novembro 15, 2005

Companhia União Fabril, Cronologia I _ 2ª parte

“OS 100 ANOS DA C. U. F.”

CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO

Revista INDÚSTRIA; 17 (Outubro de 1965), pags. 3 a 33


1865
«EU EL-REI REGENTE EM NOME DO REI FAÇO SABER QUE SENDO-ME PRESENTES OS ESTATUTOS COM QUE PRETENDE FUNDAR-SE EM LISBOA UMA SOCIEDADE ANONYMA DENOMINADA COMPANHIA UNIÃO FABRIL; VISTOS OS DOCUMENTOS PELOS QUAES SE PROVA A SUBSCRIÇÃO DO CAPITAL SOCIAL; VISTA A INFORMAÇÃO DO GOVERNADOR CIVIL DO DISTRICTO ADMINISTRATIVO DE LISBOA; VISTO O PARECER DO AJUDANTE DO PROCURADOR GERAL DA CORÔA JUNTO AO MINISTÉRIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMERCIO E INDUSTRIA: HEI POR BEM DAR A MINHA REGIA APPROVAÇÃO AOS ESTATUTOS, POR QUE DEVERÁ REGER-SE A COMPANHIA UNIÃO FABRIL, OS QUAES NOS TERMOS DO ARTIGO QUINHENTOS TRINTA E NOVE DO CODIGO COMMERCIAL FORAM REDUZIDOS A INSTRUMENTO PÚBLICO, CONSTAM DE CINCO CAPÍTULOS E QUARENTA E DOIS ARTIGOS E BAIXAM COM ESTE ALVARÁ ASSIGNADOS PELO MINISTRO E SECRETARIO D'ESTADO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INDUSTRIA, E BEM ASSIM DAR POR CONSTITUIDA A MENCIONADA COMPANHIA PARA QUE POSSA DESDE JÁ DAR COMEÇO ÁS SUAS OPERAÇÕES, FICANDO SUJEITA A REGISTAR O INSTRUMENTO DO SEU CONTRACTO DE THEOR E NÃO POR EXTRACTO NO REGISTRO PUBLICO DO COMMERCIO, NOS TERMOS DO ARTIGO QUINHENTOS E QUARENTA DO CODIGO COMMERCIAL; COM A EXPRESSA CLAUSULA DE QUE ESTA MINHA REGIA APPROVAÇÃO LHE PODERÁ SER RETIRADA LOGO QUE SE DESVIE DOS FINS PARA QUE É INSTITUIDA, NÃO CUMPRA FIELMENTE OS SEUS ESTATUTOS OU DEIXE DE REMETTER ANNUALMENTE Á DIRECÇÃO GERAL DO COMMERCIO E INDUSTRIA O RELATORIO E CONTAS DA SUA GERENCIA. PELO QUE MANDO A TODOS OS TRIBUNAES, AUTORIDADES E MAIS PESSOAS A QUEM O CONHECIMENTO D'ESTE MEU ALVARÁ COMPETIR, QUE O CUMPRAM E GUARDEM E FAÇAM CUMPRIR E GUARDAR TÃO INTEIRAMENTE COMO N'ELLE SE CONTÉM. PAGOU DE DIREITOS DE MERCÊ E IMPOSTO DE VIAÇÃO TRINTA E NOVE MIL E SEISCENTOS RÉIS, COMO CONSTA POR UM CONHECIMENTO SOB NUMERO TREZENTOS DEZESEIS PASSADO NA REPARTIÇÃO DO SELLO E RECEITA EVENTUAL EM QUATRO DE SETEMBRO ULTIMO. E POR FIRMEZA DO QUE DITO É, ESTE VAE POR MIM ASSIGNADO E SELLADO COM O SELLO DAS ARMAS REAES E COM O DA CAUSA PUBLICA. DADO NO PAÇO AOS TRES D'OUTUBRO DE MIL OITOCENTOS SESSENTA E CINCO.
SELLO DAS ARMAS REAES.
REI REGENTE
CONDE DE CASTRO
ALVARÁ PELO QUAL VOSSA MAGESTADE HA POR BEM APPROVAR OS ESTATUTOS DA COMPANHIA UNIÃO FABRIL, E DAL-A POR CONSTITUIDA PARA DAR COMEÇO ÀS SUAS OPERAÇÕES, TUDO PELA FÓRMA RETRÓ DECLARADA.
PARA VOSSA MAGESTADE VER.
PASSOU-SE POR DECRETO DE TRINTA
D'AGOSTO DE MIL OITOCENTOS E SESSENTA E CINCO.
LOGAR DO SELLO DA CAUSA PUBLICA.
PAGOU TRINTA MIL RÉIS DE SELLO EM 4 DO CORRENTE.-
LISBOA, 5 DE OUTUBRO DE 1865 - Nº 102 -
VINHA - RODRlGUES.
ANTONIO JOSÉ JORGE, O FEZ
REGISTADO A FL. 1 Vº. DO 1º 2º DE SIMILHANTES. MINISTERIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INDUSTRIA, 6 DE OUTUBRO DE 1865.
ANTONIO JOSÉ JORGE. “

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FOI DESTE SIMPLES ALVARÁ, IGUAL A MUITOS OUTROS, QUE RESULTOU O PRIMEIRO EMPREENDIMENTO INDUSTRIAL QUE TRANSPORTOU O PAÍS ÀS DIMENSÕES DO MUNDO MODERNO.
NÃO SE TRATOU PORÉM APENAS DE UM PROBLEMA DE EXTENSÃO, MAS PRINCIPALMENTE DE UMA REFORMA DE MENTALIDADE, NUM SENTIDO DE CONFIANÇA NA CAPACIDADE CRIADORA DA NAÇÃO, QUE ABRIU PERSPECTIVAS DE ÂMBITO INTEIRAMENTE NOVO À INDUSTRIALIZAÇÃO NOS ÚLTIMOS CEM ANOS.
FOI DESTE ALVARÁ QUE NASCEU A C. U. F. DE HOJE, MAS TAMBÉM SE PODE DIZER, SEM RECEIO DE FALTAR À VERDADE, QUE FOI O EXEMPLO DO ÊXITO ALCANÇADO PELOS HOMENS QUE A FUNDARAM E QUE A CONTINUARAM, ATRAVÉS DA SUA CORAGEM E DA SUA TENACIDADE, QUE IMPULSIONOU NOVAS IDEIAS E NOVAS INICIATIVAS ÀS QUAIS SE DEVE A EXPANSÃO DO PROGRESSO INDUSTRIAL PORTUGUÊS.
A HISTÓRIA DA C. U. F. NÃO É, POR ISSO, APENAS A HISTÓRIA DO CRESCIMENTO DE UMA EMPRESA, NUMA SIMPLES SUCESSÃO DE DATAS E DE ACONTECIMENTOS, MAS CONSTITUI EM SI UM DOCUMENTO DE VALOR NACIONAL NO SEU CONTEÚDO E NA SUA PROJECÇÃO.
E É AO SIMBOLISMO DESTE DOCUMENTO QUE SÃO DEDICADAS AS PÁGINAS SEGUINTES, NUMA VISÃO SINTÉTICA DO QUE FORAM CEM ANOS DE PERSISTÊNCIA E DE CONTINUIDADE.

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A GÉNESE DE UMA GRANDE EMPRESA

Concedido o alvará em 1865 à Companhia União Fabril, cujo capital inicial era de 200 contos de réis, começou a sua actividade, tendo por finalidade «...o fabrico de sabão e sabonetes de todas as qualidades, velas de estearina, óleo de purgueira e todos os mais óleos já conhecidos ou que venham a descobrir-se e o comércio de todos estes produtos, e bem assim o fabrico e comércio do tabaco...».
Não foi sem grandes dificuldades que esta empresa entrou no mercado português, a ponto de em 1872, um ano após a morte do seu fundador, o Visconde da Junqueira, ter sido apresentada uma proposta de liquidação da Fábrica, para evitar a falência.
E, apesar de em 1875 a entrada do Conde de Burnay para o Conselho de Administração ter salvo a empresa pela sua contribuição pessoal e pelos suprimentos do Visconde de Gandarinha, em 1890 as dificuldades continuavam a surgir.
Situação análoga se verificava com a Companhia Alliança Fabril, Limitada, que tinha actividades afins mas que conseguiu manter-se à custa do impulso que lhe foi dado por Alfredo da Silva, Director do Banco Lusitano, de quem era devedora.
Em 1894, o Conselho de Administração desta Companhia tinha a seguinte constituição:
Administradores efectivos:
Manuel Carlos de Freitas Alzina
Eduardo Serrão Franco
Alfredo da Silva, gerente
Administradores substitutos:
António Telles Machado Júnior
João da Motta Gomes Júnior
Ernest Driesel Shroeter
Não obstante o prestígio que a Companhia União Fabril já tinha alcançado ao ser premiada na Exposição Universal de Paris de 1878, a situação económica das duas Companhias afins mantinha-se precária e, por isso, impunha-se uma acção de envergadura capaz de lhes dar aquela solidez indispensável à sua projecção no meio nacional.
Coube a Alfredo da Silva essa acção. E, pelas repercussões que dai advieram, o País não pode deixar de ter para com ele um sentimento de profunda gratidão.

ALFREDO DA SILVA E A COMPANHIA UNIÃO FABRIL

Foi em 1898 que Alfredo da Silva tomou a decisão de efectuar a fusão da Companhia União Fabril, cuja fábrica se situava no Largo das Fontainhas, com a Companhia Alliança Fabril, a que pertencia a Fábrica Sol, constituindo-se deste modo a actual Companhia União Fabril, a qual nasceu num ambiente de expansão e de progresso.
Assim, o Capital Social é elevado para 500 contos de réis e os Estatutos iniciais são reformados com vista ao alargamento dos seus domínios de actividade.

«...a) extracção e preparação de oleos de qualquer especie e natureza;
b) exploração das industrias do sabão, vélas e quaesquer outras industrias;
c) exercer commercio de quaesquer matérias-primas ou productos manufacturados;
d) adquirir e explorar concessões, privilegios e estabelecimentos industriaes ...»
(Diário do Governo de 22 e 23-4 de 1898)

Três dias após a fusão das duas Empresas, Alfredo da Silva manda construir nas Fontainhas uma Fábrica de Adubos Compostos; e, ainda nesse ano, é publicada a circular de 28 de Novembro, na qual se comunica:

«... A Companhia União Fabril está habilitada a fornecer a começar em Dezembro de 1898, aos seus estimaveis freguezes, os adubos elementares: como o nitrato de sodio, superphosphato a 12 e a 18% , o phosphato de Thomas, ou escorias de phosphoração, a 15% , finamente triturados, e o sulfato de ammonio, o chloreto e sulfato de potassio, o kainite, o gesso e o sulfato de ferro; os adubos compostos com formulas escolhidas em relação aos terrenos, tendo adubos já preparados para terrenos de barro, de areia, calcareos, de schistos e de granito e para as culturas especiaes do trigo e outros cereaes, da vinha, da batata e da fava e outras leguminosas de grande cultura; os bagaços simples de purgueira e os bagaços preparados, enriquecidos nos seus elementos nobres e representando o ideal do adubo composto, isto é a riqueza mineral, junta á riqueza organica...»

A elevada qualidade de produção da Companhia União Fabril ficou rapidamente patenteada ao obter em 1904 um primeiro prémio, Diploma de Honra e Medalha de Ouro na Exposição Industrial do Porto e um «Grand Prix», duas medalhas de ouro e uma de prata na Exposição Internacional de S. Louis.
O Capital da Companhia neste ano já se tinha elevado para 700 contos de réis.
Outro acontecimento decisivo foi a aquisição em 1906 de um grupo de terrenos e armazéns ao sul do Tejo, onde se instalaram as primeiras fábricas de produtos químicos do Barreiro. Ainda nesse mesmo ano, foi adquirida, em Alferrarede, uma Fábrica de Azeite.
Constroem-se em 1907 as primeiras fábricas do Barreiro e em relação a este facto o relatório do Conselho de Administração relativo a esse ano exprime-se do seguinte modo:

«...uma obra cuja importancia e rapido desenvolvimento, excedem o que é de normal no nosso paiz.
Pela forma como os estudos das construcções das referidas fabricas teem sido encaminhados, pelo plano e systema a que obedecem... o grupo de estabelecimentos no Barreiro, constituirá uma das mais poderosas unidades fabris do paiz ... das mais aperfeiçoadas e nas condições mais vantajosas de producção, da Europa, para as diversas especies de adubos e productos chimicos. ..»

Em 1908 inicia-se a actividade fabril do Barreiro com o arranque de uma instalação de extracção descontínua de óleo de bagaço de azeitona por sulfureto de carbono, valorizando-se assim um subproduto pobre do fabrico de azeites. Este óleo destinava-se ao fabrico de sabão e à exportação.
Nesse mesmo ano, constroem-se as primeiras fábricas de superfosfatos e ácido sulfúrico; adquire-se a «Companhia de Tecidos Alliança», produtora de tecidos de juta e de linho, com o objectivo de fabricar embalagens para os superfosfatos; monta-se a primeira central de energia eléctrica com a potência de 25 Kw.
Também nesse ano se edifica o primeiro Bairro destinado aos operários do Barreiro, os quais passam a dispor também de serviços médicos. Relativamente a esta realização, o relatório do Conselho de Administração desse ano pronuncia-se do seguinte modo:

«. ..Não nos esquecemos, como nos cumpria, do interesse que a todas as administrações como a nossa, deve merecer o seu pessoal, construindo bairros operarios nas novas fabricas, e tornando extensivo para ellas os serviços medicos e de soccorros que funccionam em Lisboa...»

Os anos seguintes foram anos de rápida expansão, com a primeira fábrica de superfosfatos e a produção de niveína em 1909, com a entrada em funcionamento do Cais do Barreiro em 1910, com a lixiviação dos resíduos de pirite e a instalação da Fábrica de Sabão do Freixo em 1911, com o fabrico de ácido clorídrico e sulfato de sódio e o inicio da actividade metalo-mecânica em 1912 e com a fabricação de sulfato de cobre em 1913.
A importância desta expansão é assinalada no relatório do Conselho de Administração relativo ao exercício deste ano, no qual se afirma:

«... É consideravel o augmento de venda que os productos das nossas fabricas no Barreiro têm tido, quer no mercado interno, quer no externo pela exportação, devido principalmente á preferencia que os nossos superphosphatos têm grangeado sobre todos os productos similares da concorrencia, quer nos mercados portuguezes, quer nos mercados para onde efectuámos exportação...»

A Grande Guerra de 1914-1918 veio afectar fortemente a actividade das fábricas, criando um período de dificuldades crescentes, devidas ao aumento do custo das matérias-primas, à dificuldade de obtenção de combustíveis, à desvalorização da moeda e à carência de transportes.
Apesar disso, a vitalidade da Companhia União Fabril foi suficientemente forte para ultrapassar os acontecimentos e lançar as bases definitivas que a transformaram naquela Empresa moderna e progressiva que hoje é.

A C. U. F. NO MODERNO MUNDO INDUSTRIAL

As graves dificuldades nacionais não terminaram com o fim da Guerra, mas prolongaram-se durante mais alguns anos em consequência da crise política e económica do País, agravada pela inflacção.
No entanto, pode dizer-se que o ano de 1919 marca o início de uma brilhante fase de consolidação que se pode sintetizar nas seguintes grandes linhas gerais:

Garantindo o abastecimento em matérias-primas, no aspecto produção e transporte.
Promovendo e consolidando os meios financeiros necessários ao desenvolvimento das actividades.
Aperfeiçoando processos.
Ampliando e remodelando instalações.
Alargando o domínio dos sectores já existentes, pela introdução de novos produtos.
Criando novas fontes de trabalho.
Providenciando pela promoção social dos trabalhadores.

Esta fase estendeu-se até 1948, ano em que se iniciou um processo de sectorização da Companhia por actividades, em consequência. da complexidade crescente da sua exploração.
Dois factos principais assinalam o começo deste período de consolidação:

· Reformam-se os Estatutos, alargando os objectivos da Companhia que passam a abranger indústrias transformadoras, comércio, transportes e indústria extractiva. O Capital social é fixado em dois mil contos-ouro.
· A Companhia participa na constituição da «Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda», que em 1922 inicia a sua actividade no domínio dos transportes marítimos.
A Companhia passa assim a dispor de meios nacionais para o seu abastecimento de matérias-primas.

A partir deste ano, as novas realizações sucedem-se de forma quase ininterrupta, numa sequência em que raros são os anos que não possam ser tomados como marcos de referência.
1921
· As necessidades de criar uma ferramenta financeira própria, dado o seu volume de negócios e as suas relações com o mercado interno e externo, levam a Companhia a participar na gerência da Casa José Henriques Totta, Lda., entrando assim no domínio da actividade bancária.
· Constitui-se a Sociedade «António da Silva Gouvêa, Lda.», em que a Sociedade Geral toma parte e que se destina ao desenvolvimento do comércio na Guiné.
Fomenta-se, deste modo, a cultura das oleaginosas naquela província, para abastecimento da Metrópole em matéria-prima da indústria dos óleos alimentares, de grande importância em face das contingências a que está sujeita a indústria do azeite.
1922
· Monta-se uma oficina de cordoaria mecânica, dedicada em princípio ao fabrico de cordas para fragatas.
A instalação é complementada em 1925 por uma cordoaria manual, em que se trabalha matéria-prima não adaptável ao equipamento mecânico existente.
· A Sociedade Geral inicia a sua actividade no domínio dos transportes marítimos, com uma frota de 6 unidades e uma tonelagem total de cerca de 21 000 tdw.

1923
· Instala-se no Barreiro a primeira unidade para moagem de enxofre, produto utilizado para o combate ao oídio das videiras.
1925
· Por novo alvará concedido à Companhia, alarga-se a actividade metalo-mecânica, permitindo a instalação no Barreiro de oficinas de fundição e caldeiraria, quer para apoio local indispensável às Fábricas, quer para dar eficiente assistência à frota da Sociedade Geral.
· O desenvolvimento da produção de sulfato de cobre criou a necessidade dê se obter cobre de novas origens, o que leva à instalação de uma unidade de fusão e refinação.
Esta é a primeira instalação portuguesa de metalurgia de cobre e o núcleo da futura Metalurgia dos Metais Não-Ferrosos do Barreiro.
· Na fábrica das Fontainhas faz-se a remodelação da refinação de óleos comestíveis.
1926
· Instala-se no Barreiro a primeira unidade de cloruração e sinterização de cinzas de pirite, tornando-se possível não só extrair-Ihes o cobre como ainda torná-las utilizáveis para a produção do ferro.
Deste modo, a matéria-prima pirite, utilizada na produção de ácido sulfúrico, tem um aproveitamento mais completo, permitindo a exportação de algumas centenas de milhares de toneladas de resíduos, invendáveis sem esta transformação industrial.
A nova unidade é a primeira do seu género no País.
1927
· Constitui-se «A Tabaqueira, S. A. R. L.», a quem é dada concessão para explorar a indústria de tabacos. No capital social tomam participação maioritária (no conjunto) a Sociedade Geral e a Casa José Henriques Totta, Lda.
Reinvestem-se deste modo resultados da exploração industrial.
· Com vista ao aumento de produção de superfosfatos, começa a realizar-se no Barreiro um plano de ampliação e remodelação das instalações.
Projectam-se novas fábricas de ácido sulfúrico e incrementa-se a actividade têxtil.
A dimensão prevista para o fabrico de superfosfatos permitirá baixar os custos de produção e atender uma procura crescente.
· Constrói-se a Escola Primária, destinada aos filhos do pessoal da Companhia.
1928
· Entram em laboração duas novas unidades de produção de ácido sulfúrico – as fábricas número 5 e número 6 de câmaras.
· No domínio dos têxteis, aborda-se uma nova actividade: a fiação de juta. Até esta data, o fio destinado à tecelagem era importado.
A matéria-prima juta tem deste modo um maior valor acrescentado, pela incorporação de mais trabalho nacional na sua laboração.
Marca-se assim o início de um período de grande expansão do sector têxtil da Companhia.
· Aumenta para 2 200 Kw a potência da central de energia eléctrica do Barreiro, que era de 1 000 Kw desde 1924.
· A produção de vapor (16 t/h em 1924) sobe também para 32 t/hora.
1929
· Conclui-se uma nova instalação de produção de sulfato de cobre, passando a capacidade de 20 para 50 t/dia.
· Entra em laboração uma fábrica de azeite em Mirandela, que vem alargar as possibilidades de valorização de um produto da agricultura regional.
1930
· A tecelagem de juta é instalada num novo edifício, para onde é transferido o equipamento existente.
Monta-se, além deste, novo equipamento, que vem aumentar consideravelmente a capacidade de produção.
· Constrói-se a ponte número 2 no Cais do Barreiro, que começa a funcionar com dois guindastes e que permite a acostagem de vapores até 1 500 t, evitando a descarga ao largo, bastante onerosa.
· Inicia-se a metalurgia do chumbo, aproveitando as lamas de sulfato de chumbo das fábricas de câmaras.
1932
· Começa a transferir-se para o Barreiro a tecelagem de juta e o fabrico de tapetes e passadeiras da Fábrica do Rato, que em 1933 cessa a sua actividade.
Concentra-se, deste modo, numa mesma zona das Fábricas do Barreiro a actividade têxtil da Companhia, que continua em expansão para corresponder às necessidades da clientela e da própria Companhia.
1934
· Para apoio à Indústria Química, em particular de ácido sulfúrico, a fundição é muito ampliada, instalando-se em edifício próprio, em conjunto com a oficina de mecânica.
· O desenvolvimento de produção de óleo de mendobi torna inviável a continuação da laboração na fábrica das Fontaínhas.
Por isso começa a preparar-se a instalação desta actividade no Barreiro.
Esta medida tem ainda a seu favor o facto de o óleo se destinar, na sua maior parte, às fábricas de conservas de Setúbal e do Algarve.
· Para fazer face ao aumento de consumo de energia eléctrica, inicia-se no Barreiro a montagem de uma central Diesel de 3 600 CV, cuja potência é ampliada em anos seguintes para 6 100 CV.
1935
· Instituem-se as reformas graciosas ao pessoal.
1937
· Amplia-se e remodela-se a fábrica de óleos industriais das Fontaínhas, onde se instalam nove prensas inglesas de grande produção.
· É adjudicada à Companhia a exploração das oficinas e docas do porto de Lisboa, prova de confiança na energia e espírito de iniciativa de Alfredo da Silva, que orienta agora a actividade do único estaleiro naval de importância no País, ao tempo explorado por estrangeiros.
· Funda-se o Grupo Desportivo da C. U. F. .
1938
· O movimento do cais obriga à construção de uma terceira ponte, esta de madeira, que entra em serviço com dois guindastes.
1939
· Dentro do princípio de renovação metódica das instalações, para evitar a sua depreciação e acompanhar os progressos da indústria, monta-se no Barreiro o novo forno para aços eléctricos, destinados a abastecer o mercado nacional, evitando demoradas e: dispendiosas importações.
· Faz-se a remodelação das saboarias de Lisboa, Porto e Barreiro, com substituição das caldeiras de fogo directo por caldeiras a vapor, o que vem baixar sensivelmente os custos de produção.
· Encontra-se renovado o equipamento dos estaleiros navais do Porto de Lisboa, após importantes trabalhos de reconstrução em todas as oficinas.
A partir desta data, a actividade toma um incremento extraordinário, quer na construção e reparação de unidades da frota nacional, quer ainda na reparação de navios da frota militar durante a guerra, em que desempenha papel de grande relevo.
· A frota da Sociedade Geral já conta com 18 unidades e uma tonelagem global de 94 000 tdw.
1940
· Funda-se a Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia União Fabril e Empresas Associadas, em cujo esquema se integram benefícios já em grande parte concedidos pela Companhia.
1942
· Morte de Alfredo da Silva.

Assume a presidência do Conselho de Administração o Sr. D. Manuel de Mello.

· Funda-se a Companhia de Seguros Império, com a participação da Companhia, que providencia, assim, pelos seus próprios meios, para o seguro das suas empresas e dos seus trabalhadores.
· Para a extracção de ouro e prata das lamas provenientes do fabrico de sulfato de cobre e ainda para o tratamento de minérios auríferos da Lousã, entra em funcionamento uma pequena instalação, que será mais tarde remodelada e ampliada para aproveitamento de outros metais.
· Em face das necessidades da Lavoura nacional em superfosfatos concentrados, a Companhia obtém autorização para a instalação de uma fábrica de ácido fosfórico, que será a primeira unidade instalada no País.
1943
· Entram em laboração as novas fábricas de extracção de óleo de bagaço, de Soure e Canas de Senhorim.
· Cria-se no Barreiro o Serviço de Medicina no Trabalho.
1944
· As dificuldades de abastecimento em cobre destinado à fábrica de sulfato e mais tarde ao desenvolvimento da indústria de cobre electrolítico levam a Companhia a organizar e financiar a Empresa do Cobre de Angola, cujo objectivo imediato é o estudo e prospecção das áreas cupríferas da província de Angola.
· Criam-se os Campos de Férias e o Infantário número 1.
1945
· A Caixa de Previdência da C. U. F. e Empresas Associadas inaugura o Hospital «C. U. F.».
1946
· A oficina de Mecânica do Barreiro é ampliada e ocupa novas instalações.
Produzem-se aços inoxidáveis e refractários, de especial interesse para a indústria do ácido sulfúrico.
1947
· Para a produção do solvente necessário nas unidades de extracção de óleo de bagaço, adquire-se a fábrica de sulfureto de carbono, em Vila Nova de Gaia.
· A C. U. F. inicia a sua actividade no domínio dos produtos farmacêuticos, representando os produtos da I. C. I. e criando, para isso, a «Secção de Produtos Farmacêuticos».