novembro 23, 2005

Cronologia II

J. M. LEAL DA SILVA
(EDIT.)

CRONOLOGIA CUF / QUIMIGAL – II

CRONOLOGIA DA C.U.F., S.A.R.L.
DESDE O CENTENÁRIO
À CRIAÇÃO DA QUIMIGAL, E.P.
(1965 -1977)

SEGUNDO TEXTO DE 1993
(REORDENADO)

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A UTILIDADE DE RECORDAR A “CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO” PARA CONSULTA PELOS ESTUDIOSOS DA C.U.F. LEVOU A ELABORAR, EM 1993, UMA “CRONOLOGIA GLOBAL DA CUF DA SUA FUNDAÇÃO ATÉ À CONSTITUIÇÃO DA QUIMIGAL”, QUE INCLUÍA, NUMA PERSPECTIVA DE “OBRA PERMANENTEMENTE ABERTA”, NÃO APENAS OS ANOS COBERTOS POR AQUELA (1865 – 1965), RETOMANDO-A, MAS IGUALMENTE OS ANOS QUE CORRESPONDIAM AO PERÍODO IMEDIATAMENTE SUCESSIVO, OU SEJA, À EVOLUÇÃO DA C.U.F. DE 1966 ATÉ AO “APAGAMENTO JURÍDICO” COMO PESSOA COLECTIVA, OPERADO EM 1997 PELA CRIAÇÃO DA QUIMIGAL – QUÍMICA DE PORTUGAL, E.P..
A REALIZAÇÃO DESSE TRABALHO FUNDAMENTOU-SE ESSENCIALMENTE NOS RELATÓRIOS E CONTAS DA EMPRESA, RAZOAVELMENTE DESENVOLVIDOS, E EM ALGUMAS NOTAS ADREDE RECOLHIDAS NOUTRAS FONTES.
SIMULTANEAMENTE, SOLICITOU-SE À ENGª. NATÉRCIA DIAS A ELABORAÇÃO DE CRONOLOGIAS PARALELAS PARA O “AMONÍACO PORTUGUÊS, S.A.R.L.” E PARA OS “NITRATOS DE PORTUGAL, S.A.R.L.”, SOCIEDADES TAMBÉM EXTINTAS POR FUSÃO NA QUIMIGAL,E.P.. ESSES TEXTOS, AINDA INÉDITOS, NÃO FORAM EDITADOS SOB FORMA ACTUALIZADA, ESPERANDO-SE A SUA RECUPERAÇÃO E EDIÇÃO LOGO QUE LOCALIZADOS.
O PRESENTE DOCUMENTO REPRODUZ ESSENCIALMENTE, E A MENOS DE PEQUENAS REORDENAÇÕES, O ESTADO DA INFORMAÇÃO NA EDIÇÃO DE 1993. DE FORMA IDÊNTICA À USADA NA “CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO” PROCUROU DAR-SE-LHE A SISTEMÁTICA SUBJACENTE ÁQUELA, E QUE ERA A SEGUINTE: ASSUNTOS GERAIS RELEVANTES / PRODUTOS QUÍMICOS PARA A INDÚSTRIA (INCLUINDO ÁCIDO SULFÚRICO E ACTIVIDADES MINEIRAS DIRIGIDAS À PIRITE) / METAIS NÃO FERROSOS (INCLUINDO CINZAS DE PIRITE) / ADUBOS (INCLUINDO U.F.A.) / PESTICIDAS / ÓLEOS E SABÕES / DETERGENTES / ALIMENTAÇÃO HUMANA E ANIMAL / ACTIVIDADE TÊXTIL / METALOMECÂNICA E ESTALEIRO / BANCA / CELULOSES, TINTAS, OUTRAS ACTIVIDADES INDUSTRIAIS / INVESTIGAÇÃO E ENGENHARIA / ORGANIZAÇÃO / INFRAESTRUTURAS TÉCNICAS / RECURSOS HUMANOS E ACTIVIDADES SOCIAIS. ADMITE-SE LOGICAMENTE A POSSIBILIDADE DE A CONSIDERAR AINDA COMO “TRABALHO ABERTO”, TRAZENDO-LHE A CONTRIBUIÇÃO, AINDA POUCO EXPLORADA, DAS ACTAS DE REUNIÕES E DOS BOLETINS DE INFORMAÇÃO EDITADOS QUER PELA EMPRESA, QUER, POSTERIORMENTE, PELAS O.R.T.’S (ORGANIZAÇÕES REPRESENTATIVAS DOS TRABALHADORES). ESSES COMPLEMENTOS SÃO, CERTAMENTE, UM TRABALHO A PROSSEGUIR EM BREVE, DENTRO DA EDIÇÃO DA “CRONOLOGIA GLOBAL”, ATRÁS REFERIDA.
FINALMENTE, DIR-SE-Á QUE EXISTEM DOIS COMPLEMENTOS PREVISTOS PARA DAR SEGUIMENTO A ESTA “CRONOLOGIA GLOBAL”: UM SERÁ A “CRONOLOGIA DA QUIMIGAL DESDE A QUIMIGAL E.P. (1977) À QUIMIGAL,S.A. (1991)”, OUTRO A “CRONOLOGIA DA QUIMIGAL DESDE A QUIMIGAL,S.A. (1991) À SUA REPRIVATIZAÇÃO E À CONSTITUIÇÃO DA C.U.F. – SGPS, S.A. (1997 / 1998)”. QUALQUER DESSES TEXTOS ESTÁ JÁ EM FASE ADIANTADA DE ELABORAÇÃO, AINDA QUE NUMA PRIMEIRA VERSÃO, TAMBÉM “ABERTA” E INCOMPLETA COMO ALIÁS É A DO PRESENTE TEXTO.

J. M. LEAL DA SILVA
LAVRADIO, JULHO DE 2002


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VERSÃO 1 (Jul.2002)

1965
Celebração do "Centenário da CUF".
  • Aumento do capital social da CUF para 1 milhão e 200 mil contos, por incorporação de reservas.
  • Construção de nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto ("Contacto 5", ustulando pirites e com capacidade de 500 t/dia de H2S04).
  • Remodelação total da fábrica de ácido clorídrico e sulfato de sódio.
  • Arranque de uma unidade produtora do pesticida "Zinebe" (etileno-bis-ditiocarbamato de zinco).
  • Instalação para formulação e embalagem de pesticidas.
  • Nova remodelação da fábrica de óleos alimentares.
  • Nova unidade de produção de sumos e néctares da Compal, em Almeirim.
  • Remodelação das instalações da instalações da Induve, em Luanda (Angola).
  • Modernização e ampliação da tinturaria textil.
  • Ampliação do fabrico de feltro de juta.
  • Participação da CUF, em associação com o grupo sueco Billerud e outras entidades nacionais, na constituição da Celbi Celulose Beira Industrial, empresa que tem como objecto a produção de celulose solúvel para exportação.
  • Nova remodelação das instalações portuárias do Barreiro (ponte-cais nº 2, permitindo navios até 15.000 tdw).
  • Inicia-se, através da “Norma”, a instrução programada aplicada à Indústria.
    1966
  • Falecimento de D. Manuel de Mello; sucede-lhe, como Presidente do Conselho de Administração da CUF, seu filho, Dr. Jorge de Mello.
  • São lançados empréstimos obrigacionistas para consolidação de financiamentos internacionais contraídos para cobertura do recente esforço de investimento.
  • "Arranque" da unidade produtora de ácido sulfúrico "Contacto 5".
  • A CUF participa na constituição da Sociedade Mineira de Santiago, que se destina à prospecção, pesquisa e exploração de pirites e outros minérios sul furados no Alentejo.
  • Entra em serviço a unidade produtora de tapeçarias de Ansião (investimento que fica completo em 1967).
  • É inaugurado, no Barreiro, um bairro de 204 fogos construído pela Federação das Caixas de Previdência e Habitações Económicas, em terreno cedido pela CUF.
    1967
  • Prossegue o plano de emissão de empréstimos obrigacionistas (no mercado nacional e internacional).
  • Anuncia-se a preparação de novo plano de investimentos "como necessidade imperiosa de renovação industrial".
  • Inicia produção a 3ª unidade de fabrico contínuo de sabão.
  • Refere-se o esforço de planeamento a médio e longo prazo, a avaliação económica dos vários sectores da Companhia, o esforço desenvolvido em vista à produção de informações e "a formação intensiva de gestores a que se está procedendo com a preciosa colaboração de entidade estrangeira de renome internacional".
    1968 + 1969
  • Falecimento do Eng. Eduardo Cândido Bravo Madail, primeiro director português das fábricas do Barreiro [faleceu aos 24 de Fevereiro de 1968; esta precisão e a correcção do ano de falecimento - anterior e erradamente indicado como 1967 - foram introduzidas em Janeiro de 2006].
  • Prossegue o programa de consolidação financeira.
  • Prossegue o estudo do novo plano de investimentos.
  • Prossegue o processo de reorganização interna e de avaliação de actividades.
    1970
  • Apresentação e discussão com entidades financeiras do novo plano de investimentos.
  • Arranca, no Barreiro, um forno mecânico para produção de ácido clorídrico e sulfatos alcalinos.
  • É ampliada a fábrica de sulfureto de carbono de Vila Nova de Gaia.
  • Os resultados da prospecção de pirites pela Sociedade Mineira de Santiago, na área de Aljustrel, "excedem as perspectivas iniciais"; a atenção dada aos potenciais desenvolvimentos mineiros leva a considerar que a zona industrial do Barreiro "pela sua localização e infra-estruturas torna-se particularmente indicada para aí se poderem desenvolver importantes complexos ligados à pirite e à indústria química pesada".
  • Entra em funcionamento, no Barreiro, o 5º forno da instalação de tratamento de cinzas de pirite.
  • No campo têxtil, entram em funcionamento as instalações de tapeçaria "tuft", uma nova tecelagem Sulzer, novas linhas de feltro, nova extrusão e tecelagem de ráfia de polipropileno; são, por outro lado, encerradas instalações não rentáveis, como a de cordoaria de sisal e de tapeçarias tubulares.
  • Em associação com um importante grupo brasileiro de supermercados, a CUF participa no capital da SUPA Companhia Portuguesa de Supermercados; encerra a despensa das Fontainhas (Lisboa).
  • São elaborados importantes estudos no contexto do despacho governamental sobre "Refinaria e Petroquímica em Portugal Metropolitano".
  • Ficam concluídos os trabalhos básicos de análise sobre a organização empresarial, "com o concurso de uma das mais conhecidas firmas mundiais da especialidade" (McKinsey).
    1971
  • Comemorações do 1º Centenário do Nascimento de Alfredo da Silva (Junho – Outubro), culminando com sessão solene e inauguração de novas instalações a 30 de Outubro, no Barreiro.
  • Entra em funcionamento, no Barreiro, uma nova unidade produtora de ácido clorídrico, com fornos mecânicos tipo Manheim, produzindo ácido clorídrico (33 500 t/ano) e sulfato de sódio (24 000 t/ano).
  • Entra em funcionamento, no Barreiro, uma instalação fabril produtora de sulfato de alumínio (6 000 t/ano).
  • Entra em funcionamento, no Barreiro; uma instalação fabril produtora de fosfato dicálcico (25 000 t/ano).
  • Em associação com a Imic, é criada a Interacid, empresa sediada na Suíça e especializada no comércio internacional de ácido sulfúrico, para reforço da posição da CUF nesse mercado.
  • Prosseguem os trabalhos de prospecção e pesquisa empreendidos, no Alentejo, pela Sociedade Mineira de Santiago.
  • A Siderurgia Nacional reduz drasticamente e interrompe o abastecimento do alto-forno do Seixal com cinzas de pirite purificadas ("purple-ore"), determinando excedentes e afectando todo o esquema integrado da "linha de transformação da pirite" no Barreiro .
  • Entra em funcionamento, no Barreiro, uma nova unidade produtora de adubos compostos granulados (225 000 t/ano).
  • A CUF concorre, com a SONAP, à nova refinaria e complexo petroquímico a instalar a sul do Tejo (Sines), constituindo a Petrosul.
    1972
  • Arranca a unidade produtora de ácido sulfúrico "Contacto 6", no Barreiro, com a capacidade de 625 t/dia H2S04 (228.000 t/ano), primeira unidade portuguesa com ustulação de pirites em fornos de turbulência (processo BASF -2 etapes) e com "catálise dupla".
  • A Sociedade Mineira de Santiago prossegue os seus trabalhos para completa definição da "importante jazida de pirites detectada" (Gavião) e acompanha ensaios no estrangeiro, visando o tratamento de pirites complexas.
  • A Sociedade Mineira de Santiago estabelece com dois grupos franceses (Peñarroya e BRGM) uma associação para prospecção e pesquisa de minérios numa zona a sul de Aljustrel [do que resultará, mais tarde, a descoberta de Neves-Corvo).
  • Não são ultrapassadas as dificuldades de colocação de cinzas de pirite purificadas na S.N., colocação que se considera "essencial para assegurar o necessário e desejado aproveitamento das pirites nacionais".
  • Face à conjuntura do negócio de superfosfatos, a assembleia geral da CIP -Companhia Industrial Portuguesa delibera a desactivação e desmantelamento das instalações de ácido sulfúrico e superfosfatos da Póvoa de Santa Iria.
  • Lançamento de estudos para um plano de investimentos em Angola, através da Comfabril, que inclui a produção de adubos simples e compostos (este plano não viria a ser concretizado).
  • Procede-se à reconversão das actividades têxteis industriais de fibras naturais para fibras sintéticas, quer na CUF quer nas suas associadas dentro do sector.
  • Completam-se os estudos para a produção de fibras acrílicas no Barreiro e procede-se à selecção do licenciador de processo, Mitsubishi Rayon.
  • No sector metalomecânico: criação da Mompor -Companhia Portuguesa de Montagens Industriais e cedência da posição na Feruni -Sociedade de Fundição, S.A.R.L. (a partir de 1972).
  • Participações na Petrosul e na CNP -Companhia Nacional de Petroquímica já estruturadas e "lançadas" nos investimentos em Sines.
  • Desenvolve-se a actividade comercial da Lusofane.
  • A CUF toma posição na Jomar - Cabos Eléctricos e Telefónicos, S.A.R.L. , posteriormente Cabelte.
    1973
  • No Barreiro, uma situação grave ligada a emissões anormais de gases pela fábrica de ácido sulfúrico "Contacto 5" determina a antecipação da grande reparação dessa unidade, com introdução de novos equipamentos de secagem e a montagem de um “lavador” anti-poluição para gases finais; nestas duas instalações foram aplicadas, com sucesso, novas concepções recém desenvolvidas pela firma alemã Lurgi, com base em sistemas “venturi”.
  • É requerida a instalação de uma unidade de ácido sulfúrico 1250 t/dia "dentro da política de oportuna substituição ou ampliação das fábricas de ácido sulfúrico do complexo do Barreiro" (não concretizada com essa capacidade), sem prejuízo do projecto de Sines.
  • Estuda-se o reforço de produção de sulfatos alcalinos.
  • Estuda-se o reforço da produção de sulfato de alumínio.
  • É concluída a avaliação das reservas na jazida descoberta pela Sociedade Mineira de Santiago na área de Aljustrel (Gavião); são concluídos estudos aprofundados, realizados no estrangeiro, sobre a melhor forma de valorizar a pirite complexa dessa jazida.
  • Concluem-se as negociações iniciadas em 1969 com os accionistas maioritários de Minas de Aljustrel, S.A. ; em consequência desse acordo constitui-se a sociedade Pirites Alentejanas, S.A. , com participações do Estado Português (45%), da CUF (45%) e dos interesses belgas (10%).
  • Em colaboração com a Sociedade Mineira de Santiago, estudam-se jazidas viáveis de sal gema e é formalizada a candidatura com a Uniteca para a prospecção e pesquisa do diapiro do Pinhal Novo.
  • Iniciam-se as operações de arranque da nova unidade para recuperação de óxido de zinco das lexívias residuais do tratamento de cinzas de pirite (processo Piritas Espafiolas).
  • Inicia-se o estudo de produção de peletes de óxido de ferro (procurando resolver o problema da colocação das cinzas de pirite purificadas e obtendo o tratamento integrado das pirites).
  • Realiza-se o estudo da recuperação de cobalto e cádmio das lixívias residuais do tratamento de cinzas de pirites.
  • Arranca a nova central de ensacamento, armazenagem e expedição de adubos.
  • Arranca a remodelação da fábrica de ácido fosfórico (purificação de efluentes).
  • Arrancam diversas alterações nas unidades de granulação de adubos.
  • Estuda-se a produção de fluoreto de alumínio.
  • Integrado nos planos desenvolvimento do Sector Químico, é estudado e proposto pela CUF para Sines um complexo químico adubeiro, com produção de 1000 t/dia de ácido sulfúrico, ácido fosfórico (300 t/dia P205) e. fosfato monoamõnico (600 t/dia), a que se juntam os pedidos da União Fabril do Azoto para a mesma localização "com o fim de substituir as fábricas que tem no Lavradio, já subdimensionadas e no termo da sua vida útil" (projecto não concretizado).
  • É solicitada pela Comfabril a montagem de um complexo adubeiro em Angola (não concretizado).
  • Estuda-se a produção de pesticidas semi-granulados.
  • A Fisipe, "joint-venture" constituída com o Grupo Mitsubishi, inicia a comercialização de fibras acrílicas, em lançamento pré produção.
  • As actividades de construção metalomecânica são deslocadas para a associada Equimetal, estabelecida para o efeito.
  • A optimização das condições energéticas locais, leva a CPE Companhia Portuguesa de Electricidade a decidir a montagem no Barreiro de uma central mista (energia eléctrica e vapor), em articulação com os consumos CUF e Fisipe.
  • Prossegue o estudo para a instalação da indústria petroquímica, através da CNP, em que a CUF participa.
  • É constituída no Brasil a Intercuf, visando a expansão de exportações da CUF; a Intercuf fica dotada de um terminal de ácido sulfúrico no porto de Santos.
  • Concluem-se no Brasil as negociações com o Grupo Ypiranga, com tomada de posições accionistas em actividades adubeiras naquele País.
  • Em associação com a "cadeia" francesa Jacques Borel, é constituída a Gertal.
  • É modificado o logotipo da CUF
    1974
  • É autorizada pelo Governo a montagem no Barreiro de uma nova unidade produtora de ácido sulfúrico, para 718 t/dia, utilisando inicialmente enxofre.
  • lnicia-se a construção de um novo forno mecânico para a produção de ácido clorídrico e sulfatos alcalinos.
  • Embora tenha havido uma retoma a ritmo sensivelmente reduzido [e efémera] dos fornecimentos de cinzas de pirite purificadas à Siderurgia Nacional (Seixal), encara-se a solução do problema latente através da realização de uma unidade de peletização.
  • Registam-se problemas de arranque, "por pioneirismo", na unidade de recuperação de óxido de zinco a partir das lixívias residuais do tratamento de cinzas de pirite [posteriormente, esta unidade será abandonada].
  • Desenvolvem-se as acções para integração na CUF da UFA - União Fabril do Azoto.
  • lnicia-se a produção, no Lavradio, de nitrato de amónio poroso.
  • É autorizada a realização de aumentos de capacidades de produção de adubos no Lavradio.
  • É autorizada a criação de um complexo adubeiro em Sines, ainda que envolvendo outras empresas.
  • Realizam-se diversos investimentos nas actividades de "texteis industriais" e de "texteis para o lar".
  • Desenvolve-se, no Barreiro, um programa anti-poluição.
  • O Estado concretiza medidas quanto aos sectores de refinação de petróleos e de petroquímica, em que se estabelece uma reestruturação com maioria estatal.
    1975
  • Nacionalização da CUF, com eficácia a 12 de Agosto, precedida pelas nacionalizações da Banca e Seguros, do sector mineiro e outras, com nacionalizações "indirectas" consequentes, produzindo a desarticulação da estrutura de Grupo.
  • Conclusão e apresentação ao Governo dos estudos e do plano de investimentos para 1976 / 1981.
  • Os estudos e o plano de investimentos para 1976 / 81 incluem uma instalação para a produção de 718 t diárias de ácido sulfúrico ("Contacto 7"), inicialmente a partir de enxofre.
  • Os estudos e o plano de investimentos para 1976 / 81 incluem uma nova fábrica de sulfato de alumínio (14 000 toneladas anuais).
  • Os estudos e o plano de investimentos para 1976 / 81 incluem uma instalação de purificação e peletização das cinzas de pirite "actualmente sem qualquer utilização".
  • Os estudos e o plano de investimentos para 1976 / 81 incluem a remodelação e ampliação da metalurgia do cobre para 5 300 t/ano.
  • Arranque da nova unidade de ácido fosfórico e de investimentos anti-poluição nas granulações 2, 3 e 4.
  • Os estudos e o plano de investimentos para 1976 / 81 incluem novas fábricas para amoníaco, ureia e adubos nitro amoniacais.
  • Previsão, em estudo, da localização no Norte de uma nova unidade de fabrico de rações (não concretizada).
  • Estudo das linhas de actividades para-químicas, no sentido de reconversão progressiva da divisão de texteis industriais, e de Química fina.
    1976
  • O Relatório da Comissão Administrativa assinala a nocividade, para a vida da Empresa, da permanência em situações de gestão provisória e da demora quanto a decisões governamentais.
  • É expressa preocupação quanto à transferência de acções do património CUF para entidades estatais.
  • Formulação pelo Governo das primeiras autorizações referentes ao Plano de Investimentos 1976 / 1961, mantendo-se por decidir o relativo ao "Projecto Adubos Azotados".
  • É entregue ao Governo o "Relatório Final da Comissão do Sector Adubeiro", surgindo dois cenários principais quanto à articulação das empresas nacionalizadas do sector (a integração "tout-court" ou "modelo Agroquímica", que virá a prevalecer com pequenas modificações como “Quimigal”, vs/ o prosseguimento sob uma "holding" comum ou "modelo Quimpor").
  • Denúncia do acordo societário na Interacid, por parte do associado suíço.
  • Inauguração das instalações produtoras de fibras acrílicas da Fisipe, no Lavradio.
  • Criação de uma Direcção de Novas Instalações, para prosseguir a realização física dos investimentos aprovados no Plano de Investimentos 1976 / 1961.
  • Previsão e início da realização de infra estruturas essenciais ao Plano de Investimentos 1976 / 1961.
  • Situação de litígio quanto à participação na empresa brasileira Isacuf.
    1977
  • Começa a construção duma instalação para a produção de 716 toneladas/dia de ácido sulfúrico no Barreiro (“Contacto 7”), iniciando a sua laboração a partir de enxofre elementar mas com possibilidade de posterior adaptação a gases provenientes da ustulação de pirites (adaptação não realizada).
  • Estuda-se a produção de oleum sulfúrico (que vinha a ser produzido no Contacto 5, desde o encerramento do Contacto 1) por instalação de um absorvedor tipo “Venturi” no "Contacto 7" [mas, embora aumentando a produção, mantendo inalterada a concentração produzida: 104,5 % H2SO4].
  • É concluída a nova unidade de produção de sulfato de alumínio.
  • Inicia-se a construção de uma instalação de produção de 342 000 toneladas de peletes de minério de ferro a partir de cinzas de pirite (unidade "Kowa-Seiko").
  • O Governo aprova a realização de uma instalação produtora de zinco metálico por recuperação do zinco contido nas lexívias residuais das instalações de tratamento e de peletização de cinzas de pirite.
  • Inicia-se a realização física da ampliação e remodelação da metalurgia de cobre para 5 300 t/ano.
  • Conclui-se a adaptação a sacos válvulas das centrais de ensacamento de adubos.
  • O Governo aprova o Projecto Adubos Azotados, visando a instalação no Lavradio de uma unidade produtora de amoníaco para 600 t/dia e a ampliação da unidade produtora de ureia; mas ainda sem concretizar a aprovação da unidade produtora de ácido nítrico igualmente solicitada.
  • São concluídas as seguintes instalações:
  • remodelação da extracção de óleos, em Alferrarede;
  • nova neutralização na fábrica de óleos do Barreiro;
  • nova instalação de saponificação contínua.
  • É concluída a nova unidade de fabrico de rações, no Barreiro.
  • A Fisipe inicia a sua produção normal, atingindo a sua capacidade nominal de produção.
  • Arranca, em Ansião, o primeiro tear "double-face"; é também concluída, em Ansião, a construção de novos edifícios para armazenagem.
  • Para aproveitamento do vapor produzido na nova unidade de ácido sulfúrico "Contacto 7" é aprovada a realização de uma central térmica na plataforma industrial do Barreiro.
  • Realizam-se estudos detalhados para os seguintes projectos:
  • produção de fibras de vidro;
  • produção de polióis;
  • produção de resinas de poliéster insaturadas;
  • É criada a Intercuf em Nova Iorque, dentro de uma política de estabelecimento de pontos de apoio de comercialização nos estrangeiro.
  • É concretizado o apoio técnico e de gestão às empresas localizadas em Angola (Comfabril, Induve e empresas satélites) e Moçambique (C.T.Pungué, Cicomo e Socaju).
  • Pelo Decreto-Lei nº 530/77, de 30 de Dezembro, a CUF é fundida com as sociedades também nacionalizadas Amoníaco Português e Nitratos de Portugal, criando a Quimigal Química de Portugal, E.P.

novembro 17, 2005

O Caso de Alfredo da Silva

Isabel Cruz,
A Química, A Indústria Química e o Seu Ensino em Portugal (1887-1907): O Caso de Alfredo da Silva
Chemistry, the Chemical Industry and Education in Portugal (1887-1907) : The Case of Alfredo da Silva

Comunicação apresentada à 4ª Conferência Internacional da História da Química, subordinada ao tema “Comunicações Sobre a Química na Europa Através de Fronteiras e de Gerações”, Budapeste, Setembro de 2003


http://www.triplov.com/isabel_cruz/alfredo/index.htm

http://www.triplov.com/isabel_cruz/alfredo_da_silva/index.htm



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novembro 16, 2005

Alfredo da Silva* - Equipa de Construção Fábricas do Barreiro 1908? – 1909


* Alfredo da Silva o 3 º sentado a contar da esquerda. Ao seu lado direito está o eng. construtor Pelet. Atrás de gabardina clara o secretário Abrão Anahory.
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novembro 15, 2005

O 1º Alvará da Fábrica Sol

Companhia União Fabril, Cronologia I _ 1ª parte

Companhia União Fabril, S. A. R. L.
C. U. F.

CRONOLOGIA CUF - I

“OS 100 ANOS DA C.U.F.”
(CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO)

REVISTA “INDÚSTRIA”
NR. 17, OUTUBRO 1965, PAGS. 3 – 33


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EM 1993 FOI ELABORADA PELO SIGNATÁRIO UMA CRONOLOGIA DA COMPANHIA UNIÃO FABRIL DIVIDIDA EM DUAS PARTES, OU SEJA, DESDE A FUNDAÇÃO AO CENTENÁRIO DA CUF (1865 – 1965) E DESDE O CENTENÁRIO ATÉ À CONSTITUIÇÃO DA QUIMIGAL E.P. (1966 – 1978).
A PRIMEIRA PARTE ESTAVA ESSENCIALMENTE APOIADA NO TEXTO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO, APRESENTADO NO Nº 17 DA REVISTA “INDÚSTRIA” - PUBLICAÇÃO TÉCNICA DA CUF QUE, NESSE NÚMERO E EM OUTUBRO DE 1965, INTERROMPIA DEFINITIVAMENTE A SUA PUBLICAÇÃO. TINHA-SE ACRESCENTADO ALGUNS APONTAMENTOS, RECOLHIDOS DE OUTRAS FONTES E O TEXTO, PROCESSADO EM “WORDSTAR 1512”, FOI DESDE INÍCIO CONSIDERADO “ABERTO” PARA PODER SER ENRIQUECIDO COM A INCLUSÃO DE NOVOS CONTRIBUTOS, À MEDIDA QUE FOSSEM SENDO OBTIDOS. A SEGUNDA PARTE APOIAVA-SE NOS RELATÓRIOS E CONTAS DA SOCIEDADE PARA OS EXERCÍCIOS INCLUÍDOS NO PERÍODO EM CONSIDERAÇÃO E MANTINHA A MESMA ORIENTAÇÃO DE “TEXTO ABERTO”.
SURPREENDEU A BOA RECEPÇÃO PROPORCIONADA POR ESTUDIOSOS DA CUF A UM EXERCÍCIO TÃO SIMPLES COMO ESTE, COM PEDIDOS DE CÓPIAS E REFERÊNCIA DESSAS CRONOLOGIAS EM BIBLIOGRAFIAS DE TRABALHOS REALIZADOS.
NO FIM DO ANO 2000 PROCEDEU-SE À PRIMEIRA TENTATIVA DE RECUPERAÇÃO EM “WORD” DO CORRESPONDENTE TEXTO, SÓ TOTALMENTE DISPONÍVEL EM SUPORTE-PAPEL. A TENTATIVA FOI REALIZADA COM RECURSO A UM “SCANNER”, MAS O DOCUMENTO FINAL SÓ VIRIA A SER ESTABILIZADO EM 2001-2002 POR ABSOLUTA FALTA DE TEMPO.
SURGIU NO ENTANTO UMA QUESTÃO A QUE HAVIA QUE RESPONDER: QUAL A CRONOLOGIA ORIGINAL DA REVISTA “INDÚSTRIA” AO TEMPO DO CENTENÁRIO? FOI PARA RESPONDER A ESSA QUESTÃO E DAR A ESSA CRONOLOGIA O SEU PAPEL PREPONDERANTE COMO FONTE HISTÓRICA QUE SE USOU A MESMA APROXIMAÇÃO VIA “SCANNER” PARA REPRODUZIR INTEGRALMENTE O TEXTO DA REVISTA.
É ESTE O QUE SE DÁ AQUI, COMO 1ª PARTE DE UMA CRONOLOGIA GLOBAL DA CUF. SENDO UMA TRANSCRIÇÃO TEXTUAL, O PRESENTE TEXTO SERÁ MANTIDO INALTERADO.
O TEXTO ANTERIOR, QUE EM MUITO REPRODUZ ESTE, ESTÁ JÁ FORMATADO EM “WORD” E SERÁ OPORTUNAMENTE ACRESCENTADO A ESTA SÉRIE, MANTENDO-SE COMO “TEXTO ABERTO” E CUMPRINDO ASSIM O SEU PROPÓSITO ORIGINAL.

J. M. LEAL DA SILVA
LAVRADIO, JULHO / AGOSTO DE 2002
VERSÃO ORIGINAL ( Transcr. Jul / Agosto 2002)

Companhia União Fabril, Cronologia I _ 2ª parte

“OS 100 ANOS DA C. U. F.”

CRONOLOGIA DO CENTENÁRIO

Revista INDÚSTRIA; 17 (Outubro de 1965), pags. 3 a 33


1865
«EU EL-REI REGENTE EM NOME DO REI FAÇO SABER QUE SENDO-ME PRESENTES OS ESTATUTOS COM QUE PRETENDE FUNDAR-SE EM LISBOA UMA SOCIEDADE ANONYMA DENOMINADA COMPANHIA UNIÃO FABRIL; VISTOS OS DOCUMENTOS PELOS QUAES SE PROVA A SUBSCRIÇÃO DO CAPITAL SOCIAL; VISTA A INFORMAÇÃO DO GOVERNADOR CIVIL DO DISTRICTO ADMINISTRATIVO DE LISBOA; VISTO O PARECER DO AJUDANTE DO PROCURADOR GERAL DA CORÔA JUNTO AO MINISTÉRIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMERCIO E INDUSTRIA: HEI POR BEM DAR A MINHA REGIA APPROVAÇÃO AOS ESTATUTOS, POR QUE DEVERÁ REGER-SE A COMPANHIA UNIÃO FABRIL, OS QUAES NOS TERMOS DO ARTIGO QUINHENTOS TRINTA E NOVE DO CODIGO COMMERCIAL FORAM REDUZIDOS A INSTRUMENTO PÚBLICO, CONSTAM DE CINCO CAPÍTULOS E QUARENTA E DOIS ARTIGOS E BAIXAM COM ESTE ALVARÁ ASSIGNADOS PELO MINISTRO E SECRETARIO D'ESTADO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INDUSTRIA, E BEM ASSIM DAR POR CONSTITUIDA A MENCIONADA COMPANHIA PARA QUE POSSA DESDE JÁ DAR COMEÇO ÁS SUAS OPERAÇÕES, FICANDO SUJEITA A REGISTAR O INSTRUMENTO DO SEU CONTRACTO DE THEOR E NÃO POR EXTRACTO NO REGISTRO PUBLICO DO COMMERCIO, NOS TERMOS DO ARTIGO QUINHENTOS E QUARENTA DO CODIGO COMMERCIAL; COM A EXPRESSA CLAUSULA DE QUE ESTA MINHA REGIA APPROVAÇÃO LHE PODERÁ SER RETIRADA LOGO QUE SE DESVIE DOS FINS PARA QUE É INSTITUIDA, NÃO CUMPRA FIELMENTE OS SEUS ESTATUTOS OU DEIXE DE REMETTER ANNUALMENTE Á DIRECÇÃO GERAL DO COMMERCIO E INDUSTRIA O RELATORIO E CONTAS DA SUA GERENCIA. PELO QUE MANDO A TODOS OS TRIBUNAES, AUTORIDADES E MAIS PESSOAS A QUEM O CONHECIMENTO D'ESTE MEU ALVARÁ COMPETIR, QUE O CUMPRAM E GUARDEM E FAÇAM CUMPRIR E GUARDAR TÃO INTEIRAMENTE COMO N'ELLE SE CONTÉM. PAGOU DE DIREITOS DE MERCÊ E IMPOSTO DE VIAÇÃO TRINTA E NOVE MIL E SEISCENTOS RÉIS, COMO CONSTA POR UM CONHECIMENTO SOB NUMERO TREZENTOS DEZESEIS PASSADO NA REPARTIÇÃO DO SELLO E RECEITA EVENTUAL EM QUATRO DE SETEMBRO ULTIMO. E POR FIRMEZA DO QUE DITO É, ESTE VAE POR MIM ASSIGNADO E SELLADO COM O SELLO DAS ARMAS REAES E COM O DA CAUSA PUBLICA. DADO NO PAÇO AOS TRES D'OUTUBRO DE MIL OITOCENTOS SESSENTA E CINCO.
SELLO DAS ARMAS REAES.
REI REGENTE
CONDE DE CASTRO
ALVARÁ PELO QUAL VOSSA MAGESTADE HA POR BEM APPROVAR OS ESTATUTOS DA COMPANHIA UNIÃO FABRIL, E DAL-A POR CONSTITUIDA PARA DAR COMEÇO ÀS SUAS OPERAÇÕES, TUDO PELA FÓRMA RETRÓ DECLARADA.
PARA VOSSA MAGESTADE VER.
PASSOU-SE POR DECRETO DE TRINTA
D'AGOSTO DE MIL OITOCENTOS E SESSENTA E CINCO.
LOGAR DO SELLO DA CAUSA PUBLICA.
PAGOU TRINTA MIL RÉIS DE SELLO EM 4 DO CORRENTE.-
LISBOA, 5 DE OUTUBRO DE 1865 - Nº 102 -
VINHA - RODRlGUES.
ANTONIO JOSÉ JORGE, O FEZ
REGISTADO A FL. 1 Vº. DO 1º 2º DE SIMILHANTES. MINISTERIO DAS OBRAS PUBLICAS, COMMERCIO E INDUSTRIA, 6 DE OUTUBRO DE 1865.
ANTONIO JOSÉ JORGE. “

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FOI DESTE SIMPLES ALVARÁ, IGUAL A MUITOS OUTROS, QUE RESULTOU O PRIMEIRO EMPREENDIMENTO INDUSTRIAL QUE TRANSPORTOU O PAÍS ÀS DIMENSÕES DO MUNDO MODERNO.
NÃO SE TRATOU PORÉM APENAS DE UM PROBLEMA DE EXTENSÃO, MAS PRINCIPALMENTE DE UMA REFORMA DE MENTALIDADE, NUM SENTIDO DE CONFIANÇA NA CAPACIDADE CRIADORA DA NAÇÃO, QUE ABRIU PERSPECTIVAS DE ÂMBITO INTEIRAMENTE NOVO À INDUSTRIALIZAÇÃO NOS ÚLTIMOS CEM ANOS.
FOI DESTE ALVARÁ QUE NASCEU A C. U. F. DE HOJE, MAS TAMBÉM SE PODE DIZER, SEM RECEIO DE FALTAR À VERDADE, QUE FOI O EXEMPLO DO ÊXITO ALCANÇADO PELOS HOMENS QUE A FUNDARAM E QUE A CONTINUARAM, ATRAVÉS DA SUA CORAGEM E DA SUA TENACIDADE, QUE IMPULSIONOU NOVAS IDEIAS E NOVAS INICIATIVAS ÀS QUAIS SE DEVE A EXPANSÃO DO PROGRESSO INDUSTRIAL PORTUGUÊS.
A HISTÓRIA DA C. U. F. NÃO É, POR ISSO, APENAS A HISTÓRIA DO CRESCIMENTO DE UMA EMPRESA, NUMA SIMPLES SUCESSÃO DE DATAS E DE ACONTECIMENTOS, MAS CONSTITUI EM SI UM DOCUMENTO DE VALOR NACIONAL NO SEU CONTEÚDO E NA SUA PROJECÇÃO.
E É AO SIMBOLISMO DESTE DOCUMENTO QUE SÃO DEDICADAS AS PÁGINAS SEGUINTES, NUMA VISÃO SINTÉTICA DO QUE FORAM CEM ANOS DE PERSISTÊNCIA E DE CONTINUIDADE.

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A GÉNESE DE UMA GRANDE EMPRESA

Concedido o alvará em 1865 à Companhia União Fabril, cujo capital inicial era de 200 contos de réis, começou a sua actividade, tendo por finalidade «...o fabrico de sabão e sabonetes de todas as qualidades, velas de estearina, óleo de purgueira e todos os mais óleos já conhecidos ou que venham a descobrir-se e o comércio de todos estes produtos, e bem assim o fabrico e comércio do tabaco...».
Não foi sem grandes dificuldades que esta empresa entrou no mercado português, a ponto de em 1872, um ano após a morte do seu fundador, o Visconde da Junqueira, ter sido apresentada uma proposta de liquidação da Fábrica, para evitar a falência.
E, apesar de em 1875 a entrada do Conde de Burnay para o Conselho de Administração ter salvo a empresa pela sua contribuição pessoal e pelos suprimentos do Visconde de Gandarinha, em 1890 as dificuldades continuavam a surgir.
Situação análoga se verificava com a Companhia Alliança Fabril, Limitada, que tinha actividades afins mas que conseguiu manter-se à custa do impulso que lhe foi dado por Alfredo da Silva, Director do Banco Lusitano, de quem era devedora.
Em 1894, o Conselho de Administração desta Companhia tinha a seguinte constituição:
Administradores efectivos:
Manuel Carlos de Freitas Alzina
Eduardo Serrão Franco
Alfredo da Silva, gerente
Administradores substitutos:
António Telles Machado Júnior
João da Motta Gomes Júnior
Ernest Driesel Shroeter
Não obstante o prestígio que a Companhia União Fabril já tinha alcançado ao ser premiada na Exposição Universal de Paris de 1878, a situação económica das duas Companhias afins mantinha-se precária e, por isso, impunha-se uma acção de envergadura capaz de lhes dar aquela solidez indispensável à sua projecção no meio nacional.
Coube a Alfredo da Silva essa acção. E, pelas repercussões que dai advieram, o País não pode deixar de ter para com ele um sentimento de profunda gratidão.

ALFREDO DA SILVA E A COMPANHIA UNIÃO FABRIL

Foi em 1898 que Alfredo da Silva tomou a decisão de efectuar a fusão da Companhia União Fabril, cuja fábrica se situava no Largo das Fontainhas, com a Companhia Alliança Fabril, a que pertencia a Fábrica Sol, constituindo-se deste modo a actual Companhia União Fabril, a qual nasceu num ambiente de expansão e de progresso.
Assim, o Capital Social é elevado para 500 contos de réis e os Estatutos iniciais são reformados com vista ao alargamento dos seus domínios de actividade.

«...a) extracção e preparação de oleos de qualquer especie e natureza;
b) exploração das industrias do sabão, vélas e quaesquer outras industrias;
c) exercer commercio de quaesquer matérias-primas ou productos manufacturados;
d) adquirir e explorar concessões, privilegios e estabelecimentos industriaes ...»
(Diário do Governo de 22 e 23-4 de 1898)

Três dias após a fusão das duas Empresas, Alfredo da Silva manda construir nas Fontainhas uma Fábrica de Adubos Compostos; e, ainda nesse ano, é publicada a circular de 28 de Novembro, na qual se comunica:

«... A Companhia União Fabril está habilitada a fornecer a começar em Dezembro de 1898, aos seus estimaveis freguezes, os adubos elementares: como o nitrato de sodio, superphosphato a 12 e a 18% , o phosphato de Thomas, ou escorias de phosphoração, a 15% , finamente triturados, e o sulfato de ammonio, o chloreto e sulfato de potassio, o kainite, o gesso e o sulfato de ferro; os adubos compostos com formulas escolhidas em relação aos terrenos, tendo adubos já preparados para terrenos de barro, de areia, calcareos, de schistos e de granito e para as culturas especiaes do trigo e outros cereaes, da vinha, da batata e da fava e outras leguminosas de grande cultura; os bagaços simples de purgueira e os bagaços preparados, enriquecidos nos seus elementos nobres e representando o ideal do adubo composto, isto é a riqueza mineral, junta á riqueza organica...»

A elevada qualidade de produção da Companhia União Fabril ficou rapidamente patenteada ao obter em 1904 um primeiro prémio, Diploma de Honra e Medalha de Ouro na Exposição Industrial do Porto e um «Grand Prix», duas medalhas de ouro e uma de prata na Exposição Internacional de S. Louis.
O Capital da Companhia neste ano já se tinha elevado para 700 contos de réis.
Outro acontecimento decisivo foi a aquisição em 1906 de um grupo de terrenos e armazéns ao sul do Tejo, onde se instalaram as primeiras fábricas de produtos químicos do Barreiro. Ainda nesse mesmo ano, foi adquirida, em Alferrarede, uma Fábrica de Azeite.
Constroem-se em 1907 as primeiras fábricas do Barreiro e em relação a este facto o relatório do Conselho de Administração relativo a esse ano exprime-se do seguinte modo:

«...uma obra cuja importancia e rapido desenvolvimento, excedem o que é de normal no nosso paiz.
Pela forma como os estudos das construcções das referidas fabricas teem sido encaminhados, pelo plano e systema a que obedecem... o grupo de estabelecimentos no Barreiro, constituirá uma das mais poderosas unidades fabris do paiz ... das mais aperfeiçoadas e nas condições mais vantajosas de producção, da Europa, para as diversas especies de adubos e productos chimicos. ..»

Em 1908 inicia-se a actividade fabril do Barreiro com o arranque de uma instalação de extracção descontínua de óleo de bagaço de azeitona por sulfureto de carbono, valorizando-se assim um subproduto pobre do fabrico de azeites. Este óleo destinava-se ao fabrico de sabão e à exportação.
Nesse mesmo ano, constroem-se as primeiras fábricas de superfosfatos e ácido sulfúrico; adquire-se a «Companhia de Tecidos Alliança», produtora de tecidos de juta e de linho, com o objectivo de fabricar embalagens para os superfosfatos; monta-se a primeira central de energia eléctrica com a potência de 25 Kw.
Também nesse ano se edifica o primeiro Bairro destinado aos operários do Barreiro, os quais passam a dispor também de serviços médicos. Relativamente a esta realização, o relatório do Conselho de Administração desse ano pronuncia-se do seguinte modo:

«. ..Não nos esquecemos, como nos cumpria, do interesse que a todas as administrações como a nossa, deve merecer o seu pessoal, construindo bairros operarios nas novas fabricas, e tornando extensivo para ellas os serviços medicos e de soccorros que funccionam em Lisboa...»

Os anos seguintes foram anos de rápida expansão, com a primeira fábrica de superfosfatos e a produção de niveína em 1909, com a entrada em funcionamento do Cais do Barreiro em 1910, com a lixiviação dos resíduos de pirite e a instalação da Fábrica de Sabão do Freixo em 1911, com o fabrico de ácido clorídrico e sulfato de sódio e o inicio da actividade metalo-mecânica em 1912 e com a fabricação de sulfato de cobre em 1913.
A importância desta expansão é assinalada no relatório do Conselho de Administração relativo ao exercício deste ano, no qual se afirma:

«... É consideravel o augmento de venda que os productos das nossas fabricas no Barreiro têm tido, quer no mercado interno, quer no externo pela exportação, devido principalmente á preferencia que os nossos superphosphatos têm grangeado sobre todos os productos similares da concorrencia, quer nos mercados portuguezes, quer nos mercados para onde efectuámos exportação...»

A Grande Guerra de 1914-1918 veio afectar fortemente a actividade das fábricas, criando um período de dificuldades crescentes, devidas ao aumento do custo das matérias-primas, à dificuldade de obtenção de combustíveis, à desvalorização da moeda e à carência de transportes.
Apesar disso, a vitalidade da Companhia União Fabril foi suficientemente forte para ultrapassar os acontecimentos e lançar as bases definitivas que a transformaram naquela Empresa moderna e progressiva que hoje é.

A C. U. F. NO MODERNO MUNDO INDUSTRIAL

As graves dificuldades nacionais não terminaram com o fim da Guerra, mas prolongaram-se durante mais alguns anos em consequência da crise política e económica do País, agravada pela inflacção.
No entanto, pode dizer-se que o ano de 1919 marca o início de uma brilhante fase de consolidação que se pode sintetizar nas seguintes grandes linhas gerais:

Garantindo o abastecimento em matérias-primas, no aspecto produção e transporte.
Promovendo e consolidando os meios financeiros necessários ao desenvolvimento das actividades.
Aperfeiçoando processos.
Ampliando e remodelando instalações.
Alargando o domínio dos sectores já existentes, pela introdução de novos produtos.
Criando novas fontes de trabalho.
Providenciando pela promoção social dos trabalhadores.

Esta fase estendeu-se até 1948, ano em que se iniciou um processo de sectorização da Companhia por actividades, em consequência. da complexidade crescente da sua exploração.
Dois factos principais assinalam o começo deste período de consolidação:

· Reformam-se os Estatutos, alargando os objectivos da Companhia que passam a abranger indústrias transformadoras, comércio, transportes e indústria extractiva. O Capital social é fixado em dois mil contos-ouro.
· A Companhia participa na constituição da «Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda», que em 1922 inicia a sua actividade no domínio dos transportes marítimos.
A Companhia passa assim a dispor de meios nacionais para o seu abastecimento de matérias-primas.

A partir deste ano, as novas realizações sucedem-se de forma quase ininterrupta, numa sequência em que raros são os anos que não possam ser tomados como marcos de referência.
1921
· As necessidades de criar uma ferramenta financeira própria, dado o seu volume de negócios e as suas relações com o mercado interno e externo, levam a Companhia a participar na gerência da Casa José Henriques Totta, Lda., entrando assim no domínio da actividade bancária.
· Constitui-se a Sociedade «António da Silva Gouvêa, Lda.», em que a Sociedade Geral toma parte e que se destina ao desenvolvimento do comércio na Guiné.
Fomenta-se, deste modo, a cultura das oleaginosas naquela província, para abastecimento da Metrópole em matéria-prima da indústria dos óleos alimentares, de grande importância em face das contingências a que está sujeita a indústria do azeite.
1922
· Monta-se uma oficina de cordoaria mecânica, dedicada em princípio ao fabrico de cordas para fragatas.
A instalação é complementada em 1925 por uma cordoaria manual, em que se trabalha matéria-prima não adaptável ao equipamento mecânico existente.
· A Sociedade Geral inicia a sua actividade no domínio dos transportes marítimos, com uma frota de 6 unidades e uma tonelagem total de cerca de 21 000 tdw.

1923
· Instala-se no Barreiro a primeira unidade para moagem de enxofre, produto utilizado para o combate ao oídio das videiras.
1925
· Por novo alvará concedido à Companhia, alarga-se a actividade metalo-mecânica, permitindo a instalação no Barreiro de oficinas de fundição e caldeiraria, quer para apoio local indispensável às Fábricas, quer para dar eficiente assistência à frota da Sociedade Geral.
· O desenvolvimento da produção de sulfato de cobre criou a necessidade dê se obter cobre de novas origens, o que leva à instalação de uma unidade de fusão e refinação.
Esta é a primeira instalação portuguesa de metalurgia de cobre e o núcleo da futura Metalurgia dos Metais Não-Ferrosos do Barreiro.
· Na fábrica das Fontainhas faz-se a remodelação da refinação de óleos comestíveis.
1926
· Instala-se no Barreiro a primeira unidade de cloruração e sinterização de cinzas de pirite, tornando-se possível não só extrair-Ihes o cobre como ainda torná-las utilizáveis para a produção do ferro.
Deste modo, a matéria-prima pirite, utilizada na produção de ácido sulfúrico, tem um aproveitamento mais completo, permitindo a exportação de algumas centenas de milhares de toneladas de resíduos, invendáveis sem esta transformação industrial.
A nova unidade é a primeira do seu género no País.
1927
· Constitui-se «A Tabaqueira, S. A. R. L.», a quem é dada concessão para explorar a indústria de tabacos. No capital social tomam participação maioritária (no conjunto) a Sociedade Geral e a Casa José Henriques Totta, Lda.
Reinvestem-se deste modo resultados da exploração industrial.
· Com vista ao aumento de produção de superfosfatos, começa a realizar-se no Barreiro um plano de ampliação e remodelação das instalações.
Projectam-se novas fábricas de ácido sulfúrico e incrementa-se a actividade têxtil.
A dimensão prevista para o fabrico de superfosfatos permitirá baixar os custos de produção e atender uma procura crescente.
· Constrói-se a Escola Primária, destinada aos filhos do pessoal da Companhia.
1928
· Entram em laboração duas novas unidades de produção de ácido sulfúrico – as fábricas número 5 e número 6 de câmaras.
· No domínio dos têxteis, aborda-se uma nova actividade: a fiação de juta. Até esta data, o fio destinado à tecelagem era importado.
A matéria-prima juta tem deste modo um maior valor acrescentado, pela incorporação de mais trabalho nacional na sua laboração.
Marca-se assim o início de um período de grande expansão do sector têxtil da Companhia.
· Aumenta para 2 200 Kw a potência da central de energia eléctrica do Barreiro, que era de 1 000 Kw desde 1924.
· A produção de vapor (16 t/h em 1924) sobe também para 32 t/hora.
1929
· Conclui-se uma nova instalação de produção de sulfato de cobre, passando a capacidade de 20 para 50 t/dia.
· Entra em laboração uma fábrica de azeite em Mirandela, que vem alargar as possibilidades de valorização de um produto da agricultura regional.
1930
· A tecelagem de juta é instalada num novo edifício, para onde é transferido o equipamento existente.
Monta-se, além deste, novo equipamento, que vem aumentar consideravelmente a capacidade de produção.
· Constrói-se a ponte número 2 no Cais do Barreiro, que começa a funcionar com dois guindastes e que permite a acostagem de vapores até 1 500 t, evitando a descarga ao largo, bastante onerosa.
· Inicia-se a metalurgia do chumbo, aproveitando as lamas de sulfato de chumbo das fábricas de câmaras.
1932
· Começa a transferir-se para o Barreiro a tecelagem de juta e o fabrico de tapetes e passadeiras da Fábrica do Rato, que em 1933 cessa a sua actividade.
Concentra-se, deste modo, numa mesma zona das Fábricas do Barreiro a actividade têxtil da Companhia, que continua em expansão para corresponder às necessidades da clientela e da própria Companhia.
1934
· Para apoio à Indústria Química, em particular de ácido sulfúrico, a fundição é muito ampliada, instalando-se em edifício próprio, em conjunto com a oficina de mecânica.
· O desenvolvimento de produção de óleo de mendobi torna inviável a continuação da laboração na fábrica das Fontaínhas.
Por isso começa a preparar-se a instalação desta actividade no Barreiro.
Esta medida tem ainda a seu favor o facto de o óleo se destinar, na sua maior parte, às fábricas de conservas de Setúbal e do Algarve.
· Para fazer face ao aumento de consumo de energia eléctrica, inicia-se no Barreiro a montagem de uma central Diesel de 3 600 CV, cuja potência é ampliada em anos seguintes para 6 100 CV.
1935
· Instituem-se as reformas graciosas ao pessoal.
1937
· Amplia-se e remodela-se a fábrica de óleos industriais das Fontaínhas, onde se instalam nove prensas inglesas de grande produção.
· É adjudicada à Companhia a exploração das oficinas e docas do porto de Lisboa, prova de confiança na energia e espírito de iniciativa de Alfredo da Silva, que orienta agora a actividade do único estaleiro naval de importância no País, ao tempo explorado por estrangeiros.
· Funda-se o Grupo Desportivo da C. U. F. .
1938
· O movimento do cais obriga à construção de uma terceira ponte, esta de madeira, que entra em serviço com dois guindastes.
1939
· Dentro do princípio de renovação metódica das instalações, para evitar a sua depreciação e acompanhar os progressos da indústria, monta-se no Barreiro o novo forno para aços eléctricos, destinados a abastecer o mercado nacional, evitando demoradas e: dispendiosas importações.
· Faz-se a remodelação das saboarias de Lisboa, Porto e Barreiro, com substituição das caldeiras de fogo directo por caldeiras a vapor, o que vem baixar sensivelmente os custos de produção.
· Encontra-se renovado o equipamento dos estaleiros navais do Porto de Lisboa, após importantes trabalhos de reconstrução em todas as oficinas.
A partir desta data, a actividade toma um incremento extraordinário, quer na construção e reparação de unidades da frota nacional, quer ainda na reparação de navios da frota militar durante a guerra, em que desempenha papel de grande relevo.
· A frota da Sociedade Geral já conta com 18 unidades e uma tonelagem global de 94 000 tdw.
1940
· Funda-se a Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia União Fabril e Empresas Associadas, em cujo esquema se integram benefícios já em grande parte concedidos pela Companhia.
1942
· Morte de Alfredo da Silva.

Assume a presidência do Conselho de Administração o Sr. D. Manuel de Mello.

· Funda-se a Companhia de Seguros Império, com a participação da Companhia, que providencia, assim, pelos seus próprios meios, para o seguro das suas empresas e dos seus trabalhadores.
· Para a extracção de ouro e prata das lamas provenientes do fabrico de sulfato de cobre e ainda para o tratamento de minérios auríferos da Lousã, entra em funcionamento uma pequena instalação, que será mais tarde remodelada e ampliada para aproveitamento de outros metais.
· Em face das necessidades da Lavoura nacional em superfosfatos concentrados, a Companhia obtém autorização para a instalação de uma fábrica de ácido fosfórico, que será a primeira unidade instalada no País.
1943
· Entram em laboração as novas fábricas de extracção de óleo de bagaço, de Soure e Canas de Senhorim.
· Cria-se no Barreiro o Serviço de Medicina no Trabalho.
1944
· As dificuldades de abastecimento em cobre destinado à fábrica de sulfato e mais tarde ao desenvolvimento da indústria de cobre electrolítico levam a Companhia a organizar e financiar a Empresa do Cobre de Angola, cujo objectivo imediato é o estudo e prospecção das áreas cupríferas da província de Angola.
· Criam-se os Campos de Férias e o Infantário número 1.
1945
· A Caixa de Previdência da C. U. F. e Empresas Associadas inaugura o Hospital «C. U. F.».
1946
· A oficina de Mecânica do Barreiro é ampliada e ocupa novas instalações.
Produzem-se aços inoxidáveis e refractários, de especial interesse para a indústria do ácido sulfúrico.
1947
· Para a produção do solvente necessário nas unidades de extracção de óleo de bagaço, adquire-se a fábrica de sulfureto de carbono, em Vila Nova de Gaia.
· A C. U. F. inicia a sua actividade no domínio dos produtos farmacêuticos, representando os produtos da I. C. I. e criando, para isso, a «Secção de Produtos Farmacêuticos».

Companhia União Fabril, Cronologia I _ 3ª parte

O AGRUPAMENTO POR ACTIVIDADES E O ALARGAMENTO DOS DOMÍNIOS DE EXPANSÃO

A diversificação e a expansão dos diferentes domínios de desenvolvimento anterior conduziram progressivamente à definição de um certo número de actividades fundamentais, integradas na própria C. U. F. ou individualizadas em empresas associadas.
Essas actividades, que surgiram com consequência lógica das grandes linhas de desenvolvimento da Companhia, cobrem um extenso campo de acção que engloba:

Produtos químicos de base
Metais não ferrosos
Adubos e Pesticidas
Óleos, Sabões, Detergentes e Indústrias alimentares
Têxteis
Metalo-mecânica
Navegação
Construção naval
Banco
Seguros
Tabaco
CeIulose
Tintas
Plásticos
Produtos farmacêuticos
Investigação e “Engineering”
Organização e Estudo de Mercados.

Não é fácil descrever a evolução independente destas actividades, não só pelo paralelismo do seu desenvolvimento como também pelas variadas interligações entre elas existentes.
Por isso adoptar-se-á uma ordem cronológica que dará uma ideia mais completa sobre a maneira como essa evolução se processou.
Além disso far-se-á referência, quando houver interesse, às infra-estruturas indispensáveis ao desenvolvimento destas actividades.
1948
· Entra em laboração uma nova fábrica de ácido sulfúrico pelo processo de câmaras.
· Inicia-se, no Barreiro, a produção de silicato de sódio a partir de sulfato de sódio.
· Integrada no plano de fabricação nacional de sulfato de amónio, para reduzir a importação deste produto e para fazer face ao aumento de consumo nacional, constitui-se a «União Fabril do Azoto, S. A. R. L.», em que a Companhia tem uma participação importante.
O sulfato de amónio será produzido numa fábrica localizada no Barreiro, utilizando amoníaco electroquímico produzido numa instalação em Alferrarede.
· O sucessivo desenvolvimento do Estaleiro Naval leva a um aumento sensível de actividade, que se apresenta, neste ano, cerca de cinco vezes superior à de 1937.
1949
· A «Empresa do Cobre de Angola» instala um forno de cuba no Mavoio, para a fusão local dos minérios para cobre negro, a ser refinado no Barreiro, e inicia a extracção de minérios de cobre de alto teor.
· Entra em laboração um novo complexo de produção e concentração de ácido fosfórico, destinado à produção de superfosfatos concentrados que a Companhia apresenta no mercado pela primeira vez no País e em grande parte destinados à exportação.
· É notável o incremento sofrido pela frota principal da Sociedade Geral, que é agora constituída por 39 navios, com uma tonelagem de cerca de 210 000 tdw.
Com efeito, no período do após guerra, a Sociedade Geral intensifica a sua actividade no sentido de renovar a frota, constituída, na sua maior parte, por navios velhos, já gastos e anti-económicos (87% da tonelagem com mais de 20 anos em 1939), chegando a 1949 com cerca de 50% da tonelagem correspondente a navios com menos de 5 anos.
· Ampliam-se as instalações portuárias do Barreiro, com a construção de uma nova ponte-cais, equipada com três guindastes fabricados na Companhia.
1950
· Começa a produzir-se ácido sulfúrico utilizando, pela primeira vez no País, o processo de contacto.
· A instalação de produção de ácido clorídrico, com fornos manuais, é substituída por uma fábrica com um forno mecânico do tipo Manheim, que é o primeiro deste tipo instalado no País.
· Entra em funcionamento a primeira unidade de granulação de adubos. Aparecem no mercado do País os primeiros adubos granulados de fabrico nacional.
A unidade de produção de superfosfato simples, tecnicamente desactualizada, é remodelada, com a instalação de uma nova fábrica de funcionamento contínuo.
· Instala-se, no Barreiro, uma unidade de produção de “standóleos” e óleos soprados de linhaça, para o fabrico de tintas e revestimentos.
· Esboça-se o começo de um novo período de investimentos na actividade têxtil da Companhia, justificado pela necessidade de renovar o equipamento, e adaptar a capacidade de produção ao crescimento contínuo dos mercados.
Esta remodelação é iniciada na fiação de juta, com aumento da respectiva capacidade de produção.
· Inaugura-se o refeitório número 2, para ampliar a capacidade do refeitório número 1.
1951
· Entra em funcionamento uma nova fábrica de câmaras para produção de ácido sulfúrico.
· A Metalo-Mecânica incrementa a sua actividade com o início dos fornecimentos para o mercado nacional.
· O desenvolvimento da «Secção de Produtos Farmacêuticos», representando agora novos laboratórios de grande importância, leva à constituição de uma nova Sociedade, a «UNIFA -União Fabril Farmacêutica, S. A. R. L.».
1952
· Arranca uma nova instalação de ácido sulfúrico por contacto, com a capacidade de 100 t/dia, que vai abastecer a fábrica de sulfato de amónio da «União Fabril do Azoto».
· Entram em laboração as fábricas da «União Fabril do Azoto», com as capacidades de 34 t/dia de amoníaco e 40 000 t/ano de sulfato de amónio.
· A instalação de sublimação de enxofre é remodelada, substituindo-se o sistema de aquecimento de carvão para nafta.
· Na fábrica de óleos alimentares, faz-se a montagem de uma unidade de extracção continua por hexana («De Smet» ), do modelo mais moderno e eficiente então existente e em substituição do antigo processo por meio de prensas hidráulicas.
1953
· A fábrica nº 1 de ácido sulfúrico por contacto é remodelada, passando a produzir também oleum sulfúrico.
· Instala-se no Barreiro uma unidade de sinterização para mates ustulados e para materiais cupríferos finos para refinação posterior.
· A metalurgia do chumbo é dotada de uma unidade de electrólise, que é a primeira no género do País.
Nesta instalação usa-se, como electrólito, ácido hidrofluosilícico recuperado da fabricação de superfosfato, processo resultante de trabalhos de investigação próprios, realizados neste domínio.
· A «Empresa do Cobre de Angola» procede ao levantamento aéreo de 30 000 km2 da concessão (1951-53).
No Mavoio, instala uma nova unidade de briquetagem para o aproveitamento de minérios finos.
· Efectua-se a conversão da Casa Bancária em «Banco José Henriques Totta, S. A. R. L.».
· Em virtude da necessidade da existência de um órgão central que, no Barreiro, desse assistência aos Centros de Estudo, cria-se um novo Serviço, denominado «Estudos e Projectos», que viria a ser o gérmen do futuro Centro de Investigação.
A par da assistência que presta aos Centros de Estudo, este Serviço dedica-se também ao estudo de problemas de ordem geral (poluição, corrosão, etc.) e satisfaz ainda outro objectivo de grande importância: a formação, em contacto com a actividade fabril, de elementos capazes de serem integrados num futuro organismo de Investigação.
· Efectua-se a remodelação do Controle Analítico, com a criação de um novo Laboratório Central.
· Instala-se uma nova central para produção de energia eléctrica e vapor, nas fábricas do Barreiro.
1954
· Na instalação de tratamento de cinzas (por lixiviação) começam a usar-se tambores para a
precipitação mecânica do cobre; esta instalação, que é a primeira do género no País, substitui o anterior processo estático (por meio de rigolas).
· A instalação de metalurgia do cobre por fusão e refinação é completamente remodelada.
A nova unidade permite tratar qualquer tipo de matéria-prima contendo cobre em quantidade economicamente recuperável. Deste modo, passa a ser possível o tratamento de matérias-primas de baixo teor, com maior incorporação de trabalho nacional.
· Remodela-se a instalação de ácidos gordos obtidos a partir de óleos vegetais e sebo.
· Moderniza-se o equipamento de fiação de juta, instalando-se a primeira unidade para fios grossos e médios.
Na tecelagem, instalam-se os primeiros teares circulares para o fabrico de sacos de juta.
· Constitui-se a «COMFABRIL – Companhia Fabril e Comercial do Ultramar, S. A. R. L.», para desenvolvimento do comércio entre o Ultramar e a Metrópole.
1955
· Com a instalação de um segundo forno mecânico, aumenta de cerca de 100% a capacidade de produção de ácido clorídrico.
· Acompanhando a evolução sofrida no resto do mundo pelas técnicas de fabricação de sulfato de cobre e em face de um mercado crescente que se esboça no após guerra, a Companhia encara a necessidade de remodelar as suas instalações, passando a usar outro processo de fabrico.
Assim, de 1953 a 1955, constrói-se a primeira fase das novas instalações, tendo-se substituído completamente os processos de tratamento de cobre, quer proveniente de cementos, quer proveniente de cobre refinado de outras origens.
· Aumenta a capacidade de produção das fábricas da União Fabril do Azoto, que passa a 48 t/dia de amoníaco e 60 000 t/ano de sulfato de amónio.
· Na fábrica de óleos alimentares, instala-se o primeiro grupo de neutralização contínua, que substitui o antigo processo por meio de cubas.
· Para satisfazer as necessidades do Grupo C. U. F., quer no que se refere à pintura das suas instalações fabris, quer no que se refere à pintura dos navios das suas associadas, constitui-se a «TINCO – Sociedade Fabril de Tintas de Construção, S. A. R. L.», nova empresa que se destina à exploração de uma fábrica de tintas.
· No domínio da Organização Científica do Trabalho, passa-se à racionalização do trabalho administrativo, introduzindo nos escritórios a mecanização pelo sistema de cartões perfurados.
1956
· Na fábrica de sulfato de cobre instala-se uma unidade de cristalização em vazio, com a capacidade de 25 t/dia, que permite obter cristais de sulfato tipo “neve”.
Põe-se assim à disposição da Lavoura um produto de aplicação mais fácil dos que até aí produzidos.
Remodelam-se simultaneamente as instalações de cristalização estática, com mecanização das operações, e introduzem-se aperfeiçoamentos de que resulta um aumento de capacidade da ordem dos 25% em relação ao valor nominal para o qual a instalação foi calculada, sem quebra da qualidade do produto.
· Em Alferrarede, faz-se a montagem de uma extracção contínua para óleo de bagaço, com a colaboração do Centro de Estudos de Química Orgânica.
Igualmente com o apoio do mesmo Centro de Estudos, faz-se a instalação de um lagar contínuo de azeite, em Mirandela.
· Integrada num plano nacional de progresso no domínio dos produtos de lavagem constitui-se, em conjunto com outros industriais do País, uma nova sociedade, a «SONADEL - Sociedade Nacional de Detergentes, S. A. R. L.» que se destina ao desenvolvimento da indústria dos detergentes para uso doméstico e tensioactivos para outros fins.
· Visando o auto-abastecimento da Província de Moçambique em fibras para sacaria, evitando-se leste modo a importação de juta do Oriente, constitui-se a «Companhia Têxtil do Púnguè, S. A. R. L.», com sede na Beira.
A empresa, além da actividade de cultura de plantas produtoras de fibras, nomeadamente “kenaf”, dedica-se também ao fabrico de sacaria.
A produção destina-se ao consumo interno da Província.
· Ampliam-se as instalações portuárias do Barreiro com um novo canal para barcos de calado até 30 pés.
1957
· Entra em funcionamento uma nova unidade de produção de ácido sulfúrico por contacto, que permite fazer face ao aumento de produção de superfosfatos e de sulfato de amónio da «União Fabril do Azoto».
· A instalação de metalurgia do cobre por via ígnea, no Barreiro, é complementada por uma unidade de electrólise de cobre, com a capacidade inicial de 3 600 t/ano, e uma instalação de fusão de cátodos para «wire-bars».
Esta unidade, que é a primeira do género no País, permite a produção de cobre electrolítico na forma de «wire-bars», lingotes e cátodos, a partir de ânodos de cobre resultantes da metalurgia.
Os produtos destinam-se a abastecer o mercado nacional, reduzindo substancialmente as importações.
Das lamas resultantes da electrólise recupera-se ouro e prata.
· A “Empresa do Cobre de Angola” efectua o primeiro estudo geoquímico sistemático de amplitude regional, no território português (500 km2), e faz a primeira localização, também durante este ano, do jazigo do Tetelo.
· Inicia-se um período de sucessivos aperfeiçoamentos na fábrica de ácido fosfórico, devidos à actividade do respectivo Centro de Estudos, e que conduzem a sucessivos aumentos de capacidade de produção.
· A capacidade das fábricas da “União Fabril do Azoto” é novamente ampliada, passando para 55 t/dia de amoníaco e 70 000 t/ano de sulfato de amónio.
· Instala-se um novo grupo de neutralização contínua na fábrica de óleos alimentares.
· Constitui-se, em conjunto com outros industriais, a «INDUVE – Indústrias Angolanas de Óleos Vegetais, S. A. R. L.», para industrialização das oleaginosas locais.
· Renova-se parcialmente a instalação de cordoaria mecânica e inicia-se o fabrico de «baler-twine».
· Desenvolve-se a empresa «Celuloses do Guadiana», fundada em 1952 e que tinha por fim o fabrico de papel aproveitando a celulose da palha de trigo.
A Empresa passa a dedicar-se também à produção de embalagens de cartão canelado, em que é consumido o “papel-palha”, e mais tarde à produção de papel “simili-kraft”.
· O controle analítico do Barreiro é descentralizado, com a criação de laboratórios fabris.
· Ampliam-se as instalações portuárias do Barreiro, com uma nova ponte cais.
· Instala-se o refeitório número 3.
1958
· A instalação de tratamento de cinzas de pirite é totalmente remodelada.
As cinzas começam a ser submetidas a um tratamento por ustulação clorurante, obtendo-se, além do cemento de cobre, um produto rico em ferro - cinzas de pirite purificadas - utilizado como matéria-prima na indústria siderúrgica.
Por meio de um processo adequado de lavagem dos gases lançados para o exterior recupera-se todo o ácido clorídrico e sulfúrico neles contido, que é utilizado para a lixiviação das cinzas, e reduz-se extraordinariamente a poluição atmosférica em relação ao sistema anteriormente instalado.
O minério de ferro para a indústria siderúrgica começa desde logo a ser exportado.
Esta unidade, única no Pais, permite a recuperação das cinzas de pirite provenientes de todas as fábricas nacionais de ácido sulfúrico.
· Instala-se uma nova unidade de moagem e ventilação de enxofre, de maior capacidade de produção, que passa a produzir enxofres superior e ventilado de melhor qualidade.
Permite, além disso, produzir um novo tipo de enxofre, mais actualizado: o enxofre aderente.
· Remodela-se a fábrica de óleos industriais, com a instalação de prensas contínuas (“expellers”)
· Na «Companhia Têxtil do Púnguè» entram em funcionamento as instalações de fiação e tecelagem.
· A fábrica de tintas da TINCO inicia a laboração, com o apoio técnico da C. U. F.
· No Laboratório Central do Barreiro é criado o Centro de Estudos de Análises, essencialmente destinado ao estudo de novos métodos de controlo analítico.
· No Serviço de Documentação, funcionando junto das fábricas do Barreiro, é instalado um equipamento “Filmorex”, que permite a automatização do registo e selecção de documentos.
É a primeira unidade deste tipo instalada no País.
· A área fabril do Barreiro é ampliada com a recuperação de uma nova área ao Tejo, destinada à construção de novas instalações.
A localização destas unidades, junto ao rio, torna mais racional a movimentação das matérias-primas e produtos finais.
Acrescenta-se também um parque para cargas e descargas de produtos a granel e amplia-se a armazenagem do cais.
1959
· O Centro de Estudos de Produtos Químicos prossegue na sua actividade em ordem a conseguir o melhor rendimento das instalações fabris.
Assim, cria novos tipos de aparelhagem acessória, como um aparelho de limpeza de caldeiras de produção de vapor, de que é registada patente e de que provém uma economia de mão-de-obra considerável.
· A instalação de recuperação de ouro e prata sofre completa remodelação, permitindo o tratamento das lamas das electrólises de cobre e de chumbo. A alteração do diagrama de trabalho, com aperfeiçoamentos introduzidos pelo Centro de Estudos especializado, dá a possibilidade de recuperação de selénio e bismuto.
· A «Empresa do Cobre de Angola» conclui o estudo geológico-mineiro de toda a concessão (60 000 km2).
· Entra em funcionamento uma instalação de micronização de enxofre, iniciando-se a produção de enxofre molhável micronizado.
Remodela-se o fabrico de sabão, com a instalação de uma unidade funcionando pelo processo contínuo. Obtém-se sabão de maior pureza, até então não produzido no País.
· Em Angola, iniciam a sua actividade as fábricas da «INDUVE», cujo projecto, montagem e arranque foram conduzidos pelos Serviços Técnicos da C. U. F..
A industrialização local das oleaginosas presta valioso contributo ao aumento de nível de vida e de remuneração de mão-de-obra da Província.
· Entram em funcionamento as fábricas da «SONADEL», localizadas em Alhandra e destinadas à produção de detergentes e hidrogenação de óleos.
O projecto, montagem e arranque destas instalações foram estudados e conduzidos pelo Centro de Estudos de Química Orgânica.
· A empresa «António da Silva Gouvêa», na Guiné, inicia a exploração das oleaginosas locais, com a instalação de uma unidade de prensagem e refinação de óleos alimentares, cuja montagem foi igualmente apoiada pelo Centro de Estudos de Química Orgânica.
· Instala-se a primeira unidade agrícola na «Companhia Têxtil do Púnguè».
· A Metalo-Mecânica é equipada com uma unidade para fundição mecanizada de ferro e aço.
A oficina de Caldeiraria é instalada em novo edifício e remodelada, sendo equipada com aparelhos de soldadura manual e automática e controle não destrutivo.
· O Serviço de «Estudos e Projectos» do Barreiro dá origem ao Centro de Investigação que passa a funcionar em Sacavém.
A investigação realizada incide sobre os domínios industrial e agronómico.
A investigação agronómica é realizada no centro ao nível «laboratório» e «vaso» e utiliza, por outro lado, campos experimentais espalhados pelo País.
Os seus serviços são postos à disposição do agricultor que pode ser informado sobre problemas de adubação, através de um Serviço de Análises de terras que lhe é oferecido.
A par deste existe um Serviço de Fitossanidade.
No domínio da Investigação Industrial, continua, por um lado, a dar apoio aos Centros de Estudo da Produção e aos Serviços de Vendas e, por outro lado, realiza projectos de investigação que visam o estabelecimento de novos processos e/ou novos produtos.
· O desenvolvimento da actividade de projecto e a expansão rápida da Companhia, levam à concretização de um organismo central de projectos designado por Centro de Projectos da C. U. F.
Este organismo permite:
A ligação com os restantes órgãos de projecto da Empresa, nomeadamente o Departamento de Projectos das Fábricas do Barreiro e os Centros de Estudos dos vários Sectores; e
A elaboração de projectos para o exterior.
· Tendo como âmbito dos seus estudos todo o grupo C. U. F., a expansão do Serviço de Estudos Comerciais e a sua evolução justificam uma nova designação: Serviço de Prospecção de Mercados.
· É criado um Centro de Normalização, que amplia os domínios de actividade do Serviço de Codificação e Standardização.
· Por desenvolvimento do Serviço de Documentação, cria-se o Centro de Documentação.
1960
· A fábrica número 2 de ácido sulfúrico por contacto é remodelada, para aumento de produção de cerca de 50%.
O estudo desta remodelação foi efectuado pelo Centro de Estudos, que introduz nesta fábrica, além do sistema de recuperação de calor, a recirculação de gases nos fornos de pirite, o que permite, além de uma melhor utilização do equipamento, uma maior recuperação da energia de combustão da pirite.
· Começam a produzir-se adubos compostos, pela primeira vez no País, e instala-se uma nova unidade de granulação para a produção de adubos compostos granulados.
Na preparação dos adubos compostos consomem-se matérias-primas azotadas fornecidas pela «União Fabril do Azoto».
A C. U. F. toma a iniciativa de manter em funcionamento uma rede regional de engenheiros agrónomos que cobre todo o País e que, em estreita colaboração com as entidades oficiais, contribuirá para melhorar a produtividade da Lavoura.
· A fábrica de sulfato de amónio da União Fabril do Azoto aumenta a sua capacidade para 130 000 t/ano, consumindo amoníaco nacional fornecido pela Sociedade Portuguesa de Petroquímica, além do amoníaco de fabrico próprio.
Autorizada a diversificar a sua actividade no domínio dos adubos azotados, a União Fabril do Azoto inicia a construção de um complexo fabril, no Lavradio, destinado à produção de 170 t/dia de amoníaco petroquímico, 40 000 t/ano de ureia e 100 000 t/ano de adubos nítrico-amoniacais.
· Inicia-se a preparação de alguns tipos de pesticidas de base orgânica, formulados a partir de matéria-prima adquirida no exterior.
Assim, foram sucessivamente colocadas no mercado algumas marcas comerciais de insecticidas, desinfectantes de sementes e outros. produtos.
· Lança-se no mercado sabão em pó, com cerca de 60% de ácidos gordos.
Instala-se uma nova concentração de águas glicéricas de lixívia e começa a produzir-se glicerina bruta de lixívia, subproduto do fabrico contínuo de sabão,
· Remodela-se a fiação da juta, com melhoria: produtividade e de qualidade de fabrico.
A tecelagem é equipada com os primeiros teares sem lançadeira.
· A Metalo-Mecânica inicia o fabrico de permutadores de calor, sob licença da Kellog Internacional.
· O Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos passa a ser explorado por uma nova empresa especializada, a «NAVALIS -Sociedade de Construção e Reparação Naval, S. A. R. L.», que se forma como base para a realização de um novo estaleiro.
Além da C. U. F., são principais accionistas da nova empresa a Sociedade Geral, a Companhia Nacional de Navegação, o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império.
· Promove-se a melhoria do nível técnico do pessoal operário, através de cursos de formação profissional acelerada.
· A organização do trabalho administrativo prossegue, começando a preparação da instalação de um ordenador electrónico que virá substituir o equipamento mecanográfico clássico.
· Reorganizam-se os Serviços de Segurança no Trabalho.
1961
· Entra em funcionamento uma nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto, que consome enxofre como matéria-prima.
· Remodela-se e amplia-se a instalação de electrólise de chumbo, com a colaboração do Centro de Estudos da Zona Metais não Ferrosos.
· Arrancam as primeiras unidades integradas no complexo fabril da União Fabril do Azoto, no Lavradio, e inicia-se a produção de ácido nítrico e de nitrato de amónio.
· Inicia-se a reconversão da actividade têxtil da Companhia, pelo estudo sistemático de novas actividades.
· Constitui-se a «LISNAVE – Estaleiros Navais de Lisboa, S. A. R. L.», com a colaboração de importantes estaleiros holandeses, suecos e portugueses, o que lhe permite empreender os estudos e construção do Estaleiro Naval da Margueira.
· Amplia-se a actividade bancária pela fusão do Banco José Henriques Totta com o Banco Aliança, do Porto, fundado em 1863.
· Constitui-se a «MICOFABRIL - Sociedade Industrial de Bioquímica, S. A. R. L.», com a colaboração da Real Indústria Holandesa de Fermentação, para produção de antibióticos básicos no nosso País.
1962
· Para maior eficiência de toda a actividade de óleos de oleaginosas de importação, concentra-se também no Barreiro o fabrico de óleos industriais, até esta data funcionando na Fábrica União, nas Fontainhas.
· Prosseguindo a remodelação da fábrica de óleos alimentares, instala-se uma unidade de desodorização contínua, instalação única no País e semelhante às que equipam alguns dos grandes fabricantes europeus.
· Aumenta a capacidade de produção da saponificação contínua, com a instalação de uma nova unidade.
· Constitui-se, em colaboração com a empresa americana Ludlow Corp. e com a Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas, a «Sociedade de Indústrias Têxteis do Norte – SITENOR».
A nova empresa dedica-se ao fabrico de uma gama de tecidos de juta anteriormente não produzida no País, e que se destina na totalidade à exportação.
· Inaugura-se a nova fábrica de «A TABAQUEIRA», em Albarraque, com cerca de 25 000 m2 de área coberta e com uma capacidade de produção de 6 000 t/ano.
A fábrica, altamente automatizada, tem dimensão e técnica de fabrico equiparáveis às melhores unidades europeias.
· A actividade do Estaleiro Naval duplica, em relação ao período de 1953-54.
· O Centro de Investigação regista a sua primeira patente, que diz respeito a um aparelho medidor-controlador do teor em ácido sulfúrico existente na suspensão de fabrico de ácido fosfórico.
O novo processo, investigado e desenvolvido pela equipa do Centro de Investigação da C. U. F., suscitou interesse ao nível internacional, tendo sido, mais tarde, adquiridos os direitos da exploração por uma empresa francesa (C. E. G.) e uma empresa americana (Dorr-Oliver).
Um modelo do aparelho foi exposto no V Salão de Paris, a convite de uma empresa francesa.
· Desenvolvem-se as actividades pré-escolares para os filhos do pessoal.
1963
· Amplia-se cerca de 10 vezes a capacidade da. instalação de ouro e prata electrolíticos, com o objectivo de tratar não só os subprodutos das electrólises de cobre e chumbo, como o ouro existente nos minérios nacionais, cujo aproveitamento se começa a fazer no ano seguinte.
· Começa a produzir-se ureia, pela primeira vez no País, nas fábricas da União Fabril do Azoto.
Simultaneamente entra em laboração a fábrica de amoníaco petroquímico.
· Entra em laboração uma nova unidade de granulação de adubos, o que permite melhor satisfação da procura de adubos compostos granulados quer da parte da Lavoura nacional, quer dos mercados externos.
· Inicia-se a produção de sabão com 70-72% de ácidos gordos, pela primeira vez no País.
Arranca a instalação de fabrico de ácidos gordos a partir das pastas de refinação de óleos alimentares, para melhorar a qualidade deste subproduto como matéria-prima do fabrico de sabão.
· No plano de remodelação das instalações e para fazer face às crescentes necessidades de óleos alimentares, instala-se uma prensa contínua de elevada capacidade, com a respectiva aparelhagem complementar.
· Entra em laboração uma fábrica de alimentos compostos para animais, completamente automática e com grande flexibilidade de formulação (C. U. F. - Sanders).
Esta unidade, que é a primeira do seu género no País, tem uma capacidade de laboração de 10 t/hora.
· Desenvolve-se a «COMPAL – Companhia Produtora de Conservas Alimentares, S. A. R. L.», com fábrica no Entroncamento.
Inicia-se, desde logo, o estudo de um vasto plano de expansão, com instalações na fábrica do Entroncamento e numa fábrica inteiramente nova em Almeirim.
Esta nova unidade é concebida em duas fases para produções totais superiores a 6 000 t/ano de concentrado de tomate e 2 500 t/ano de tomate pelado, laborando para isso cerca de 40 000 t/ano de tomate (equivalente a 1 000 ha de cultura). A C. U. F. prossegue assim a sua política de industrialização de produtos agrícolas, a que continua a dedicar a maior atenção.
· Desenvolve-se a «SICEL – Sociedade Industrial de Cereais, S. A. R. L.», primeira empresa do País a fazer o aproveitamento integral do milho.
A empresa dedica-se à industrialização do milho por via seca, obtendo óleo de gérmen de milho, farinhas alimentares, sêmolas, e “torteaux” para alimentação animal.
A fábrica, localizada em Alcains, tem capacidade para tratar cerca de 30 000 t/ano de milho.
· Constitui-se a «PROTEXTIL – Promoção da Indústria Têxtil, S. A. R. L.», que se dedica à criação e confecção de vestuário.
· A Metalo-Mecânica começa a produzir ferro fundido especial, sob licença da Meehanite Metal, de Epson.
· Inicia-se a exploração do Estaleiro Naval pela «LISNAVE», que recebe como património a experiência e os meios de produção da anterior concessionária, a «NAVALIS».
· A C. U. F. participa na «LUSOFANE, S. A. R. L.», para o desenvolvimento da indústria da manufactura de plásticos, inicialmente no domínio da embalagem, de que é grande consumidora.
· O Centro de Projectos da C. U. F. constitui-se em empresa autónoma, a «PROFABRIL – Centro de Projectos Industriais, S. A. R. L.».
Esta nova sociedade tem por objecto «a prestação de serviços ligados à construção, planificação ou projecto de todos os tipos de empreendimentos, bem como à realização total ou parcial desses empreendimentos».
· A actividade de Organização Científica do Trabalho, juntamente com a da Prospecção de Mercados, constitui em empresa autónoma: a «NORMA – Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento de Empresas, S. A. R. L.». Toda a experiência e conhecimentos adquiridos ao longo de anos são agora tornados acessíveis a entidades exteriores à Companhia, pondo-se assim à disposição do País uma actividade que muito pode contribuir para o seu desenvolvimento económico.
· Iniciam-se os trabalhos da Comissão Interna da Empresa, com o fim de tornar possível a contribuição do pessoal na análise dos problemas da Empresa.
1964
· Com a instalação de um forno de ustulação clorurante, aumenta de cerca de 33% a capacidade de produção do tratamento de cinzas de pirite.
· Remodela-se e amplia-se a metalurgia do chumbo, com a instalação de uma unidade de peletização (estudada pelo respectivo Centro de Estudos), para minérios e subprodutos, e de uma instalação de fusão em forno de cuba e de um forno de reverbero elipsoídrico.
· A «Empresa do Cobre de Angola» conclui a cartografia geológica de uma área de 80 000 km2 ao norte de Angola.
· Entra em laboração uma nova unidade de produção de superfosfato concentrado de maior capacidade e que substitui a existente.
Entra também em funcionamento uma nova unidade de concentração de ácido fosfórico por «combustão submersa».
Este processo é usado pela primeira vez no Pais.
Faz-se a remodelação da moagem de fosforite, com aumento da capacidade, e remodelam-se outras instalações complementares da produção de adubos, com vista à melhoria de produtividade.
· Entra em funcionamento uma unidade para produção de enxofre em placas que, num futuro próximo, será o produto que, mais actualizado, substituirá o enxofre em rolos.
· Automatiza-se o transporte e pesagem de oleaginosas, melhorando-se a eficiência do processo.
· Produz-se, pela primeira vez no Pais, sabão em fios, com cerca de 80% de ácidos gordos.
Na fábrica de ácidos gordos, com a instalação de uma nova auto clave de cisão de gorduras por alta pressão, obtém-se um maior rendimento e maior pureza dos ácidos gordos produzidos.
Também para a produção de ácidos gordos, é instalada uma nova unidade, usando um processo inteiramente novo de desdobramento de resíduos de refinação de óleos alimentares, desenvolvido no Centro de Estudos de Química Orgânica.
· Entram em funcionamento as instalações da primeira fase da nova Unidade Industrial de Tomate da COMPAL, em Almeirim, construídas apenas em seis meses, com a colaboração do Centro de Estudos de Química Orgânica e da «Profabril».
· Incrementa-se a actividade têxtil da Companhia, com o aumento da capacidade de produção e acréscimo de produtividade das instalações de fiação e tecelagem de juta.
Remodela-se o fabrico de tapeçarias, aumentando igualmente a capacidade de produção.
Cria-se um novo mercado para a expansão da gama de produtos têxteis da Empresa, com a aquisição de uma unidade para o fabrico de têxteis não tecidos e de uma unidade de flocagem eIectrostática, instaladas pela primeira vez no País.
Para a exploração desta actividade forma-se uma nova associada, a «IPETEX -Sociedade de Indústrias Pesadas Têxteis, S. A. R. L.», com fábrica localizada em Vila Chã de Ourique, perto de Santarém.
A produção da nova unidade é constituída por uma gama de produtos têxteis até à data não fabricados em Portugal, e obtidos a partir de fibras naturais, artificiais e sintéticas.
· Remodela-se o equipamento das oficinas metalo-mecânicas, com aumento da capacidade de produção e melhoria da produtividade.
O edifício de Mecânica é ampliado e altera-se o diagrama de funcionamento de forma a tornar a oficina mais produtiva.
Inicia-se também o fabrico de ferro fundido nodular .
· Inicia-se a construção do novo Estaleiro da «LISNAVE» na Margueira, com capacidade para docar petroleiros até 200 000 tdw. No projecto, que foi executado pela «LISNAVE», colaborou a «Profabril -Centro de Projectos Industriais».
· O capital e reservas do «Banco Totta-Aliança» são elevados para 221 000 contos.
· A actividade da empresa «Celuloses do Guadiana» duplica no período 1959/1964.
1965
· Em construção uma nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto, com a capacidade de 500 t/dia.
Remodela-se completamente a fábrica de ácido clorídrico, instalando-se uma nova fábrica com forno mecânico e uma torre de absorção em grafite, com a capacidade de 15 t/dia de ácido a 33%.
· Arranca uma instalação de produção de sulfato de sódio, a partir de soluções residuais do tratamento de cinzas de pirite, com a capacidade inicial de cerca de 20 000 t/ano de sulfato de sódio.
Esta instalação, única existente no País, permite um aproveitamento mais completo da matéria-prima pirite, e integra-se no desenvolvimento da produção de celulose do País.
· Entra em laboração uma unidade de produção de Zinebe, fungicida orgânico fabricado pela primeira vez no País.
A capacidade inicial de produção é de 2 500 t/ano.
O produto destina-se a ser vendido directamente como fungicida para a agricultura ou ainda a ser utilizado como matéria-prima base para a formulação de outros pesticidas.
Instala-se simultaneamente uma unidade de formulação e embalagem de pesticidas.
· Remodela-se a instalação de extracção «De Smet» na fábrica de óleos alimentares, com aumento da capacidade de extracção.
· Entra em laboração, na fábrica do Entroncamento, uma nova unidade de produção de sumos e néctares de frutos, da COMPAL.
Nas instalações de Almeirim também se passam a produzir legumes desidratados.
· Remodelam-se as instalações da «INDUVE», em Angola.
O Centro de Estudos de Química Orgânica colabora nesta remodelação.
· As instalações da tinturaria têxtil são ampliadas e sofrem completa remodelação.
Amplia-se o fabrico de feltro de juta.
· Constitui-se, em conjunto com uma empresa sueca, a «CELBI – Celulose Billerud, S. A. R. L.», para produção de celulose solúvel pela primeira vez no País.
· O Centro de Investigação regista duas patentes: «Dispositivo para a medição contínua da densidade de líquidos» e «Aparelho medidor-controlador do teor em ácido sulfúrico e eventualmente do teor em água nas misturas de ácido acético e ácido sulfúrico».
· A «NORMA» prepara um plano de formação, em que é utilizada, pela primeira vez no País, a instrução programada aplicada à indústria.
· Remodelam-se e ampliam-se as instalações portuárias do Barreiro, com uma nova ponte-cais e a instalação de dois pórticos de 10 toneladas.
· Inaugura-se o novo parque desportivo do Barreiro

«O QUE TIVEMOS DE LUTAR... FOI MUITO. NÃO É OCASIÃO PARA SE ENUMERAR. CONSEGUIU-SE. É O PRINCIPAL.»
ALFREDO DA SILVA
10 Maio 1937

«SUCEDA O QUE SUCEDER. ALGO DE GRANDE, DE NOBRE E DE BELO CONTINUARÁ VIVENDO SEMPRE DENTRO DA FAMÍLIA CUF, A ILUMINAR A NOSSA ESTRADA DE MARCHA, A ANIMAR-NOS A TRABALHAR, A INCITAR-NOS A PROGREDIR E A ELEVAR-NOS AOS NOSSOS PRÓPRIOS OLHOS:
- O ORGULHO DE SERVIRMOS PORTUGAL, A HONRA DE SERMOS ÚTEIS À NAÇÃO.»
D. MANUEL DE MELLO
15 Março 1952

«A MAIOR OBRA SOCIAL DA COMPANHIA É, E CONTINUARÁ A SER, A CRIAÇÃO CONSTANTE DE NOVAS FONTES DE TRABALHO.»
DR. JORGE DE MELLO
18 Julho 1955

Quando se medita no que foi a evolução de uma empresa como a C. U. F. não pode deixar de se reconhecer que uma grande empresa industrial representa um dos mais notáveis fenómenos de convergência de esforços nos tempos modernos.
E o fenómeno é notável na medida em que o indivíduo se sente impelido a pôr-se incondicionalmente ao dispor de um empreendimento colectivo, pondo nele todo o entusiasmo da sua liberdade individual.
A sua participação nesse empreendimento não é por isso apenas a que lhe é pedida pela estrutura a que pertence, mas também, e em grande parte, aquela que ele por si próprio introduz nessa estrutura.
Não se pode esquecer, porém, que cada um tem a sua forma específica de valorizar a sua contribuição individual; no entanto, qualquer que ela seja, resume-se no fundo ao aperfeiçoamento das suas qualidades de convergência, na medida em que estas são o reflexo do sentimento de responsabilidade do indivíduo em relação à colectividade em que está integrado.
É dentro deste espírito que tem sido possível publicar esta revista desde há cerca de seis anos, contando-se para isso com aqueles que consideram que a apresentação de artigos constitui uma forma válida de valorização.
E é ainda dentro deste mesmo espírito que, neste número, integrado nas comemorações do centenário, não se quis deixar de incluir uma série de artigos representativos de várias actividades, como documentação desta forma de valorização dos Quadros da Companhia.

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Passagem a “scanner” e revisão por J.M.Leal da Silva aos 18 de Julho de 2002