes cursos, era necessário um número mínimo de inscritos (5), enquanto que para viabilizar um curso prático bastava um único.
Em contrapartida, o Instituto obrigava-se a fornecer aos alunos:
«1.º Instrução prática e o correspondente ensino teórico para inteligência das manipulações.
2.º Mesa de trabalho com gaveta ou armário fechado.
3.º Água, carvão, banho-maria e banho de areia.
O gás é pago fora parte pelos alunos, no fim do mês.
4.º Reagentes, ou matérias primeiras necessárias à sua preparação; exceptuam-se os seguintes: nitrato de prata, cloreto de platina, óxido de cobre e cromato de chumbo para análise orgânica, molibdato de amónia, papel Berzelius, álcool e éter.
5.º Todos os aparelhos e utensílios de trabalho com exclusão dos seguintes: maçarico, limas, faca, tesoura, pinça, cadinho, fio e lâmina de platina, caixa de pesos.
6.º Duas pequenas cápsulas de porcelana, três pequenos funis, um esguicho de água destilada, três matrazes, seis copos de análise e doze tubos de ensaio. Os objectos desta classe que o aluno precisar, além dos que ficam enumerados, tem de comprá-los à sua custa.
7.º Os grandes aparelhos e os instrumentos caros, como balanças, grandes cápsulas, retortas, funis, frascos e termómetros. Quando se partam será o laboratório indemnizado do prejuízo pelos alunos.» (cf. AGUIAR, 1872, pp.9-10).

A instrução prática prevista para os alunos do Instituto – o curso de Química aplicada às artes - implicava necessariamente a frequência do Laboratório durante seis dias da semana pelo período de um ano, e estava programada segundo a sequência: 1.º Análise qualitativa dos corpos inorgânicos e das substâncias orgânicas mais vulgares; 2.º Análise quantitativa dos corpos inorgânicos pelas pesagens e pelos volumes; 3.º Ensaio dos produtos, drogas e minerais mais conhecidos no comércio, e 4.º Análise orgânica elementar e preparação dos produtos químicos minerais e orgânicos de maior importância.
[1] Outros horizontes entretanto se revelaram com a mais recente biografia de Alfredo da Silva, de Miguel Figueira de Faria et alii, de 2004.
[2] Químico, ex-preparador da cadeira de Química Orgânica na Escola Politécnica de Lisboa, sócio activo da Academia química de Berlim, sócio honorário da Sociedade Farmacêutica Lusitana, sócio efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa. Em 1872 entrou para a Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás. No início da década de 80 (mais precisamente em 1885) a Companhia em questão tinha em funcionamento dois tipos de manómetros eléctricos, inventados por Emílio Dias, que nela exercia funções como segundo engenheiro. Aguiar relata que Emílio Dias montou, junto com o primeiro engenheiro, o Sr. Ahrends, o laboratório de experiências e ensaios fotométricos dessa Companhia (DIAS, 1885, pp.3 – 13).
[3] Aspecto a merecer maior averiguação, uma vez que existe uma informação numa fonte, que permite supor que Carl von Bonhorst em Janeiro de 1888 já não deveria estar no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, pois esta refere-o como professor de Química na Escola Industrial das Caldas da Rainha (“Jornal de Farmácia e Química”, 2.º Ano, Janeiro de 1888, N.º 13). Certo é porém, que em Outubro de 1888, von Bonhorst está ao serviço na Escola Industrial Marquês de Pombal.
Segundo uma nota obituária, Carl von Bonhorst nasceu em Wiesbaden e terá vindo para Portugal na sequência da guerra franco-prussiana; aqui constituiu família e viveu até morrer, sempre dedicado ao ensino da Química, e tendo dirigido durante muitos anos o Laboratório do Tribunal do Contencioso técnico aduaneiro (Necrologia. “Revista de Química Pura e Aplicada”, 1918, N.º 7 – 8, pp.243 – 244).

abril 07, 2006

António Augusto de Aguiar



(Imagem retirada de BRITO, 1889)

António Augusto de Aguiar (Lisboa, 1838 – Lisboa, 1887): químico e político português; lente da 6.ª cadeira (Química Inorgânica, principalmente) da Escola Politécnica de Lisboa, e da 4.ª cadeira: “Química aplicada às artes e à indústria” do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, de que foi também director. Tem vários trabalhos científicos no domínio da Química Orgânica, publicados só em seu nome, ou em colaboração com Alexandre Bayer e Édouard Lautemann. Deputado (1879), par do reino (1880), ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1884).

Carl von Bonhorst


Carl von Bonhorst (Wiesbaden, ? – Lisboa, 1918) segundo uma gravura publicada na rubrica Necrologia, “Revista de Química Pura e Aplicada”, 1918, N.º 7 e 8. Alemão, assistente de R. Fresenius no seu laboratório em Wiesbaden, estava em Portugal desde a guerra franco-prussiana, como assistente de Química prática no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, cargo que manteve até 1888, tendo de seguida assumido a responsabilidade do ensino da Química na Escola Industrial Marquês de Pombal, também em Lisboa. DIAS, 1919, refere que aqui casou e constituiu família, quatro filhos, sendo um deles o médico Henrique de Bonhorst.

O Laboratório de Remigius Fresenius em Wiesbaden

O Laboratório de Remigius Fresenius em Wiesbaden (1873) fundado pelo próprio em 1848 e onde Carl Von Bonhorst terá trabalhado antes de chegar a Portugal. Mais tarde, em 1884, Fresenius agregou ao laboratório um Instituto Higiénico e Bacteriológico.

Remigius Fresenius

Remigius Fresenius (Frankfort, 1818 – Wiesbaden, 1897): foi assistente de Liebig na Universidade de Giessen e depois também “privat-dozent”. Desde 1850 até aos seus últimos anos foi encarregado só, ou com seus filhos e assistentes, de mais de 50 análises completas de águas minerais da Alemanha, da Áustria e Hungria. Fresenius ocupava uma alta posição no meio científico do seu país e no estrangeiro. Era membro de honra da Sociedade Química de Berlim; foi eleito por tês vezes presidente do congresso alemão de ciências naturais; era sócio da Academia das Ciências da Prússia (1888), da Suécia (1883) e da Itália (1882). Quando completou setenta anos conferiram-lhe o título de cidadão de Wiesbaden. Era também conselheiro de Estado da Prússia (SILVA, 1911).

1.2. O ensino prático de Química ao tempo de Virgílio Machado

Comparando este com o programa do ensino prático para a cadeira de Química, que alguns anos mais tarde era apresentado pelo director do Instituto Industrial e Comercial para o ano lectivo 1889/1890 (ver Anexo I), cadeira já sob a responsabilidade de Virgílio Machado, facilmente se reconhece em ambos uma estrutura base algo semelhante. Isto leva a supor que se desenhou um certo tipo de continuidade à iniciativa de desenvolvimento da instrução em Química prática para alunos do Instituto, não obstante a morte precoce do seu patrono, e outras alterações menores, mas ainda importantes, realizadas a nível da organização e estrutura do Laboratório.
Contudo, a situação da instrução prática em Química no seu global no Laboratório de Aguiar e no de Machado está ainda por estabelecer, com contornos precisos, em ambos. O novo compromisso entre a cadeira de Química e o seu ensino no Laboratório, que surgiu em Agosto de 1889 com a obrigatoriedade do ensino prático para várias cadeiras do Instituto poderá ter levado a que, pelos encargos envolvidos e apesar da vantagem nas receitas, no “sistema Machado” já não houvesse lugar para outras versões significativas do trabalho no Laboratório de Química, como o eram os «praticantes» - frequentadores regulares dos cursos do Laboratório e que não eram alunos do Instituto - e outras modalidades ainda, contempladas no “sistema Aguiar”, como se pode verificar através novamente dos seus Estatutos: «Artigo 11.º Os engenheiros, fabricantes, industriais, farmacêuticos, etc., que desejarem fazer algum trabalho químico pouco demorado, podem ser admitidos no laboratório, segundo as condições que se estipularem de acordo com o director do laboratório» (cf. AGUIAR, 1872, p.11).
Porém, um opúsculo de 1873, elaborado por Fradesso da Silveira, revela que os cursos práticos no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa já eram gratuitos nessa altura, para alunos desta instituição (SILVEIRA, 1873, p.146), e um facto idêntico é confirmado em Exposition Universelle de Paris en 1878, p. 7, o que permite supor que de alguma forma o problema de orçamento e financiamento já se colocava ao tempo de Aguiar, se bem que com razoáveis diferenças, como se pode apreciar pelo testemunho do director do Instituto, Luís Porfírio da Mota Pegado, ao comparar ambas as situações, sob o ponto de vista dos encargos: «os reagentes que se consumiam e o material que se deteriorava ou inutilizava, quando a prática do laboratório não era obrigatória e a sua duração era relativamente restrita, não têm decerto comparação com o consumo e dispêndio de hoje que os alunos não podem deixar de seguir trabalhos, a que não estão habituados, permanecendo neles seis horas por semana. A dotação do laboratório não pode, portanto, ser a mesma que foi, para que os exercícios dos alunos tenham a importância que convém a eles e à instrução pública em geral.
Quando no Instituto, por iniciativa de um dos seus mais ilustres directores, e meu colega no magistério, se fizeram cursos práticos de Química, o laboratório tinha, segundo creio, uma dotação bastante superior à que tem agora, e não me parece justo que no momento em que se pretende restabelecer esse curso, embora sob outra forma, a dotação seja inferior ao que então foi» (cf. PEGADO, 1890, p.15).

Virgílio Machado

(Imagem retirada de SANTOS; CASTANHO, 1998)


Virgílio Machado (Lisboa, 1859 – Lisboa, 1927): aluno da Escola Politécnica, completou os seus estudos na Escola Médico-cirúrgica de Lisboa, onde se formou em 1883. Grande entusiasta pelas aplicações médicas da electricidade, abriu nesta cidade um gabinete especial de electroterapia, que manteve durante muitos anos, e foi o primeiro médico a fazer passar uma corrente eléctrica por agulhas cravadas num aneurisma na aorta, conseguindo assim a cura. No Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi quem sucedeu a António Augusto de Aguiar na cadeira de Química (9.ª: Química mineral e orgânica; Análise química, de acordo com a reforma de Emídio Navarro, de 1886/1888). Por sua própria iniciativa, Virgílio Machado visitou no estrangeiro, Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Inglaterra, várias escolas e centros hospitalares, a fim de ampliar os seus conhecimentos. Em 1903 fundou, na capital, o Instituto Médico Virgílio Machado, para aplicação da Física e da Química às operações do diagnóstico, e estudo, sob o ponto de vista da terapêutica, das acções da luz, do calor, da electricidade, do electromagnetismo, dos raios X, etc., no organismo humano. Com o seu irmão, e lente da 6.ª Cadeira da Escola Politécnica, Aquiles Machado, assinou um manual de Química: Química Geral e Análise Química (1892). Era médico honorário da Real Câmara.


Virgílio (esq.) e Aquiles Machado (dir.), à saída de uma sessão solene da Academia Real das Ciências (“Ilustração Portuguesa”, N.º 71, 1 de Julho de 1907).

1.3. Os «práticos» do Laboratório de Química do Instituto

Parece claro que o facto do ensino prático se ter tornado obrigatório trouxe ao Instituto problemas adicionais para a manutenção do Laboratório de Química, e outras exigências ao nível do seu funcionamento. A avaliar pelo que Mota Pegado afirmava, o Laboratório de Machado era mais frequentado, e mais pobre, que o de Aguiar. Pode-se talvez acrescentar, que também o seu projecto de formação era menos diversificado (centrado essencialmente na figura do aluno da 9.ª cadeira do Instituto, “Química mineral e orgânica; Análise química”), e por esse mesmo facto, menos rico de experiências pessoais, muitas delas as «de saber feito» que tanto influenciaram o desenvolvimento da Química, em particular na sua vertente prática e industrial. Diferenças à parte, entende-se especialmente pertinente que ambos os “formatos”, Aguiar – Machado, se confrontem, e se compreendam, nas interligações que viabilizaram a continuidade de uma formação prática em Química, durante várias décadas (de 1872 a 1911) no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.
Talvez por isso, a aparente displicência com que Emílio Dias cruza, sem temor, os anos de Aguiar e os de Machado no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, para se concentrar na importância deste estabelecimento prático e seu projecto de ensino na preparação dos «cientistas consumados», homens de ciência com provas dadas, à data da escrita do seu artigo, e que enumera, exemplificando para: António Xavier Correia Barreto, autor da pólvora portuguesa, sem fumo; Emílio Estácio, fundador da Companhia Portuguesa de Higiene e autor de uma série numerosa de produtos farmacêuticos, alguns deles absolutamente novos; Emílio Fragoso, director e fundador do jornal “A Gazeta de Farmácia” e Alfredo da Silva, «que nos dá a página talvez de maior brilho nos anais da nossa indústria moderna com a remodelação, novas instalações e novos preparados, que através da muita vicissitude, fez na Companhia União Fabril, de que é director» (cf. DIAS, 1919, p.49).
A explanação do tema dos «práticos» ou frequentadores dos «cursos de química prática e análise e indústrias químicas» continua ainda pela pena de Emílio Dias, constatando-se por fim, que a ideia defendida não é original – a de que a Química prática, no laboratório, era a essência da formação de um químico
[1].
Já o percurso histórico de outros químicos (portugueses) revelara isso mesmo, como o de Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (lente proprietário sucessivamente das cadeiras 6.ª, e de Química Orgânica da Escola Politécnica de Lisboa, e durante algum tempo, o professor da 7.ª cadeira: Química aplicada às artes, do Instituto Industrial de Lisboa), de Sebastião Betâmio de Almeida (professor da 7.ª cadeira: Química aplicada às artes, Escola Industrial do Porto e Instituto Industrial de Lisboa; uma experiência prévia no projecto de ensino industrial da Associação Industrial Portuense), Roberto Duarte Silva (chefe dos trabalhos de Análise Química e depois também professor, da École Centrale des Arts et Manufactures; professor de Química da École Municipale de Physique et de Chimie Industrielles de la Ville de Paris), Agostinho Vicente Lourenço (lente proprietário da cadeira de Química Orgânica, Escola Politécnica de Lisboa), que a terão adquirido no seu contacto directo com o estrangeiro.
Para além do mais, ao ensino da Química prática, pela sua inevitável relação com a experimentação, e comprometimento directo com o treino e desenvolvimento de capacidades de observação e de rotinas psico-motoras, era-lhe reconhecido um papel formador que ultrapassava a própria questão dos conteúdos que integravam o “pacote”, e um potencial motivador e de eficácia a não desprezar no contexto das aprendizagens em Química. A isso mesmo Emílio Dias se refere na seguinte passagem do seu artigo: «Pode afirmar-se, sabemo-lo por experiência própria, que mais se esquece teoricamente o que estudou nas aulas, do que aquilo que praticamente nelas se fez ou demonstrou com os adequados exercícios.
Adquire-se também com esses exercícios a arte de manusear com facilidade reagentes e aparelhos os mais variados e complicados; dão por vezes esses exercícios em resultado criarem-se aptidões, e, com frequência, as mais extraordinárias, e até especialistas dos mais eminentes» (cf. DIAS, 1919, p.52).
Estes argumentos poderão assim justificar, o facto de ao chamamento do primeiro curso prático de António Augusto Aguiar em 1872/1873, terem acorrido principalmente alunos da Escola Politécnica, a saber: João Rodrigues dos Santos, Sabino Maria Coelho, Guilherme de Oliveira Martins, José da Paixão Castanheira das Neves, Alfredo Luís Lopes, entre outros (DIAS, 1919, p.49), um sector estudantil com currículo pouco ou nada chegado às “lides” industriais, mas sensibilizado q.b. para o triunfo da Química oitocentista. Surpreendentemente (ou não) Emílio Dias seria o único industrial a matricular-se no curso nesse ano lectivo (DIAS, 1919, p.49).
Uma listagem publicada no “Diário do Governo”, fornece entretanto os nomes dos alunos do Instituto Industrial e Comercial que ao abrigo do artigo 12.º dos Estatutos do Laboratório de Química Prática - alunos “bolseiros” que com anterior aproveitamento na cadeira de Química do Instituto, podiam ser admitidos no curso de Química Prática – eram chamados a frequentar o curso nesse mesmo ano lectivo
[2]: Guilherme Augusto de Oliveira Martins; Gregório Rafael da Silva Almeida; Alfredo Luís Lopes; José da Fonseca Teixeira; António Augusto Felix Ferreira; Pedro Castro de Aguiar Craveira Lopes; José da Paixão Castanheira das Neves; Francisco António de Sequeira; Clemente Augusto de Assunção; Manuel Cardoso dos Santos Vasques; Pedro Maria Alves da Silva; José Francisco da Costa Ramos.
Como há vários nomes coincidentes nas duas instituições de ensino, e ainda que não seja a única forma possível de articulação entre alunos da Escola Politécnica e o curso de Química Prática de A. A. Aguiar, é viável supor-se que vários alunos da Politécnica de Lisboa se matriculavam na 4.ª cadeira do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, a “Química aplicada às artes e à indústria”, regida por António Augusto de Aguiar, que realizavam com aproveitamento, e seguidamente se candidatavam à frequência no curso de Química Prática.
Entende-se que a presença deste tipo de alunos – alunos oriundos do ensino superior - não só revela o entusiasmo da juventude que estudava em Lisboa nas escolas superiores, pela Química ensinada, com ingredientes práticos e industriais
[3] e com outro tipo de protagonismo dos alunos, uma vez que lhes era facultado um sistema quotidiano de manipulações variadas, como também comprova o quanto se deveria afastar desse conceito, o ensino da Química nas suas instituições de origem. E, não obstante a falta de elementos referentes às frequências deste curso nos anos lectivos seguintes, julga-se muito aceitável que uma procura deste tipo se tenha mantido, pelo menos até nessas instituições se desenvolverem cursos de índole semelhante, conforme registo que é dado novamente por Emílio Dias: «Os cursos práticos da iniciativa de António Augusto de Aguiar foram coroados do melhor êxito. Colegas seus se apressaram a imitá-lo, inaugurando também nos seus cursos, e em outras ciências, o ensino da sua aplicação prática» (cf. DIAS, 1919, p.52).[4]
O curso de Química Prática de António Augusto de Aguiar funcionou ainda com outros colaboradores, nomeadamente Alexandre Bayer (francês?) e o já referido Carl von Bonhorst, alemão, de Wiesbaden, ex-assistente de Fresenius[5] e que foi assistente de Química prática no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, que muito deverão ter contribuído, mediante a sua pragmática experiência no terreno, para a ligação entre a Ciência e a Indústria no campo do ensino. Outros nomes aparecem também ligados ao laboratório em questão ao tempo de Aguiar: António Augusto Félix Ferreira (farmacêutico e vice-director da botica do Hospital de S. José), que nele deverá ter continuado a exercer algum tipo de actividade, mesmo depois da frequência do curso prático, em 1872 – 1873, ao que parece até 1881, ano em que faleceu[6]; Miguel Sertório dos Santos Sousa, praticante no Laboratório, conforme informação do “Almanaque Comercial de Lisboa” para o ano de 1888.

[1] Para uma discussão alargada sobre como vários “laboratório-escola” proliferaram na França oitocentista (Paris, precisamente) e contribuíram para o fenómeno da difusão da Ciência e da profissionalização dos químicos, veja-se CARNEIRO, Ana (2001) – As Escolas de Investigação em Química, em Paris, na segunda metade do século XIX. “QUÍMICA”, Outubro/Dezembro, N.º 83.
[2] Segundo os termos do aviso publicado no “Diário do Governo”, N.º 200, de 6 de Setembro de 1872, pp.1330 – 1331, estes alunos foram seleccionados de vários anos lectivos anteriores, com a qualificação de distintos nos exames finais da cadeira de Química.

[3] A este propósito pode-se admitir que a forte personalidade de António Augusto de Aguiar e sua influência sobre os alunos tenha contribuído para os motivar mais, uma vez que Aguiar era também lente da 6.ª cadeira (Química) da Escola Politécnica de Lisboa.

[4] Isto é verdade, pelo menos no que diz respeito à Escola Politécnica de Lisboa, onde em 1889/1890, José Júlio Bettencourt Rodrigues (nessa altura já como lente proprietário da 6.ª cadeira, por morte de Aguiar) conseguiu por em funcionamento um «Curso prático da 6.ª cadeira» [Em documento anterior, de 1885, Bettencourt Rodrigues chamou-lhe Curso de Química Experimental] complementar do ensino teórico, ainda que sem carácter obrigatório. Sobre este curso, veja-se ALVES, 1996.

[5] Remigius Fresenius (1818 – 1897) nasceu em Frankfurt, cursou a Universidade de Bonn, e terminou os seus estudos em Química em Giessen, onde foi discípulo de Liebig, e depois “privat-dozent”. Em 1845 foi nomeado professor de Física, química e tecnologia em Wiesbaden, e ali fundou em 1848, o seu afamado laboratório, destinado a fornecer uma séria instrução química experimental, não só na química geral, como nas suas aplicações à indústria, ao comércio, à farmácia, à agronomia e à enologia. Como secções especiais destes cursos existiam (pelo menos até 1911) a Análise química aplicada à tecnologia, e a Análise química bromatológica. Fresenius era considerado um exímio analista e um profundo conhecedor da matéria (SILVA, 1911, p. 347).

[6] Esboço Biográfico de A. A. Félix Ferreira. “Jornal da Sociedade Farmacêutica Lusitana”, Setembro e Outubro, 1882, 3.º Tomo, N.ºs 9 e 10, p.181.

Entrada do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa

Entrada do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa: um aluno grevista em evidência (“Ilustração Portuguesa”, N.º 60, de 15 de Abril de 1907)

Perspectiva aérea do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa

(Imagem retirada de SANTOS; CASTANHO, 1998)


Perspectiva aérea (séc. XX, anos 20/30) sobre as instalações do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, que serviram também para acomodar o Instituto Superior Técnico nas décadas iniciais do seu funcionamento. É possível visualizar o acesso ao edifício pela Rua da Boa Vista e toda a estrutura central onde funcionavam algumas das oficinas do antigo instituto. À direita, na rua do Instituto Industrial, a Oficina de Instrumentos de Precisão (em destaque pela seta branca, no topo da imagem, ao centro) onde, nos anos noventa do século XIX se produziam artefactos por trabalho em vidro ao maçarico, feito sob orientação de um mestre alemão, que abasteceram várias instituições técnicas e científicas do país; o elemento antecedente, Laboratório de Indústrias Químicas, na mesma rua.

Planta Geral do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa




Planta geral do 1.º pavimento do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa (1892): em destaque os elementos espaciais respeitantes à Física e à Química, e ainda o edifício da Oficina de Instrumentos de Precisão.

Planta do Laboratório de Indústrias Químicas




Planta do Laboratório de Indústrias Químicas (1894), que começou a funcionar em 1888/1889 para as aulas práticas da 10.ª cadeira: Tecnologia Química, sob responsabilidade de José Júlio Bettencourt Rodrigues(1894), que começou a funcionar em 1888/1889 para as aulas práticas da 10.ª cadeira: Tecnologia Química, sob responsabilidade de José Júlio Bettencourt Rodrigues

1.4. Alfredo da Silva na Química

Conforme já se discutiu em outro lugar,
[1] o aparecimento no Instituto Industrial, no final da década de sessenta do século XIX, da formação de condutores[2] e da formação de comerciantes (desenvolvida posteriormente, em particular, pelo Curso Superior de Comércio, criado em 1884, por António Augusto de Aguiar) desenhou a conjuntura que permitiu uma aproximação ao que se pode designar como “modelo alemão” de ensino científico e tecnológico: um ensino pragmático, muito apoiado na prática e centrado no aluno e sua relação directa com as aprendizagens e com o formador. Para além disto, a formação de condutores e de comerciantes chamou a este estabelecimento de ensino um tipo de alunos melhor posicionado socialmente e com outras aspirações profissionais e culturais. E, não é de excluir um novo estímulo ao interesse dos alunos pelos cursos de Química prática, situado agora mais no campo intelectual e cultural, emanado do modelo oitocentista de desenvolvimento e progresso, no qual a indústria – nomeadamente a Química – tinha um forte protagonismo e visibilidade.
Este modelo fez sucesso entre a população estudantil do Instituto e teve vários adeptos entre os professores, nomeadamente Virgílio Machado, e Alfredo Bensaúde, que a ele sempre lhe ficou fortemente associado, até porque o implementou depois no recém-criado Instituto Superior Técnico, de quem foi o primeiro director e, sem dúvida, o seu grande organizador.
Mas ainda se deve incluir outros nomes igualmente importantes, neste processo “renovador” que actuou transversalmente no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, muito antes das perturbações republicanas, nomeadamente o de António Augusto de Aguiar e seus colaboradores estrangeiros
[3] no Laboratório de Química do estabelecimento em causa,
presenças estas no país que se pensa terem resultado de contactos desenvolvidos a partir da influência de Agostinho Vicente Lourenço. Conforme facto sobejamente conhecido, este químico natural de Goa esteve ausente no estrangeiro durante cerca de dez anos, a estudar e trabalhar em laboratórios de químicos famosos, como Bunsen, Hofmann e Wurtz, até que estabilizou, em Portugal no princípio da década de sessenta, para assumir a responsabilidade da cadeira de Química Orgânica na Escola Politécnica de Lisboa
[4], e assim se tornar colega de Aguiar que, na altura, regia como substituto a 6.ª cadeira (Química mineral, fundamentalmente) na mesma instituição.
Também Alfredo da Silva terá sido, necessariamente, sensível ao apelo do conceito de progresso social e aperfeiçoamento do indivíduo, e o seu interesse pela cultura alemã poderá ser inferida pelo facto de ser leitor de Goethe: «Quem era esse outro Alfredo, amante de teatro e amigo de Chaby Pinheiro, de que corre ainda na memória familiar que teria ambicionado ser actor? Alfredo, igualmente leitor de Goethe, de quem oferecia à futura mulher o emblemático Werther, militante em causas culturais e sociais como as desenvolvidas na Associação Camoneana Victorino Damásio em auxílio dos alunos sem posses» (cf. FARIA, 2004, pp.83-84).
A atracção pela Química industrial desde os primeiros tempos do Instituto é facto publicamente reconhecido (BASTO, 1952, p.17). Outros testemunhos deste gosto particular poderão ser obtidos pelas suas intervenções nas sessões dos Conselhos de Administração e Fiscal da Companhia União Fabril onde, nos primeiros anos do século XX, se discutiam as primeiras fábricas, do que viria a ser o complexo químico-metalúrgico desta companhia no Barreiro. E é nas actas das sessões referidas que se torna novamente claro o seu grande interesse pela Química, assim como os conhecimentos que detinha sobre aspectos bastante específicos das indústrias químicas, e onde (à boa maneira dos químicos) se evidencia em Alfredo da Silva aquilo que se pode designar como uma verdadeira “paixão” por um elemento químico, neste caso o cobre - e não fosse ele também um contemporâneo dos triunfos “fin-de-siècle”, nomeadamente os da electrificação crescente e desenvolvimento das telecomunicações.
Está ainda por indagar qual foi o curso prático que Alfredo da Silva efectivamente frequentou, se o de Aguiar (conforme o parece testemunhar Emílio Dias), se o de Virgílio Machado. Na verdade, essa consistirá numa questão de menor importância, até porque já aqui foi aflorado certo grau de proximidade entre os dois chamados “formatos”
[5]. Relevante é, porém, o facto de ter sido justamente colocado entre o grupo dos «práticos» (talvez na maioria, discípulos directos de António Augusto de Aguiar) que se tornaram «cientistas consumados». E, deste modo, Alfredo da Silva está, pela primeira vez, no lugar que sempre lhe terá sido reconhecido: entre os químicos, em Portugal.

BIBLIOGRAFIA

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CRUZ, Isabel (2006?) – From the Industrial and Commercial Institute of Lisbon to the Technical Superior Institute – What transition? (1892 – 1922). Comunicação apresentada na 5th International Conference on History of Chemistry, “Chemistry, Technology and Society”, Lisboa/Estoril, Setembro de 2005 (aguardando publicação);

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DONNELLY, J. F. (1997) – Getting technical: the vicissitudes of academic industrial chemistry in nineteenth – century in Britain. “History of Education”, Volume 26, N.º 2, Junho;

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FARIA, Miguel Figueira de, et alii (2004) – Alfredo da Silva; Biografia. Lisboa, Bertrand Editora;

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HEROLD, Bernardo J.; CARNEIRO, Ana (2005) – Portuguese organic chemists in the 19th Century. The failure to develop a school in Portugal in spite of international links. “Proceedings of the 4th International Conference on History of Chemistry: Communication in chemistry across borders and across generations”, Budapeste, Setembro de 2003;


PEGADO, Luís Porfírio da Mota (1890) - Relatório sobre o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa; Ano lectivo 1888 – 1889. Lisboa, Imprensa Nacional;

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RODRIGUES, José Júlio Bettencourt (1885) – Exposição ao Conselho da Escola Politécnica sobre o ensino e mais serviços da 6.ª cadeira. Lisboa, Tipografia Universal;

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SILVEIRA, Joaquim Henriques Fradesso da (1873) – Notícia da Exposição Universal de Viena de Áustria em 1873. Bruxelas, Tipografia e Litografia de E. Guyot.

PARA AS IMAGENS

BRITO, Gomes de (1889) – Elogio Histórico de António Augusto de Aguiar. Lisboa, Tipografia e Estereotipia Moderna;

FRESENIUS, R. (1873) – Geschichte des Chemischen Laboratoriums zu Wiesbaden. Wiesbaden, C. W. Kreidel’s Verlag;

“Ilustração Portuguesa”, N.º 60, 15 de Abril de 1907;

“Ilustração Portuguesa”, N.º 71, 1 de Julho de 1907;

Necrologia. “Revista de Química Pura e Aplicada”, 1918, N.º 7 – 8;

SANTOS, Mário N. Berberan e; CASTANHO, Miguel A. R. B. (1998) – Os laboratórios de Química do Instituto Superior Técnico. In Ana Luísa Janeira; Maria Estela Guedes; Raquel Gonçalves (ed.) – Divórcio entre cabeça e mãos? Laboratórios de Química em Portugal (1772 – 1955). Lisboa, Livraria Escolar Editora;

SILVA, A. J. Ferreira da (1911) – Para a história da química; O Dr. R. Fresenius. “Revista de Química Pura e Aplicada”, N.º 12;


Planta Geral, 1.º Pavimento, e plantas dos Laboratórios de Química e de Indústrias Químicas do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa (Biblioteca e Arquivo do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações) adaptadas de SIMÕES, Cristina et alii – trabalho realizado no âmbito da cadeira de História das Ciências, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 1993, e posteriomente publicadas em CRUZ, Isabel (1998) – The chemistry laboratory at the Lisbon Industrial and Commercial Institute: laboratory work in chemistry from 1864 to 1892. In Ana Luísa Janeira; Maria Estela Guedes; Raquel Gonçalves (ed.) – Divórcio entre cabeça e mãos? Laboratórios de Química em Portugal (1772 – 1955). Lisboa, Livraria Escolar Editora;

Gravuras do Laboratório de Química e da Aula de Química, primeiramente publicadas em: COSTA, Francisco Felisberto Dias da (1900) – Instruction Publique en Portugal; Institut Industriel et Commercial de Lisbonne: Histoire – Organisation – Enseignement. Lisbonne, Exposition Universel de 1900, Section Portugaise.
[1] CRUZ (2005) e CRUZ (2006?).

[2] Os condutores foram primeiramente colocados, na hierarquia dos cargos do Ministério das Obras Públicas como corpo auxiliar dos engenheiros para o serviço específico das Obras Públicas (Decreto de 5 de Dezembro de 1860, do Regulamento provisório do serviço das obras públicas e organização do pessoal nele empregue), e a sua função consistia em fazer, nesse domínio, a ponte entre a elite que dirigia (os engenheiros) e o elo final da cadeia, isto é, os operários. Posteriormente, em 1864, o conceito estendeu-se a todo o serviço técnico do mesmo ministério (Decreto de 3 de Outubro de 1864, do Plano de organização do corpo de engenharia civil e dos seus auxiliares).
Alguma complexidade crescente na formação base dos condutores que a aproximaram à das engenharias, e a confusão que no terreno muitas vezes se estabelecia no exercício das funções inerentes ao serviço técnico, fará não só com que em certas alturas seja mais evidente a concorrência dos condutores relativamente aos engenheiros, como alimentará o motor das ambições do próprio Instituto Industrial e Comercial de Lisboa a um lugar mais preponderante no quadro das instituições de ensino técnico em Portugal.

[3] Elementos inéditos sobre a identidade dos colaboradores que se lhe associaram, no Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e/ou no Laboratório de Química da Escola Politécnica, podem ser apreciados na nota biográfica sobre António Augusto de Aguiar, on-line no portal da Sociedade Portuguesa de Química, da autoria de Bernardo J. Herold & Ana Carneiro.

[4] Sobre o papel de Agostinho Vicente Lourenço no desenvolvimento da Química Orgânica veja-se o estudo de HEROLD (1986). Para a questão mais ampla, do desenvolvimento da Química Orgânica em Portugal, consulte-se também HEROLD; CARNEIRO (2005).

[5] Não obstante o primeiro se reportar a um contexto de “Química industrial” e o segundo a um conceito de Química geral ou “Química pura”, parece evidente que em ambos se faz uma fuga para a “Análise Química”. Um estudo, de DONNELLY (1997), permite constatar até que ponto foi problemático estabelecer o campo académico da Química Tecnológica na Grã-Bretanha do século XIX, tanto ao nível da selecção das matérias e utilização dos recursos mais apropriados, como ao nível da sua demarcação em relação à “Química pura”. Segundo este autor, muitos dos cursos de Química Tecnológica resolveram estas questões adoptando um modelo que combinava extensas descrições de processos industriais com versões especializadas de análise quantitativa e qualitativa, que eram afinal, a componente laboratorial dos cursos de “Química pura”.

A aula de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, segundo uma gravura de 1900 (espaço 9. Anexo II-a)

Nota:
Gravuras I e II anexos da comunicação “The chemistry laboratory at the Lisbon Industrial and Commercial Institute: laboratory work in chemistry from 1864 to 1892” apresentada no 1st workshop of the European Science Foundation, Chemical Laboratories, Instruments and Tecnhology, 1789 – 1939, realizado em Segóvia, Dezembro de 1994.









O Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa


O Laboratório de Química do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, segundo uma gravura de 1900 (espaço 10. ou 11.? Anexo II-a)

ANEXO I

TRABALHOS PRÁTICOS PARA A 9.ª CADEIRA: “Química mineral e orgânica; Análise química”, Ano lectivo 1889-1890, organizados de acordo com a portaria com instruções regulamentares de 8 de Agosto de 1889

«Na 9.ª cadeira começaram os trabalhos dos alunos pelas seguintes operações preliminares. Cristalizações por via seca e por via húmida, sublimações, dissoluções, filtrações, destilações e calcinações. Montagem de aparelhos para obter gases a frio e a quente. Dobradura e encurvadura de tubos de vidro ao maçarico, abertura de furos em rolhas, etc.
Depois disto passaram às seguintes preparações e experiências. Preparação do gás hidrogénio pelo zinco e ferro e ácido sulfúrico, resolução de problemas relativos ao cálculo pelos equivalentes do peso dos corpos empregados nas preparações químicas; purificação do hidrogénio e verificação das suas principais propriedades físicas e químicas; aplicação do gasómetro de Mitscherlich; experiências sobre transvasamento de gases. Preparação do gás cloro pelos processos de Scheele e de Berthelot; exame das propriedades físicas e químicas do cloro; sua acção descorante, desinfectante; acção sobre o hidrogénio, o fósforo, o antimónio, o arsénio e o cobre.
Preparação do bromo, suas principais propriedades. Extracção do iodo dos iodetos alcalinos e purificação química deste metalóide, exame de algumas das suas propriedades físicas e químicas.
Preparação do oxigénio pela decomposição do clorato de potássio, do peróxido de manganês e ácido sulfúrico, e do cloreto de cálcio do comércio (processo Fleittmann). Combustões no oxigénio. Experiências com a luz Drumond. Caracteres físicos e químicos do oxigénio.
Preparação do oxigénio alotrópico (ozono) pelo fósforo, pelo eflúvio eléctrico nos aparelhos ozonizadores de Berthelot e de Houzeau, pela faísca de indução, pela electrolisação da água e pela decomposição do dióxido de bário pelo ácido sulfúrico. Caracteres químicos do ozono. Enxofre, verificação das suas principais propriedades físicas e químicas. Azoto, sua extracção do ar atmosférico pelo fósforo, pelo cobre e amoníaco, pelo cobre ao rubro, pelo nitrito de potássio e pelo cloro e amoníaco. Caracteres distintivos do Fósforo, experiências da conversão do fósforo branco ordinário em vermelho. Carbono, exame das propriedades descorantes e desinfectantes ou absorventes do carvão.
Preparação da água oxigenada pelo processo de Thénard. Decomposição da água oxigenada pelo calor, pela esponja de platina, pelo carvão, etc. Preparação do ácido clorídrico gasoso e da sua dissolução na água. Decomposição electrolítica do ácido clorídrico, experiências com o ácido gasoso. Preparação do ácido fluorídrico e sua aplicação à gravura em vidro. Preparação do ácido sulfídrico pelo sulfureto de ferro e ácido sulfúrico e pelo sulfureto de antimónio e ácido clorídrico. Aplicação dos aparelhos de Wartha e de Keep. Verificação da pureza e da acção do ácido sulfídrico sobre o cloro, ácido sulfuroso e alguns metais.
Preparação do gás amoníaco e da amónia. Acção da água, do cloro, do carvão e da faísca eléctrica sobre o gás amoníaco. Preparação do protocarbureto de hidrogénio e do gás oleificante (bicarbureto). Reacções do gás cloro e do oxigénio sobre o etileno.
Preparação do óxido de carbono pelo ácido oxálico e ácido sulfúrico. Verificação da sua pureza, combustibilidade, etc.
Preparação do ácido carbónico no aparelho ordinário, no de Wartha e no de Briét. Experiências sobre a solubilidade, incombustibilidade, densidade, etc., do gás carbónico. Preparação do anidrido sulfuroso pela combustão do enxofre no sulfurador de Silva Pinto e pelo ataque do cobre, carvão e mercúrio pelo ácido sulfúrico em aparelhos de laboratório.
Preparação do ácido sulfuroso líquido e da sua dissolução aquosa. Acção do ácido sulfuroso sobre as matérias corantes vegetais e sobre o ácido sulfídrico, o dióxido de chumbo, o permanganato de potássio, etc. Experiências sobre a densidade do gás, a extinção da combustão, etc.
Preparação do anidrido sulfuroso pela decomposição do ácido dissulfúrico. Preparação do ácido sulfúrico ordinário (experiência demonstrativa das reacções, que se realizam nas câmaras de chumbo) e obtenção dos cristais de ácido azoto-sulfúrico. Algumas propriedades do ácido sulfúrico.
Preparação do protóxido e do dióxido de azoto. Exame das suas propriedades e reacções características. Preparação do ácido azótico fumante e estudo das suas propriedades.
Preparação do anidrido fosfórico. Preparação dos ácidos meta, piro e ortofosfórico pela decomposição do fosfato de amónio, pirofosfato de chumbo e ataque, por cohobação, do fósforo vermelho pelo ácido nítrico.
Preparação do fluoreto de silício e do ácido hidrofluorsilícico. Preparação do ácido prússico ou cianídrico concentrado pelo ferrocianeto de potássio e ácido sulfúrico. Reacções do ácido cianídrico.
Acção da água sobre os metais alcalinos (sódio e potássio). Preparação dos amálgamas de potássio e de amónio. Preparação dos seguintes sais: iodeto de potássio cristalizado; cloreto de bário cristalizado pela decomposição do carbonato de bário natural (withérite) e do sulfato (baritina); cloreto de cálcio cristalizado, anidro e fundido; cloreto de amónio; percloreto de ferro anidro; sulfureto de ferro por via ígnea e por via húmida.
Análise volumétrica do ar pelo fósforo a frio e a quente, pelo pirogalhato de potássio (determinação do ácido carbónico, do azoto e do oxigénio); análise pelos eudiómetros.
Análise da água (electrólise) pelo voltâmetro ordinário e pelo voltâmetro de Hofmann. Análise qualitativa da água ordinária; reconhecimento, por meio de reactivos químicos, do ácido carbónico (carbonatos e bicarbonatos), do cloro, do ácido sulfúrico, do ácido azótico, do cálcio, do magnésio e da matéria orgânica.
Hidrotimetria, inclusive a preparação e graduação do licor hidrotimétrico.
Reacções características da água oxigenada ou dióxido de hidrogénio.
Reacções químicas distintivas dos ácidos: sulfuroso, sulfúrico, azótico, clorídrico, fosfórico, etc., e reconhecimento das impurezas que contêm os ordinários ou de comércio.
Dosagem do ácido sulfúrico, do ácido sulfídrico de uma água sulfatada e do cloro no cloreto de cálcio do comércio.
Pesquisa do fósforo elementar pelo aparelho de Vrig e de Vander Bowg, e do arsénio e antimónio pelo aparelho de March.
Análise espectroscópica dos metais alcalinos e dos alcalino-terrosos.
Análise quantitativa da liga de prata monetária e da liga de prata de baixela por via seca. Ensaios por copelação.
Determinação do título ponderal de uma potassa comercial pelo processo de Gay-Lussac.
Reacções características e distintivas dos principais óxidos metálicos dos seis grupos e dos seus radicais.
Reacções características dos cloretos, brometos, iodetos, fluoretos, cianetos, sulfuretos, cloratos, hipossulfitos, sulfitos, sulfatos, nitratos, fosfatos, carbonatos e cromatos.
Dosagem do álcool nos vinhos.
Dosagem do carbono, do hidrogénio e do oxigénio (por diferença) de uma substância orgânica ternária.
Dosagem do azoto, no estado de amoníaco, pelo processo de Will modificado por Peligot.»

Fonte: PEGADO, Luís Porfírio da Mota (1891) - Relatório sobre o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa; Ano lectivo 1889 – 1890. Lisboa, Imprensa Nacional
[Isabel Cruz]

Planta do Laboratório de Química (1892): corresponde aproximadamente aos espaços numerados com 9. 10. e 11. na Planta geral 1.º pavimento (anexo II-a).
Neste laboratório funcionaram os cursos práticos da 4.ª cadeira: Química aplicada às artes (A. A. Aguiar) e os trabalhos práticos da 9.ª cadeira: Química mineral e orgânica; Análise química (Virgílio Machado).

Nota:
II a); II b) e II c) anexos da comunicação “The chemistry laboratory at the Lisbon Industrial and Commercial Institute: laboratory work in chemistry from 1864 to 1892” apresentada no 1st workshop of the European Science Foundation, Chemical Laboratories, Instruments and Tecnhology, 1789 – 1939, realizado em Segóvia, Dezembro de 1994.



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